Cristo Nosso Sumo-Sacerdote
Texto bíblico:
"Ora, o essencial das coisas que temos dito é que
possuímos tal Sumo Sacerdote, que Se assentou à destra do trono da Majestade
nos Céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor
erigiu, não o homem" (Hb 8:1, 2)
Depois de Sua ressurreição e ascensão ao santuário
celestial, Cristo entrou em uma nova fase do plano da redenção (Hb 2:17). Com o
cumprimento do indispensável requisito de Seu sacrifício, Ele foi empossado
como sacerdote e começou Seu ministério sacerdotal intercedendo, com base em
Seu sacrifício perfeito, em favor das pessoas cobertas por Seu sangue, mediante
a fé. Seu ministério sacerdotal consiste em duas fases, ambas prefiguradas no
santuário terrestre por meio do ministério diário e do ministério anual durante
o Dia da Expiação.
Nesta semana, estudaremos a obra de Jesus durante Seu
ministério diário e veremos alguns desdobramentos práticos de Sua obra em
relação a nós. Podemos, de fato, encontrar grande conforto em saber que Jesus
agora está na presença de Deus, aplicando em nosso favor os méritos de Seu
sacrifício. A mensagem do santuário oferece esperança e encorajamento até mesmo
ao mais fraco de Seus seguidores.
Nosso Sumo-Sacerdote
O livro do Novo Testamento que mais fala a respeito de
Cristo como sacerdote é o de Hebreus. A espinha dorsal de Hebreus no Antigo
Testamento consiste em dois versos citados do Salmo 110. O verso 1 é citado
para confirmar que Cristo é exaltado acima de tudo, porque Ele sentou-Se à
direita de Deus. Esse é um tema recorrente em Hebreus, que enfatiza a divindade
e messianidade de Jesus (Hb 1:3; 4:14; 7:26; 8:1; 12:2). O verso 4 do Salmo 110
é usado para demonstrar que o sacerdócio de Cristo foi prefigurado por
Melquisedeque (Hb 5:6).
1. De que forma Cristo cumpre o sacerdócio divinamente
prometido, segundo a ordem de Melquisedeque? Compare Gn 14:18-20, Sl 110:4 e Hb
7:1-3
A Bíblia não apresenta muita informação sobre Melquisedeque.
No entanto, o que ela revela mostra notáveis semelhanças com relação a Jesus.
Melquisedeque é o rei da cidade de Salém (Salém significa "paz".
Então ele é o "Rei da Paz"). Seu nome significa "Rei da
Justiça", o que fala de seu caráter. Ele é separado da História, uma vez
que sua linhagem familiar não é dada; seu nascimento e morte não são
mencionados, por isso, parece que ele não teve início nem fim; ele é
"sacerdote do Deus Altíssimo". O sacerdócio de Melquisedeque é
superior ao sacerdócio levítico, porque por meio de Abraão, Levi deu o dízimo a
Melquisedeque (Hb 7:4-10). Melquisedeque, portanto, é um tipo de Cristo.
Porém, Cristo é ainda mais. Arão foi o primeiro sumo-sacerdote
em Israel. Hebreus 5:1-4 descreve o ofício sumo sacerdotal aarónico idealizado:
nomeação divina, representante dos homens, mediação diante de Deus, compassivo
e oferecimento de sacrifícios pelo povo e por si mesmo.
O livro de Hebreus retrata Cristo como o novo Sumo-Sacerdote.
Ele é de uma ordem melhor até mesmo que a de Arão; Ele não apenas cumpriu os
requisitos do sacerdócio aarónico, mas os ampliou. Jesus não tinha pecado, foi
plenamente obediente e não precisou trazer uma oferta por Si mesmo. Ao
contrário, Ele mesmo foi a oferta, tendo sido a mais perfeita oferta possível.
Jesus cumpriu tanto o sumo sacerdócio aarónico quanto o sumo
sacerdócio de Melquisedeque, de maneira melhor que qualquer um desses
sacerdotes, ou sacerdócios, fez ou poderia fazer. Ambos os tipos encontraram
seu antítipo em Cristo.
Advogado e
Intercessor
2. Que grande esperança e promessa encontramos em Romanos
8:31-34?
O pano de fundo dos versos 31-34 é uma cena de tribunal em
que devemos visualizar a nós mesmos sendo julgados. Perguntas são feitas:
"Quem será contra nós?" "Quem intentará acusação contra os
eleitos de Deus?" "Quem os condenará?" Tal situação poderia
facilmente provocar arrepios em nós. Afinal, não estamos bem conscientes da
nossa imperfeição humana e pecaminosidade?
Porém, não precisamos temer. A promessa de que nada nem
ninguém pode nos separar do amor de Deus se centraliza em vários pontos
importantes: "Deus é por nós" (v. 31), Deus entregou Seu Filho por
nós (v. 32), Deus nos dá graciosamente todas as coisas (v. 32) e Deus nos
justifica (v. 33). Jesus Cristo está do nosso lado. Ele é a resposta ao medo da
condenação, pois morreu, ressuscitou, e agora está continuamente intercedendo
por nós à direita de Deus, no santuário celestial (v. 34).
Se Alguém chegou ao ponto de morrer voluntariamente por nós,
devemos confiar em Seu amor. A certeza revelada em Romanos 8:31-39 realmente
fala sobre o tipo de Deus em quem acreditamos. Se entendermos que Deus nos ama
de tal maneira que nada pode frustrar Seus propósitos para nós (v. 35-39), o
tribunal divino se tornará um lugar de alegria e júbilo.
Essa verdade se torna ainda mais clara em 1 João 2:1, 2. A
palavra grega parakletos indica um assessor jurídico ou advogado, alguém que
aparece em favor de outro como "intercessor". Jesus é nosso Advogado
e nos defende porque, de outro modo, não teríamos esperança.
Nosso advogado é "justo", o que nos dá a certeza
de que o Pai ouvirá a intercessão de Cristo, porque Ele não poderia fazer nada
que pudesse ser rejeitado por Seu justo Pai. Cristo intercede pelos que
pecaram: Aquele que não tem pecado Se apresenta como o Justo que os representa.
Como você pode experimentar mais a verdade maravilhosa de
que nada vai separá-lo do amor de Deus? Como você pode usar essa certeza como
incentivo para viver de acordo com a vontade de Deus?
Mediador
3. "O qual deseja que todos os homens sejam salvos e
cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Porquanto há um só Deus e um só
Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, Homem, o qual a Si mesmo Se deu
em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos"
(1Tm 2:4-6). De acordo com esses versos, o que Cristo está fazendo por nós no
Céu?
Cristo é chamado de único Mediador entre Deus e os homens.
Não existe nenhum outro porque, na verdade, ninguém mais é necessário. Por meio
da obra de Cristo como Mediador, salvação e conhecimento da verdade são
disponíveis a todos (1Tm 2:4). A questão fundamental para todos nós é se
aproveitaremos o que Cristo nos ofereceu, independentemente de nosso estatuto,
etnia, caráter ou ações passadas.
"Mediador" é um termo do antigo mundo comercial e
jurídico da Grécia. Ele descreve alguém que negocia ou atua como árbitro entre
duas partes, para remover uma discórdia ou para alcançar um objetivo comum, a
fim de estabelecer um contrato ou aliança.
Em Hebreus, Cristo como Mediador está ligado à nova aliança
(Hb 8:6; 9:15; 12:24). Ele fez a reconciliação. Embora o pecado tivesse
destruído a íntima comunhão entre a humanidade e Deus, o que poderia ter levado
à destruição da humanidade, Cristo veio ao mundo e restaurou a conexão. Isso é
reconciliação. Somente Ele é o elo entre Deus e a humanidade. Por meio desse
elo podemos desfrutar pleno relacionamento de aliança com o Senhor.
A referência de Paulo a Ele como "Cristo Jesus,
homem" expressa Sua qualidade única de ser tanto humano quanto divino (1Tm
2:5). Salvação e mediação estão ancoradas precisamente na humanidade de Jesus e
na voluntária oferta de Si mesmo. Por ser, ao mesmo tempo, Deus e homem, Jesus
é capaz de ligar o Céu e a Terra com laços que nunca podem ser rompidos.
"Jesus Cristo veio ao mundo para que pudesse unir o
homem finito com o infinito Deus, e conectar a Terra com o Céu, que, pelo
pecado e transgressão se haviam divorciado" (Ellen G. White, Sermons and
Talks, v. 1, p. 253 [Sermões e Palestras, v. 1, p. 253]).
Pense nisto: há um Ser divino-humano no Céu, agora,
intercedendo em seu favor. O que isso diz sobre seu valor aos olhos de Deus?
Como essa verdade deve impactar sua maneira de viver e tratar os outros?
O grande Sumo-Sacerdote
4. O que os textos a seguir revelam sobre o ministério de
Cristo como Sumo-Sacerdote? Hb 2:17, 18; 3:6; 4:14, 15; 7:24-28; 8:1-3
Jesus é o "grande Sumo-Sacerdote" (Hb 4:14). Ele é
superior a todos os Sumos-sacerdotes e governantes da Terra. A Bíblia atribui
uma série de qualidades a Jesus como grande Sumo-Sacerdote:
Misericordioso e fiel (Hb 2:17). Essas duas características
se harmonizam com o papel de Cristo como Mediador, pois Ele nos concede Seus
dons ("misericordioso") e é leal a Seu Pai e a nós
("fiel").
Ele Se compadece das nossas fraquezas (Hb 2:18; 5:2, 7). Uma
vez que Ele viveu como ser humano, podemos crer que Ele é um compassivo e
perfeito Ajudador. No entanto, Ele não está na mesma situação em que nós
estamos, porque é "sem pecado" (Hb 4:15).
Ele está acima de nós. Como Sumo Sacerdote, Jesus não está
na comunidade dos cristãos, como Moisés esteve entre os israelitas. Ele está
acima de nós, como um Filho que preside a casa de Seu Pai (Hb 3:6). Cristo
desfruta de plena autoridade entre os santos.
Ele foi tentado como nós somos. A origem divina de Jesus não
Lhe deu direitos exclusivos. Ele foi tentado à nossa semelhança (Hb 4:15). As
tentações escolhidas no deserto da Judeia mostram que Ele foi tentado nas
dimensões física, mental e espiritual (Mt 4:1-11).
Ele intercede por nós. Cristo comparece "por nós"
no santuário celestial, na presença de Deus (Hb 9:24; Hb 7:25). Graças a Deus
que temos um Representante divino para Se apresentar no julgamento em nosso
lugar.
Jesus está no Céu "por nós". O que significa isso?
Que certeza e segurança você encontra nessa maravilhosa verdade?
O Único Sacrifício
Como vimos, um propósito essencial do ritual do santuário
terrestre era revelar, por meio de símbolos, tipos, e profecias em miniatura, a
morte e ministério sumo sacerdotal de Jesus. O pecado é algo terrível demais
para ser resolvido meramente com a morte de animais (por mais tristes e
infelizes que essas mortes tenham sido). Em vez disso, todo aquele sangue
derramado devia apontar para a única solução para o pecado, a morte do próprio
Jesus. O pecado é, na verdade, tão perverso que foi necessária a morte dAquele
que era igual a Deus (Fp 2:6), a fim de expiar o pecado.
5. Leia Hebreus
10:1-14. Como essa passagem contrasta a função e obra do ritual do
santuário terrestre com a morte e ministério sumo sacerdotal de Jesus?
Muitas verdades cruciais ressoam desse texto. Umas das mais
importantes é que a morte de todos aqueles animais não foi suficiente para
resolver o problema do pecado: "É impossível que o sangue de touros e de
bodes remova pecados" (Hb 10:4). Eles apenas apontavam para a solução, mas
não eram a solução. A solução era Jesus, Sua morte e Seu ministério no
santuário celestial em nosso favor.
Observe outro ponto crucial nesse texto: a suficiência total
da morte de Cristo. Embora os sacrifícios de animais tivessem que ser repetidos
muitas vezes, dia após dia, ano após ano, o sacrifício único de Jesus foi
suficiente (afinal, considere quem foi sacrificado!) para expiar os pecados de
toda a humanidade. Deus revelou poderosamente essa verdade fundamental quando o
véu interior do santuário terrestre foi rasgado de modo sobrenatural, após a
morte de Jesus (Mt 27:51).
Considere os danos, a dor, a perda, o medo e o desespero
causados pelo pecado. Como podemos aprender no dia-a-dia, momento a momento, a
nos apegarmos a Jesus como única solução para o problema do pecado em nossa
vida?
Estudo adicional
Leia no SDA Bible Commentary [Comentário Bíblico
Adventista], v. 7A, Apêndice C, p. 680-692: "The Atonement, Part II –
High-Priestly Application of Atoning Sacrifice" [A Expiação, Parte II –
Aplicação Sumo Sacerdotal do Sacrifício Expiatório].
"Afaste-se da voz de Satanás, deixe de fazer sua
vontade, e permaneça ao lado de Jesus, mantendo os atributos de Jesus, o
Possuidor de ternas e finas sensibilidades, que pode tornar Sua própria a causa
dos aflitos e sofredores. O homem que muito foi perdoado, amará muito. Jesus é
o Intercessor compassivo, misericordioso e fiel Sumo Sacerdote. Ele, a
Majestade do Céu, o Rei da glória, pode olhar para o homem finito, sujeito às
tentações de Satanás, sabendo que sentiu o poder das artimanhas de
Satanás" (Ellen G. White, Christian Education [Educação Cristã], p. 160).
"A consciência pode ser libertada da condenação. Pela
fé em Seu sangue, todos podem ser aperfeiçoados em Cristo Jesus. Graças a Deus
por não estarmos lidando com impossibilidades. Podemos pretender santificação.
Podemos fruir o favor de Deus. Não devemos estar ansiosos acerca do que Cristo
e Deus pensam de nós, mas do que Deus pensa de Cristo, nosso Substituto"
(Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 32, 33).
Perguntas para
reflexão
1. Leia Hebreus 2:17. Por que foi necessário que Jesus Se
tornasse humano e sofresse antes que Se tornasse nosso Sumo-Sacerdote?
2. Pense nas seguintes palavras: "Não devemos estar
ansiosos acerca do que Cristo e Deus pensam de nós, mas do que Deus pensa de
Cristo, nosso Substituto." Como isso nos ajuda a entender o conceito de
ser aperfeiçoado "em Cristo Jesus"?
3. Nosso Sumo-Sacerdote, Jesus Cristo, é a certeza da nossa
salvação. Ele aplica os efeitos e benefícios de Seu sacrifício e sangue. Com
Ele ao nosso lado, não temos nada a temer. Como podemos tomar essas verdades
maravilhosas, expressas no livro de Hebreus, e aplicá-las a nós mesmos,
especialmente em momentos de tentação?
4. O livro de Hebreus diz claramente que o sacrifício de
Jesus, de "uma vez por todas" (Hb 9:26), foi tudo o que era
necessário para resolver o problema do pecado. O que isso deve nos dizer sobre
qualquer prática religiosa que pretenda repetir esse sacrifício tendo em vista
o perdão dos pecados?
Cristo, Nosso Sacrifício
A obra da redenção não foi um pensamento posterior na mente
de Deus, nem uma improvisação, um plano B, resultante de uma surpresa
introduzida pelo pecado e suas consequências. Ao contrário, o plano divino para
a salvação da humanidade foi formulado antes da fundação do mundo. O vidente de
Patmos se refere ao “Cordeiro que foi morto, desde a fundação do mundo” (Ap
13:8). Um aspecto central na obra da redenção é o sofrimento e morte de Jesus.
Por essa razão, afirma-se que, no coração da religião cristã, encontra-se uma
cruz. Sobre essa cruz, Deus lidou com o problema introduzido pelo pecado e
realizou a salvação do pecador.
Historicamente, a cruz se situa no tempo há uns dois mil
anos. Entretanto, podemos dizer que essa cruz, antes de ser erguida no
Calvário, foi planeada no coração de Deus desde a fundação do mundo.
Devido à sua importância, é extremamente perigoso o
pensamento de que a morte de Jesus não seja substitutiva. Alguns consideram o
pensamento da substituição como irrelevante, ou muito violento, ou mesmo
insuficiente.
Mas qual é o conceito bíblico? Isto é o que estudaremos
nesta semana.
Jesus em Isaías 53
Alguns autores consideram o texto de Isaías 52:13-53:12 como
o mais importante do Antigo Testamento. Independentemente da importância que
lhe é atribuída, ele é o mais citado/aludido no Novo Testamento, visto ser uma
das mais completas descrições da obra redentora do Messias. Com ela se
anunciava, sem margem para dúvidas, que a única solução para o problema
introduzido pelo pecado seria a obra do Servo do Senhor.
Isaías 53 fala de rejeição: o Servo foi rejeitado enquanto
viveu (53:1-3). E o clímax da rejeição ocorreu na morte do Servo (53:4-9). Por
que morreu? Que significado tem Sua morte? Ele morreu em nosso lugar, como
nosso Substituto. Sua obra foi em nosso favor. Não morreu por causa de Seus
pecados, visto que não pecou, e sim, por causa dos nossos. Teologicamente, foi
uma morte expiatória e uma expiação vicária.
A morte do Servo foi iniciativa divina, evidência de Sua
graça, livremente estendida ao pecador. No verso 6 lemos que “o Senhor fez cair
sobre Ele a iniquidade de todos nós”, uma linguagem que nos remete a Levítico
16.
O verso 7 declara que o Servo foi levado como um
Cordeiro ao matadouro. O cordeiro era o
animal mais representativo do sistema sacrifical. Mas aqui estava o verdadeiro
Cordeiro, “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29). Ao ser
sacrificado, o Messias cumpriu todo o simbolismo dos sacrifícios levíticos,
tornando-os desnecessários.
Resumindo a obra realizada pelo Servo sofredor, Ele
purificou, carregou as enfermidades, assumiu as dores, o castigo Lhe foi
imposto, Seus ferimentos trouxeram a cura, Ele ofereceu a vida em expiação, Ele
justificou, entregou-Se à morte e intercedeu pelos outros. Mas o Servo não
permaneceria morto. Voltaria a viver. Seria exaltado (52:13) e ficaria
satisfeito ao ver que não morrera em vão. Muitos seriam justificados em virtude
de Seu sacrifício expiatório.
Essa descrição profética da morte sacrifical de Cristo foi
oferecida por Isaías como a única forma eficaz para a expiação do pecado.
Cristo Se tornou o que nós somos para que fôssemos restaurados à comunhão com
Deus.
Para reflexão: Pense na grandeza da obra de Cristo realizada
na cruz do Calvário em seu favor. A obra foi definitiva. Não é necessário
repetir-se. Que resposta você tem dado a essa manifestação da graça infinita?
Foi por você. Aceite a oferta! O caminho da salvação está aberto. O Messias o
espera.
Substituição
suficiente
Todo o sistema de ofertas do Antigo Testamento apontava para
a morte substitutiva de Jesus. Ele foi a oferta final pelos pecados da humanidade.
Não havia outra saída. A salvação se fundamenta no sacrifício único de Jesus. O
caminho para a glória passa pelo Calvário. A paixão precede a glória. Não
existe glória sem paixão. A cruz precede a coroa. O clamor de Jesus no Getsémani,
pedindo ao Pai que, se possível, passasse o cálice adiante, revela de forma
inequívoca que o caminho da cruz não podia ser evitado, caso o plano da
salvação devesse ser concretizado.
Paulo desenvolveu essa ideia no capítulo 2 de Hebreus. De
Seu exaltado estatuto (Hb 1:5-14), recebendo a adoração e o serviço dos anjos,
Jesus Se tornou temporariamente inferior a tais seres celestiais. De que forma?
Tornando-Se homem e sendo posto à morte. Ele “provou” a morte por, em favor de,
e em lugar de, todos os homens. A expressão “provar a morte” descreve
graficamente “a realidade difícil e dolorosa de morrer que é experimentada pelo
homem e que foi sofrida também por Jesus.” A amargura da morte experimentada
“não foi a de um nobre mártir aspirando a um status de santidade, mas como o
Salvador, sem pecado, que morreu para libertar os pecadores da maldição da
morte espiritual”. O Calvário é o caminho para a reconciliação entre o homem
pecador e o Deus santo. Assim, o Calvário, longe de ser uma derrota, é uma
estrondosa vitória. Embora, historicamente, a cruz tenha sido o ponto mais
baixo na carreira de Jesus, paradoxalmente foi também o mais elevado.
Contextualmente, o sofrimento e a morte de Jesus pavimentam o caminho para a
glória. Humilhação e exaltação funcionam como dois aspectos complementares de
uma única obra. A expressão “coroado de glória e de honra” (v. 9) relembra a
investidura de Aarão como sumo sacerdote (Êx 28:2, 40), o que antecipa o
argumento posterior de que Jesus é nosso Sumo Sacerdote.
O sangue de Cristo
O dilema humano presente na carta aos hebreus é a
contaminação, e o agente para efetuar a purificação é o sangue. Porém, não o
sangue de touros e bodes, que pode até realizar uma purificação exterior ou
cerimonial, mas não tem o poder de purificar a consciência. O apóstolo
apresenta um tipo de sangue superior, o sangue do próprio Cristo. Em muitas
ocasiões, o autor destaca a superioridade do sangue de Cristo em relação ao
sistema ritual do santuário, com seus repetidos sacrifícios de animais e
consequente derramamento de sangue.
Enquanto o sumo sacerdote entrava no lugar santíssimo do
santuário terrestre, com sangue de animais, apenas uma vez ao ano – acesso
limitado –, Cristo entrou com Seu próprio sangue no santuário celestial para
sempre – acesso ilimitado. A obra de Cristo em Hebreus é enfatizada por meio
das repetidas referências a Seu sangue, que assegura o perdão a quem O aceitar.
Seu sangue, sendo superior, foi derramado uma vez para sempre para purificar os
pecados. Seu sangue nos aperfeiçoa e nos torna santos. Naturalmente, não se
trata do sangue de Cristo em si, mas da ação de Se oferecer a Deus como um
sacrifício sem mácula (9:14) e os resultados positivos para aqueles que se
apropriam de Sua oferta de perdão e purificação.
Para reflexão: Temos
permitido que o sangue salvífico de
Cristo realize, com todo o seu poder, tudo aquilo que é capaz de fazer em nossa
vida? Seu poder purificador tem atingido cada área de nossa vida, ou temos
limitado seu acesso e assim conservado algum “pecado acariciado”?
Sacrifício imaculado
A lei ordenava que o animal oferecido em sacrifício no
santuário devia ser perfeito. A razão para isto é que ele simbolizava a Cristo,
a oferta sacrifical por excelência. O apóstolo Pedro deixou isso bem claro
quando afirmou que fomos resgatados pelo “precioso sangue, como de Cordeiro sem
defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1Pe 1:18, 19). Não é possível ao
homem oferecer alguma coisa por si mesmo, visto que é naturalmente imperfeito.
Somente o Substituto celestial pode expiar os pecados da humanidade. Ao homem
compete apenas aceitar a oferta graciosamente oferecida pelo Céu em seu favor.
Jesus Cristo é a oferta perfeita: “santo, inculpável, sem
mácula, separado dos pecadores” (Hb 7:26). Embora tenha sido tentado em todas
as coisas, Jesus nunca cedeu à tentação. Era sem pecado e não cometeu pecado
algum. A expressão “a Si mesmo Se ofereceu sem mácula a Deus” (9:14) indica
porque o sacrifício de Cristo é “absoluto e final.” Ao qualificar Cristo como
“sem mácula” (ámomon - ἄμωμον) o autor nos remete aos sacrifícios realizados no
santuário. Esse termo denota a ausência de defeitos no animal sacrifical (Nm
6:14; 19:2). Com isso é enfatizada a perfeição do sacrifício de Cristo. Jesus é
não apenas o Sumo Sacerdote sem pecado (4:15; 7:26), como também a vítima “sem
mácula”. A oferta de Si mesmo a Deus, sem mácula, foi a culminação de uma vida
de perfeita obediência (5:8-9; 10:5-10).
Para reflexão:
Como professo seguidor de Cristo, entendo o chamado para ser santo e
irrepreensível (Ef 1:4)? O que está faltando em minha vida para que se realize
em mim o propósito de Deus?
Um grande perigo
Paulo demonstrou a superioridade de Jesus mediante
diferentes comparações, exaltou a suficiência de Seu sacrifício, de Seu sangue
que purifica nossa consciência, assegurando-nos uma santa ousadia para entrar à
presença de Deus. Entretanto, em alguns pontos ele apresenta advertências que
vão se tornando progressivamente mais sérias, e que merecem nossa profunda
consideração.
Em primeiro lugar, ele advertiu contra o perigo de abandonar
a verdade (Hb 2:1-4). A seguir, advertiu acerca do perigo de não entrar em Seu
repouso por causa da dureza do coração (3:8-11). Depois, há o perigo de não
alcançar a maturidade espiritual, caindo pelo caminho, após tudo o que alguém
experimentou na vida cristã, e não mais ser levado ao arrependimento (6:4, 5).
O resultado disto é uma expectativa aterradora de juízo e do fogo que consome
os inimigos de Deus (10:27). Viver deliberadamente em pecado após alcançar o
conhecimento da verdade é algo muito sério (10:26). Com isso é novamente
crucificado o Filho de Deus e exposto à ignomínia (6:6). É calcar aos pés o
Filho de Deus e profanar o sangue da aliança e ultrajar o Espírito da graça
(10:29). Esse é um tipo de apostasia que pode levar a pessoa a rejeitar
definitivamente a Cristo.
Como exposto na lição, “poucos cristãos rejeitariam
abertamente o sacrifício de Cristo, ou mesmo pensariam em algo semelhante”. O
perigo é que sutilmente podemos assumir uma posição com respeito às realidades
espirituais que termine em completa apostasia. Por isso, é necessário que
estejamos atentos a nós mesmos, à nossa vida espiritual, aos exercícios
espirituais – comunhão, relacionamento e missão.
Para reflexão: De
alguma forma sutil, estaríamos nós abandonando as verdades da salvação? A fé
entregue aos santos? O que podemos fazer para renovar nossa fidelidade a
Cristo?
Conclusão
Jesus morreu em meu lugar. Ele é meu Substituto. Pagou
com sangue o preço da minha salvação.
Por que, então, muitas vezes me encontro negociando com Deus o tipo de
discipulado que desejo oferecer-Lhe? Não entendo que, agindo assim, estou
amesquinhando a morte de Cristo? Por que é tão difícil para mim, pecador,
entregar-me completamente a Cristo? O que posso fazer?
Para mais informações, ver Millard J. Erickson, Christian
Theology, 2ª ed. (Grand Rapids, MI: Baker, 2004 [7ª impressão]), 818-840; Raoul
Dederen, ed., Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia (Tatuí, SP: CPB,
2011), 193-205.
Gerhard von Rad, Teologia do Antigo Testamento (São Paulo:
ASTE, 1974), v. 2, p. 248.
Para uma análise do significado da preposição hyper, usada
em Hebreus 2:9, ver Erickson, p. 831.
Johannes
Behm, Theological Dictionary of the New Testament, v. 1, p. 677.
S. J.
Kistemaker & W. Hendriksen, New
Testament Commentary: Exposition of Hebrews (Grand Rapids: Baker Book House,
1953-2001), v. 15, p. 67.
W. L. Lane,
Word Biblical Commentary: Hebrews 9-13 (Dallas: Word, Incorporated, 2002), v.
47B, p. 239.
O Dia da Expiação
Verso Principal:
"Quem, ó Deus, é semelhante a Ti, que perdoas a
iniquidade e Te esqueces da transgressão do restante da Tua herança? O Senhor
não retém a Sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Tornará a
ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades e lançará todos os
nossos pecados nas profundezas do mar" (Mq 7:18, 19).
O Dia da Expiação, ou Yom Kippur, conforme revelado em
Levítico 16, é o ritual mais solene do Antigo Testamento. Ele foi
intencionalmente colocado no centro do livro de Levítico, que está no centro
dos cinco livros de Moisés, para ilustrar o "santíssimo" caráter
desse ritual. Mencionado também como o sábado dos sábados (Lv 16:31,
International Standard Version), o dia requeria a cessação de todo trabalho, o
que é único para um festival israelita anual. Esse fato coloca esse dia
justamente dentro do conceito do sábado, um tempo para descansar no que Deus,
como Criador e Redentor, fez (e fará) por nós.
A purificação anual
1. Leia Levítico 16:16, 30. O que era purificado no Dia da
Expiação?
Ao longo do ano, todos os tipos de pecados e impurezas
rituais eram transferidos para o santuário. O Dia da Expiação era o tempo para
sua remoção. Havia três partes principais no Dia da Expiação:
1.1. A oferta da purificação pelo sacerdote. O sumo
sacerdote sacrificava um novilho por seus pecados, certificando-se de que ele
(o sacerdote) estaria puro ao entrar no santuário e realizar o ritual para
purificá-lo.
1.2. A oferta de purificação do bode "para o
Senhor" (Lv 16:8). Durante o ano, as ofertas de purificação levavam todos
os pecados dos israelitas para o santuário. O Dia da Expiação era o momento de
remover esses pecados do santuário. Esse processo era feito mediante o sangue
do bode "para o Senhor".
1.3. O ritual da eliminação com o bode vivo para Azazel.
Deus queria afastar os pecados de Seu povo para longe do santuário e do
acampamento. Portanto, outro bode vivo era enviado ao deserto.
2. Leia Levítico 16:15. O que acontecia com o bode
mencionado nesse texto, e o que ele simbolizava?
Visto que não havia confissão do pecado nem imposição de
mãos envolvidas com o bode para o Senhor, seu sangue não era portador de
pecado. Assim, ele não contaminava, mas, em vez disso, purificava. O efeito é
claramente descrito nos versos 16 e 20. O sumo sacerdote fazia expiação com o
sangue do bode do Senhor, purificando todo o santuário. O mesmo procedimento
também efetuava a purificação do povo para que, quando o santuário fosse
purificado de todos os pecados das pessoas, elas também fossem purificadas.
Nesse sentido, o Dia da Expiação era único, pois somente nesse dia tanto o
santuário quanto o povo eram purificados.
O Dia da Expiação era a segunda etapa de uma expiação em
duas fases. Na primeira fase, durante o ano, os israelitas eram perdoados. Seus
pecados não eram apagados, mas confiados ao próprio Deus, que havia prometido
cuidar deles. A segunda fase não se relacionava tanto com o perdão, porque as
pessoas já estavam perdoadas. Na verdade, o verbo "perdoar" não
ocorre em Levítico 16 nem em Levítico 23:27-32. Isso nos mostra que o plano da
salvação lida com algo mais do que apenas o perdão dos nossos pecados, um ponto
que tem ainda mais sentido quando compreendido no contexto mais amplo do grande
conflito.
Comentário:
Além do perdão
3. Leia Levítico 16:32-34. Qual era a principal tarefa do
sumo sacerdote no Dia da Expiação?
A principal função do sumo sacerdote era a de servir de
mediador entre Deus e a humanidade. Sua tarefa no Dia da Expiação era imensa.
Administrava o sistema do Santuário e realizava diversos rituais de sacrifícios
e ofertas (Hb 8:3). Ele realizava quase todos os rituais, exceto o de levar o
bode para Azazel ao deserto, embora ele desse a ordem para fazer isso.
No Dia da Expiação, o "grande" sacerdote, como ele
também era chamado, se tornava um exemplo vivo de Cristo. Assim como a atenção
do povo de Deus se voltava para o sumo sacerdote, Jesus é o centro exclusivo de
nossa atenção. Como as atividades do sumo sacerdote na Terra traziam
purificação para as pessoas, igualmente a obra de Jesus no santuário celestial
faz o mesmo por nós (Rm 8:34; 1Jo 1:9). Assim como no Dia da Expiação a única
esperança do povo estava no sumo sacerdote, nossa única esperança está em Cristo.
"O sangue de Cristo, embora devesse livrar da
condenação da lei o pecador arrependido, não cancelaria o pecado; este ficaria
registrado no santuário até a expiação final; assim, no cerimonial típico, o
sangue da oferta pelo pecado removia do penitente o pecado, mas este permanecia
no santuário até o dia da expiação" (Ellen G. White, Patriarcas e
Profetas, p. 357).
De acordo com Levítico 16:16-20, o sumo sacerdote entrava no
lugar santíssimo e o purificava das impurezas rituais, transgressões e pecados.
Então, ele transferia todas as iniquidades, transgressões e pecados de Israel
para o bode vivo e os enviava, por meio do bode, para o deserto. Assim, todas
as falhas morais de Israel eram removidas, o que alcançava o único objetivo do
Dia da Expiação: a purificação moral que ia além do perdão. Não era necessário
um novo perdão nesse dia. Deus já havia perdoado seus pecados.
Enquanto lutamos para abandonar os pecados, como podemos
aprender a depender totalmente dos méritos de Cristo como nossa única esperança
de salvação?
Azazel
4. Leia Levítico 16:20-22. O que acontecia com o bode vivo?
O ritual com o bode vivo não era uma oferta. Depois que a
sorte era lançada para decidir qual dos dois bodes seria para o Senhor e qual
seria para Azazel (bode emissário; em inglês, o termo muitas vezes é traduzido
como scapegoat [bode expiatório]), apenas o bode para o Senhor é mencionado
como oferta de purificação (v. 9, 15). Por outro lado, o bode para Azazel é
chamado de "bode vivo". Ele não era morto, provavelmente para evitar
qualquer ideia de que o ritual constituísse um sacrifício. O bode vivo entrava
em ação somente depois que o sumo sacerdote terminava a expiação de todo o
santuário (v. 20). Este ponto deve ser enfatizado: o ritual que se seguia com o
bode vivo não tinha nada a ver com a efetiva purificação do santuário ou do
povo. Eles já tinham sido purificados.
Quem ou o que é Azazel? Os antigos intérpretes judeus
identificavam Azazel como o anjo caído, principal originador do mal e líder dos
anjos maus. Nós o conhecemos como símbolo do próprio Lúcifer.
O ritual com o bode vivo era um rito de eliminação que
realizava a remoção final dos pecados, que seriam colocados sobre o seu
originador e depois retirados do povo para sempre. A "expiação" era
feita sobre ele no sentido punitivo
(Lv 16:10), visto que o bode suportava a responsabilidade
final pelo pecado.
Então Satanás desempenha um papel em nossa salvação, como
alguns falsamente acusam que ensinamos? Claro que não! Satanás nunca, de
nenhuma forma, carrega o pecado por nós como substituto. Só Jesus fez isso, e é
uma blasfémia pensar que Satanás tivesse alguma parte em nossa redenção.
O ritual com o bode vivo encontra paralelo na lei da
testemunha falsa (Dt 19:16-21). O acusador e o acusado se apresentavam diante
do Senhor, representado pelos sacerdotes e juízes. Era realizada uma
investigação e, se fosse comprovado que o acusador era uma testemunha falsa,
ele devia receber a punição que pretendia para o inocente (por exemplo, o
perverso Hamã que levantou uma forca para o leal Mordecai).
Graças a Deus por Seu misericordioso perdão e pelo fato de
que Ele não mais Se lembrará dos nossos pecados (Jr 31:34). Como podemos
aprender a nos esquecermos dos nossos pecados, uma vez que eles estão
perdoados? Por que é tão importante fazer isso?
No Dia da Expiação
"Em tais condições, no ministério do tabernáculo e do
templo que mais tarde tomou seu lugar, ensinava-se ao povo cada dia as grandes
verdades relativas à morte e ministério de Cristo e, uma vez ao ano, sua mente
era transportada para os acontecimentos finais do grande conflito entre Cristo
e Satanás, e para a final purificação do Universo, de pecado e pecadores"
(Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 358).
5. Leia Levítico 16:29-31 e 23:27-32. O que Deus esperava
que os israelitas fizessem no Yom Kippur (Dia da Expiação)? Como esses
princípios se aplicam a nós, que vivemos no antitípico "Dia da
Expiação"?
Se alguém no antigo Israel não seguisse essas instruções,
devia ser eliminado e destruído (Lv 23:29, 30). O Dia da Expiação realmente
significava nada menos do que vida e morte. Ele exigia completa lealdade para
com Deus.
Imagine que alguém tivesse confessado seus pecados durante a
primeira fase da expiação ao longo do ano, ou seja, por meio dos sacrifícios
diários, mas não levasse a sério o Dia da Expiação. Por seu desrespeito ao que
Deus desejava demonstrar nesse dia, essa pessoa teria demonstrado sua
deslealdade para com o Senhor.
Isso significa que uma pessoa que professa fé em Deus ainda
pode perder a salvação. Como adventistas do sétimo dia, não acreditamos na
expressão "uma vez salvo, salvo para sempre", porque a Bíblia não
ensina isso. Estamos seguros em Cristo apenas enquanto vivemos pela fé e nos
entregamos a Ele, clamando por Seu poder para a vitória, quando tentados, e Seu
perdão, quando caímos.
O Yom Kippur de
Isaías
Em Isaías 6:1-6, o profeta viu o Rei celestial sentado em um
"alto e sublime" trono no templo. A visão é uma cena de juízo que
apresenta Deus como vindo para o julgamento (Is 5:16). Isaías viu o verdadeiro
Rei, identificado no Evangelho de João como Jesus Cristo (Jo 12:41).
Embora Isaías fosse profeta de Deus e chamasse as pessoas ao
arrependimento, entendia que, na presença de Deus, ele estava perdido.
Confrontado com a santidade e glória de Deus, Isaías percebeu sua própria
pecaminosidade e também a impureza de seu povo. Santidade e pecado são
incompatíveis. Como Isaías, precisamos chegar à conclusão de que não podemos
passar pelo juízo divino confiando em nós mesmos. Nossa única esperança é ter
um Substituto.
6. Que paralelos para
o Dia da Expiação aparecem em Isaías 6:1-6?
A combinação de um templo cheio de fumaça, um altar,
julgamento e expiação para o pecado e a impureza, lembra claramente o Dia da
Expiação. Isaías experimentou seu próprio "Dia da Expiação", por
assim dizer.
Atuando como sacerdote, um serafim (que literalmente
significa "aquele que arde") tomou uma brasa viva do altar, o que
pressupõe algum tipo de oferta, para remover o pecado do profeta. Essa é uma
imagem apropriada para a purificação do pecado, que é possível mediante o
sacrifício de Jesus e Seu ministério de mediação sacerdotal. Isaías reconheceu
isso como um ritual de purificação e se manteve quieto enquanto a brasa tocava
seus lábios. Assim a sua "iniquidade foi tirada" e seu pecado
perdoado (Is 6:7). A voz passiva no verso 7 mostra que o perdão é concedido por
Aquele que está sentado no trono. O Juiz também é o Salvador.
A divina obra de purificação nos leva do "ai de
mim!" para "eis-me aqui, envia-me a mim". Compreender a obra
celestial no Dia da Expiação leva à disposição para a proclamação, porque um
verdadeiro entendimento conduz à segurança e certeza. A razão disso é sabermos
que, no juízo, temos um Substituto, Jesus Cristo, cuja justiça (simbolizada
pelo sangue) nos permitirá ficar sem medo da condenação (Rm 8:1). Gratidão
motiva a missão. Pecadores absolvidos são os melhores embaixadores de Deus (2Co
5:18-20), porque eles sabem que Deus os libertou.
Estudo adicional
"Ocorre agora o acontecimento prefigurado na última e
solene cerimónia do Dia da Expiação. Quando se completava o ministério no lugar
santíssimo, e os pecados de Israel eram removidos do santuário em virtude do
sangue da oferta pelo pecado, o bode emissário era, então, apresentado vivo
perante o Senhor; e na presença da congregação o sumo sacerdote confessava
sobre ele "todas as iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas
transgressões, segundo todos os seus pecados", pondo-os sobre a cabeça do
bode (Lv 16:21, RC). Semelhantemente, ao completar-se a obra de expiação no
santuário celestial, na presença de Deus e dos anjos do Céu e da multidão dos
remidos, serão então postos sobre Satanás os pecados do povo de Deus. Ele será
declarado culpado de todo o mal que os fez cometer" (Ellen G. White, O
Grande Conflito, p. 658).
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