Cristo Nosso Sumo-Sacerdote
Texto bíblico:
"Ora, o essencial das coisas que temos dito é que
possuímos tal Sumo Sacerdote, que Se assentou à destra do trono da Majestade
nos Céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor
erigiu, não o homem" (Hb 8:1, 2)
Depois de Sua ressurreição e ascensão ao santuário
celestial, Cristo entrou em uma nova fase do plano da redenção (Hb 2:17). Com o
cumprimento do indispensável requisito de Seu sacrifício, Ele foi empossado
como sacerdote e começou Seu ministério sacerdotal intercedendo, com base em
Seu sacrifício perfeito, em favor das pessoas cobertas por Seu sangue, mediante
a fé. Seu ministério sacerdotal consiste em duas fases, ambas prefiguradas no
santuário terrestre por meio do ministério diário e do ministério anual durante
o Dia da Expiação.
Nesta semana, estudaremos a obra de Jesus durante Seu
ministério diário e veremos alguns desdobramentos práticos de Sua obra em
relação a nós. Podemos, de fato, encontrar grande conforto em saber que Jesus
agora está na presença de Deus, aplicando em nosso favor os méritos de Seu
sacrifício. A mensagem do santuário oferece esperança e encorajamento até mesmo
ao mais fraco de Seus seguidores.
Nosso Sumo-Sacerdote
O livro do Novo Testamento que mais fala a respeito de
Cristo como sacerdote é o de Hebreus. A espinha dorsal de Hebreus no Antigo
Testamento consiste em dois versos citados do Salmo 110. O verso 1 é citado
para confirmar que Cristo é exaltado acima de tudo, porque Ele sentou-Se à
direita de Deus. Esse é um tema recorrente em Hebreus, que enfatiza a divindade
e messianidade de Jesus (Hb 1:3; 4:14; 7:26; 8:1; 12:2). O verso 4 do Salmo 110
é usado para demonstrar que o sacerdócio de Cristo foi prefigurado por
Melquisedeque (Hb 5:6).
1. De que forma Cristo cumpre o sacerdócio divinamente
prometido, segundo a ordem de Melquisedeque? Compare Gn 14:18-20, Sl 110:4 e Hb
7:1-3
A Bíblia não apresenta muita informação sobre Melquisedeque.
No entanto, o que ela revela mostra notáveis semelhanças com relação a Jesus.
Melquisedeque é o rei da cidade de Salém (Salém significa "paz".
Então ele é o "Rei da Paz"). Seu nome significa "Rei da
Justiça", o que fala de seu caráter. Ele é separado da História, uma vez
que sua linhagem familiar não é dada; seu nascimento e morte não são
mencionados, por isso, parece que ele não teve início nem fim; ele é
"sacerdote do Deus Altíssimo". O sacerdócio de Melquisedeque é
superior ao sacerdócio levítico, porque por meio de Abraão, Levi deu o dízimo a
Melquisedeque (Hb 7:4-10). Melquisedeque, portanto, é um tipo de Cristo.
Porém, Cristo é ainda mais. Arão foi o primeiro sumo-sacerdote
em Israel. Hebreus 5:1-4 descreve o ofício sumo sacerdotal aarónico idealizado:
nomeação divina, representante dos homens, mediação diante de Deus, compassivo
e oferecimento de sacrifícios pelo povo e por si mesmo.
O livro de Hebreus retrata Cristo como o novo Sumo-Sacerdote.
Ele é de uma ordem melhor até mesmo que a de Arão; Ele não apenas cumpriu os
requisitos do sacerdócio aarónico, mas os ampliou. Jesus não tinha pecado, foi
plenamente obediente e não precisou trazer uma oferta por Si mesmo. Ao
contrário, Ele mesmo foi a oferta, tendo sido a mais perfeita oferta possível.
Jesus cumpriu tanto o sumo sacerdócio aarónico quanto o sumo
sacerdócio de Melquisedeque, de maneira melhor que qualquer um desses
sacerdotes, ou sacerdócios, fez ou poderia fazer. Ambos os tipos encontraram
seu antítipo em Cristo.
Advogado e
Intercessor
2. Que grande esperança e promessa encontramos em Romanos
8:31-34?
O pano de fundo dos versos 31-34 é uma cena de tribunal em
que devemos visualizar a nós mesmos sendo julgados. Perguntas são feitas:
"Quem será contra nós?" "Quem intentará acusação contra os
eleitos de Deus?" "Quem os condenará?" Tal situação poderia
facilmente provocar arrepios em nós. Afinal, não estamos bem conscientes da
nossa imperfeição humana e pecaminosidade?
Porém, não precisamos temer. A promessa de que nada nem
ninguém pode nos separar do amor de Deus se centraliza em vários pontos
importantes: "Deus é por nós" (v. 31), Deus entregou Seu Filho por
nós (v. 32), Deus nos dá graciosamente todas as coisas (v. 32) e Deus nos
justifica (v. 33). Jesus Cristo está do nosso lado. Ele é a resposta ao medo da
condenação, pois morreu, ressuscitou, e agora está continuamente intercedendo
por nós à direita de Deus, no santuário celestial (v. 34).
Se Alguém chegou ao ponto de morrer voluntariamente por nós,
devemos confiar em Seu amor. A certeza revelada em Romanos 8:31-39 realmente
fala sobre o tipo de Deus em quem acreditamos. Se entendermos que Deus nos ama
de tal maneira que nada pode frustrar Seus propósitos para nós (v. 35-39), o
tribunal divino se tornará um lugar de alegria e júbilo.
Essa verdade se torna ainda mais clara em 1 João 2:1, 2. A
palavra grega parakletos indica um assessor jurídico ou advogado, alguém que
aparece em favor de outro como "intercessor". Jesus é nosso Advogado
e nos defende porque, de outro modo, não teríamos esperança.
Nosso advogado é "justo", o que nos dá a certeza
de que o Pai ouvirá a intercessão de Cristo, porque Ele não poderia fazer nada
que pudesse ser rejeitado por Seu justo Pai. Cristo intercede pelos que
pecaram: Aquele que não tem pecado Se apresenta como o Justo que os representa.
Como você pode experimentar mais a verdade maravilhosa de
que nada vai separá-lo do amor de Deus? Como você pode usar essa certeza como
incentivo para viver de acordo com a vontade de Deus?
Mediador
3. "O qual deseja que todos os homens sejam salvos e
cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Porquanto há um só Deus e um só
Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, Homem, o qual a Si mesmo Se deu
em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos"
(1Tm 2:4-6). De acordo com esses versos, o que Cristo está fazendo por nós no
Céu?
Cristo é chamado de único Mediador entre Deus e os homens.
Não existe nenhum outro porque, na verdade, ninguém mais é necessário. Por meio
da obra de Cristo como Mediador, salvação e conhecimento da verdade são
disponíveis a todos (1Tm 2:4). A questão fundamental para todos nós é se
aproveitaremos o que Cristo nos ofereceu, independentemente de nosso estatuto,
etnia, caráter ou ações passadas.
"Mediador" é um termo do antigo mundo comercial e
jurídico da Grécia. Ele descreve alguém que negocia ou atua como árbitro entre
duas partes, para remover uma discórdia ou para alcançar um objetivo comum, a
fim de estabelecer um contrato ou aliança.
Em Hebreus, Cristo como Mediador está ligado à nova aliança
(Hb 8:6; 9:15; 12:24). Ele fez a reconciliação. Embora o pecado tivesse
destruído a íntima comunhão entre a humanidade e Deus, o que poderia ter levado
à destruição da humanidade, Cristo veio ao mundo e restaurou a conexão. Isso é
reconciliação. Somente Ele é o elo entre Deus e a humanidade. Por meio desse
elo podemos desfrutar pleno relacionamento de aliança com o Senhor.
A referência de Paulo a Ele como "Cristo Jesus,
homem" expressa Sua qualidade única de ser tanto humano quanto divino (1Tm
2:5). Salvação e mediação estão ancoradas precisamente na humanidade de Jesus e
na voluntária oferta de Si mesmo. Por ser, ao mesmo tempo, Deus e homem, Jesus
é capaz de ligar o Céu e a Terra com laços que nunca podem ser rompidos.
"Jesus Cristo veio ao mundo para que pudesse unir o
homem finito com o infinito Deus, e conectar a Terra com o Céu, que, pelo
pecado e transgressão se haviam divorciado" (Ellen G. White, Sermons and
Talks, v. 1, p. 253 [Sermões e Palestras, v. 1, p. 253]).
Pense nisto: há um Ser divino-humano no Céu, agora,
intercedendo em seu favor. O que isso diz sobre seu valor aos olhos de Deus?
Como essa verdade deve impactar sua maneira de viver e tratar os outros?
O grande Sumo-Sacerdote
4. O que os textos a seguir revelam sobre o ministério de
Cristo como Sumo-Sacerdote? Hb 2:17, 18; 3:6; 4:14, 15; 7:24-28; 8:1-3
Jesus é o "grande Sumo-Sacerdote" (Hb 4:14). Ele é
superior a todos os Sumos-sacerdotes e governantes da Terra. A Bíblia atribui
uma série de qualidades a Jesus como grande Sumo-Sacerdote:
Misericordioso e fiel (Hb 2:17). Essas duas características
se harmonizam com o papel de Cristo como Mediador, pois Ele nos concede Seus
dons ("misericordioso") e é leal a Seu Pai e a nós
("fiel").
Ele Se compadece das nossas fraquezas (Hb 2:18; 5:2, 7). Uma
vez que Ele viveu como ser humano, podemos crer que Ele é um compassivo e
perfeito Ajudador. No entanto, Ele não está na mesma situação em que nós
estamos, porque é "sem pecado" (Hb 4:15).
Ele está acima de nós. Como Sumo Sacerdote, Jesus não está
na comunidade dos cristãos, como Moisés esteve entre os israelitas. Ele está
acima de nós, como um Filho que preside a casa de Seu Pai (Hb 3:6). Cristo
desfruta de plena autoridade entre os santos.
Ele foi tentado como nós somos. A origem divina de Jesus não
Lhe deu direitos exclusivos. Ele foi tentado à nossa semelhança (Hb 4:15). As
tentações escolhidas no deserto da Judeia mostram que Ele foi tentado nas
dimensões física, mental e espiritual (Mt 4:1-11).
Ele intercede por nós. Cristo comparece "por nós"
no santuário celestial, na presença de Deus (Hb 9:24; Hb 7:25). Graças a Deus
que temos um Representante divino para Se apresentar no julgamento em nosso
lugar.
Jesus está no Céu "por nós". O que significa isso?
Que certeza e segurança você encontra nessa maravilhosa verdade?
O Único Sacrifício
Como vimos, um propósito essencial do ritual do santuário
terrestre era revelar, por meio de símbolos, tipos, e profecias em miniatura, a
morte e ministério sumo sacerdotal de Jesus. O pecado é algo terrível demais
para ser resolvido meramente com a morte de animais (por mais tristes e
infelizes que essas mortes tenham sido). Em vez disso, todo aquele sangue
derramado devia apontar para a única solução para o pecado, a morte do próprio
Jesus. O pecado é, na verdade, tão perverso que foi necessária a morte dAquele
que era igual a Deus (Fp 2:6), a fim de expiar o pecado.
5. Leia Hebreus
10:1-14. Como essa passagem contrasta a função e obra do ritual do
santuário terrestre com a morte e ministério sumo sacerdotal de Jesus?
Muitas verdades cruciais ressoam desse texto. Umas das mais
importantes é que a morte de todos aqueles animais não foi suficiente para
resolver o problema do pecado: "É impossível que o sangue de touros e de
bodes remova pecados" (Hb 10:4). Eles apenas apontavam para a solução, mas
não eram a solução. A solução era Jesus, Sua morte e Seu ministério no
santuário celestial em nosso favor.
Observe outro ponto crucial nesse texto: a suficiência total
da morte de Cristo. Embora os sacrifícios de animais tivessem que ser repetidos
muitas vezes, dia após dia, ano após ano, o sacrifício único de Jesus foi
suficiente (afinal, considere quem foi sacrificado!) para expiar os pecados de
toda a humanidade. Deus revelou poderosamente essa verdade fundamental quando o
véu interior do santuário terrestre foi rasgado de modo sobrenatural, após a
morte de Jesus (Mt 27:51).
Considere os danos, a dor, a perda, o medo e o desespero
causados pelo pecado. Como podemos aprender no dia-a-dia, momento a momento, a
nos apegarmos a Jesus como única solução para o problema do pecado em nossa
vida?
Estudo adicional
Leia no SDA Bible Commentary [Comentário Bíblico
Adventista], v. 7A, Apêndice C, p. 680-692: "The Atonement, Part II –
High-Priestly Application of Atoning Sacrifice" [A Expiação, Parte II –
Aplicação Sumo Sacerdotal do Sacrifício Expiatório].
"Afaste-se da voz de Satanás, deixe de fazer sua
vontade, e permaneça ao lado de Jesus, mantendo os atributos de Jesus, o
Possuidor de ternas e finas sensibilidades, que pode tornar Sua própria a causa
dos aflitos e sofredores. O homem que muito foi perdoado, amará muito. Jesus é
o Intercessor compassivo, misericordioso e fiel Sumo Sacerdote. Ele, a
Majestade do Céu, o Rei da glória, pode olhar para o homem finito, sujeito às
tentações de Satanás, sabendo que sentiu o poder das artimanhas de
Satanás" (Ellen G. White, Christian Education [Educação Cristã], p. 160).
"A consciência pode ser libertada da condenação. Pela
fé em Seu sangue, todos podem ser aperfeiçoados em Cristo Jesus. Graças a Deus
por não estarmos lidando com impossibilidades. Podemos pretender santificação.
Podemos fruir o favor de Deus. Não devemos estar ansiosos acerca do que Cristo
e Deus pensam de nós, mas do que Deus pensa de Cristo, nosso Substituto"
(Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 32, 33).
Perguntas para
reflexão
1. Leia Hebreus 2:17. Por que foi necessário que Jesus Se
tornasse humano e sofresse antes que Se tornasse nosso Sumo-Sacerdote?
2. Pense nas seguintes palavras: "Não devemos estar
ansiosos acerca do que Cristo e Deus pensam de nós, mas do que Deus pensa de
Cristo, nosso Substituto." Como isso nos ajuda a entender o conceito de
ser aperfeiçoado "em Cristo Jesus"?
3. Nosso Sumo-Sacerdote, Jesus Cristo, é a certeza da nossa
salvação. Ele aplica os efeitos e benefícios de Seu sacrifício e sangue. Com
Ele ao nosso lado, não temos nada a temer. Como podemos tomar essas verdades
maravilhosas, expressas no livro de Hebreus, e aplicá-las a nós mesmos,
especialmente em momentos de tentação?
4. O livro de Hebreus diz claramente que o sacrifício de
Jesus, de "uma vez por todas" (Hb 9:26), foi tudo o que era
necessário para resolver o problema do pecado. O que isso deve nos dizer sobre
qualquer prática religiosa que pretenda repetir esse sacrifício tendo em vista
o perdão dos pecados?
Cristo, Nosso Sacrifício
A obra da redenção não foi um pensamento posterior na mente
de Deus, nem uma improvisação, um plano B, resultante de uma surpresa
introduzida pelo pecado e suas consequências. Ao contrário, o plano divino para
a salvação da humanidade foi formulado antes da fundação do mundo. O vidente de
Patmos se refere ao “Cordeiro que foi morto, desde a fundação do mundo” (Ap
13:8). Um aspecto central na obra da redenção é o sofrimento e morte de Jesus.
Por essa razão, afirma-se que, no coração da religião cristã, encontra-se uma
cruz. Sobre essa cruz, Deus lidou com o problema introduzido pelo pecado e
realizou a salvação do pecador.
Historicamente, a cruz se situa no tempo há uns dois mil
anos. Entretanto, podemos dizer que essa cruz, antes de ser erguida no
Calvário, foi planeada no coração de Deus desde a fundação do mundo.
Devido à sua importância, é extremamente perigoso o
pensamento de que a morte de Jesus não seja substitutiva. Alguns consideram o
pensamento da substituição como irrelevante, ou muito violento, ou mesmo
insuficiente.
Mas qual é o conceito bíblico? Isto é o que estudaremos
nesta semana.
Jesus em Isaías 53
Alguns autores consideram o texto de Isaías 52:13-53:12 como
o mais importante do Antigo Testamento. Independentemente da importância que
lhe é atribuída, ele é o mais citado/aludido no Novo Testamento, visto ser uma
das mais completas descrições da obra redentora do Messias. Com ela se
anunciava, sem margem para dúvidas, que a única solução para o problema
introduzido pelo pecado seria a obra do Servo do Senhor.
Isaías 53 fala de rejeição: o Servo foi rejeitado enquanto
viveu (53:1-3). E o clímax da rejeição ocorreu na morte do Servo (53:4-9). Por
que morreu? Que significado tem Sua morte? Ele morreu em nosso lugar, como
nosso Substituto. Sua obra foi em nosso favor. Não morreu por causa de Seus
pecados, visto que não pecou, e sim, por causa dos nossos. Teologicamente, foi
uma morte expiatória e uma expiação vicária.
A morte do Servo foi iniciativa divina, evidência de Sua
graça, livremente estendida ao pecador. No verso 6 lemos que “o Senhor fez cair
sobre Ele a iniquidade de todos nós”, uma linguagem que nos remete a Levítico
16.
O verso 7 declara que o Servo foi levado como um
Cordeiro ao matadouro. O cordeiro era o
animal mais representativo do sistema sacrifical. Mas aqui estava o verdadeiro
Cordeiro, “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29). Ao ser
sacrificado, o Messias cumpriu todo o simbolismo dos sacrifícios levíticos,
tornando-os desnecessários.
Resumindo a obra realizada pelo Servo sofredor, Ele
purificou, carregou as enfermidades, assumiu as dores, o castigo Lhe foi
imposto, Seus ferimentos trouxeram a cura, Ele ofereceu a vida em expiação, Ele
justificou, entregou-Se à morte e intercedeu pelos outros. Mas o Servo não
permaneceria morto. Voltaria a viver. Seria exaltado (52:13) e ficaria
satisfeito ao ver que não morrera em vão. Muitos seriam justificados em virtude
de Seu sacrifício expiatório.
Essa descrição profética da morte sacrifical de Cristo foi
oferecida por Isaías como a única forma eficaz para a expiação do pecado.
Cristo Se tornou o que nós somos para que fôssemos restaurados à comunhão com
Deus.
Para reflexão: Pense na grandeza da obra de Cristo realizada
na cruz do Calvário em seu favor. A obra foi definitiva. Não é necessário
repetir-se. Que resposta você tem dado a essa manifestação da graça infinita?
Foi por você. Aceite a oferta! O caminho da salvação está aberto. O Messias o
espera.
Substituição
suficiente
Todo o sistema de ofertas do Antigo Testamento apontava para
a morte substitutiva de Jesus. Ele foi a oferta final pelos pecados da humanidade.
Não havia outra saída. A salvação se fundamenta no sacrifício único de Jesus. O
caminho para a glória passa pelo Calvário. A paixão precede a glória. Não
existe glória sem paixão. A cruz precede a coroa. O clamor de Jesus no Getsémani,
pedindo ao Pai que, se possível, passasse o cálice adiante, revela de forma
inequívoca que o caminho da cruz não podia ser evitado, caso o plano da
salvação devesse ser concretizado.
Paulo desenvolveu essa ideia no capítulo 2 de Hebreus. De
Seu exaltado estatuto (Hb 1:5-14), recebendo a adoração e o serviço dos anjos,
Jesus Se tornou temporariamente inferior a tais seres celestiais. De que forma?
Tornando-Se homem e sendo posto à morte. Ele “provou” a morte por, em favor de,
e em lugar de, todos os homens. A expressão “provar a morte” descreve
graficamente “a realidade difícil e dolorosa de morrer que é experimentada pelo
homem e que foi sofrida também por Jesus.” A amargura da morte experimentada
“não foi a de um nobre mártir aspirando a um status de santidade, mas como o
Salvador, sem pecado, que morreu para libertar os pecadores da maldição da
morte espiritual”. O Calvário é o caminho para a reconciliação entre o homem
pecador e o Deus santo. Assim, o Calvário, longe de ser uma derrota, é uma
estrondosa vitória. Embora, historicamente, a cruz tenha sido o ponto mais
baixo na carreira de Jesus, paradoxalmente foi também o mais elevado.
Contextualmente, o sofrimento e a morte de Jesus pavimentam o caminho para a
glória. Humilhação e exaltação funcionam como dois aspectos complementares de
uma única obra. A expressão “coroado de glória e de honra” (v. 9) relembra a
investidura de Aarão como sumo sacerdote (Êx 28:2, 40), o que antecipa o
argumento posterior de que Jesus é nosso Sumo Sacerdote.
O sangue de Cristo
O dilema humano presente na carta aos hebreus é a
contaminação, e o agente para efetuar a purificação é o sangue. Porém, não o
sangue de touros e bodes, que pode até realizar uma purificação exterior ou
cerimonial, mas não tem o poder de purificar a consciência. O apóstolo
apresenta um tipo de sangue superior, o sangue do próprio Cristo. Em muitas
ocasiões, o autor destaca a superioridade do sangue de Cristo em relação ao
sistema ritual do santuário, com seus repetidos sacrifícios de animais e
consequente derramamento de sangue.
Enquanto o sumo sacerdote entrava no lugar santíssimo do
santuário terrestre, com sangue de animais, apenas uma vez ao ano – acesso
limitado –, Cristo entrou com Seu próprio sangue no santuário celestial para
sempre – acesso ilimitado. A obra de Cristo em Hebreus é enfatizada por meio
das repetidas referências a Seu sangue, que assegura o perdão a quem O aceitar.
Seu sangue, sendo superior, foi derramado uma vez para sempre para purificar os
pecados. Seu sangue nos aperfeiçoa e nos torna santos. Naturalmente, não se
trata do sangue de Cristo em si, mas da ação de Se oferecer a Deus como um
sacrifício sem mácula (9:14) e os resultados positivos para aqueles que se
apropriam de Sua oferta de perdão e purificação.
Para reflexão: Temos
permitido que o sangue salvífico de
Cristo realize, com todo o seu poder, tudo aquilo que é capaz de fazer em nossa
vida? Seu poder purificador tem atingido cada área de nossa vida, ou temos
limitado seu acesso e assim conservado algum “pecado acariciado”?
Sacrifício imaculado
A lei ordenava que o animal oferecido em sacrifício no
santuário devia ser perfeito. A razão para isto é que ele simbolizava a Cristo,
a oferta sacrifical por excelência. O apóstolo Pedro deixou isso bem claro
quando afirmou que fomos resgatados pelo “precioso sangue, como de Cordeiro sem
defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1Pe 1:18, 19). Não é possível ao
homem oferecer alguma coisa por si mesmo, visto que é naturalmente imperfeito.
Somente o Substituto celestial pode expiar os pecados da humanidade. Ao homem
compete apenas aceitar a oferta graciosamente oferecida pelo Céu em seu favor.
Jesus Cristo é a oferta perfeita: “santo, inculpável, sem
mácula, separado dos pecadores” (Hb 7:26). Embora tenha sido tentado em todas
as coisas, Jesus nunca cedeu à tentação. Era sem pecado e não cometeu pecado
algum. A expressão “a Si mesmo Se ofereceu sem mácula a Deus” (9:14) indica
porque o sacrifício de Cristo é “absoluto e final.” Ao qualificar Cristo como
“sem mácula” (ámomon - ἄμωμον) o autor nos remete aos sacrifícios realizados no
santuário. Esse termo denota a ausência de defeitos no animal sacrifical (Nm
6:14; 19:2). Com isso é enfatizada a perfeição do sacrifício de Cristo. Jesus é
não apenas o Sumo Sacerdote sem pecado (4:15; 7:26), como também a vítima “sem
mácula”. A oferta de Si mesmo a Deus, sem mácula, foi a culminação de uma vida
de perfeita obediência (5:8-9; 10:5-10).
Para reflexão:
Como professo seguidor de Cristo, entendo o chamado para ser santo e
irrepreensível (Ef 1:4)? O que está faltando em minha vida para que se realize
em mim o propósito de Deus?
Um grande perigo
Paulo demonstrou a superioridade de Jesus mediante
diferentes comparações, exaltou a suficiência de Seu sacrifício, de Seu sangue
que purifica nossa consciência, assegurando-nos uma santa ousadia para entrar à
presença de Deus. Entretanto, em alguns pontos ele apresenta advertências que
vão se tornando progressivamente mais sérias, e que merecem nossa profunda
consideração.
Em primeiro lugar, ele advertiu contra o perigo de abandonar
a verdade (Hb 2:1-4). A seguir, advertiu acerca do perigo de não entrar em Seu
repouso por causa da dureza do coração (3:8-11). Depois, há o perigo de não
alcançar a maturidade espiritual, caindo pelo caminho, após tudo o que alguém
experimentou na vida cristã, e não mais ser levado ao arrependimento (6:4, 5).
O resultado disto é uma expectativa aterradora de juízo e do fogo que consome
os inimigos de Deus (10:27). Viver deliberadamente em pecado após alcançar o
conhecimento da verdade é algo muito sério (10:26). Com isso é novamente
crucificado o Filho de Deus e exposto à ignomínia (6:6). É calcar aos pés o
Filho de Deus e profanar o sangue da aliança e ultrajar o Espírito da graça
(10:29). Esse é um tipo de apostasia que pode levar a pessoa a rejeitar
definitivamente a Cristo.
Como exposto na lição, “poucos cristãos rejeitariam
abertamente o sacrifício de Cristo, ou mesmo pensariam em algo semelhante”. O
perigo é que sutilmente podemos assumir uma posição com respeito às realidades
espirituais que termine em completa apostasia. Por isso, é necessário que
estejamos atentos a nós mesmos, à nossa vida espiritual, aos exercícios
espirituais – comunhão, relacionamento e missão.
Para reflexão: De
alguma forma sutil, estaríamos nós abandonando as verdades da salvação? A fé
entregue aos santos? O que podemos fazer para renovar nossa fidelidade a
Cristo?
Conclusão
Jesus morreu em meu lugar. Ele é meu Substituto. Pagou
com sangue o preço da minha salvação.
Por que, então, muitas vezes me encontro negociando com Deus o tipo de
discipulado que desejo oferecer-Lhe? Não entendo que, agindo assim, estou
amesquinhando a morte de Cristo? Por que é tão difícil para mim, pecador,
entregar-me completamente a Cristo? O que posso fazer?
Para mais informações, ver Millard J. Erickson, Christian
Theology, 2ª ed. (Grand Rapids, MI: Baker, 2004 [7ª impressão]), 818-840; Raoul
Dederen, ed., Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia (Tatuí, SP: CPB,
2011), 193-205.
Gerhard von Rad, Teologia do Antigo Testamento (São Paulo:
ASTE, 1974), v. 2, p. 248.
Para uma análise do significado da preposição hyper, usada
em Hebreus 2:9, ver Erickson, p. 831.
Johannes
Behm, Theological Dictionary of the New Testament, v. 1, p. 677.
S. J.
Kistemaker & W. Hendriksen, New
Testament Commentary: Exposition of Hebrews (Grand Rapids: Baker Book House,
1953-2001), v. 15, p. 67.
W. L. Lane,
Word Biblical Commentary: Hebrews 9-13 (Dallas: Word, Incorporated, 2002), v.
47B, p. 239.
O Dia da Expiação
Verso Principal:
"Quem, ó Deus, é semelhante a Ti, que perdoas a
iniquidade e Te esqueces da transgressão do restante da Tua herança? O Senhor
não retém a Sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Tornará a
ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades e lançará todos os
nossos pecados nas profundezas do mar" (Mq 7:18, 19).
O Dia da Expiação, ou Yom Kippur, conforme revelado em
Levítico 16, é o ritual mais solene do Antigo Testamento. Ele foi
intencionalmente colocado no centro do livro de Levítico, que está no centro
dos cinco livros de Moisés, para ilustrar o "santíssimo" caráter
desse ritual. Mencionado também como o sábado dos sábados (Lv 16:31,
International Standard Version), o dia requeria a cessação de todo trabalho, o
que é único para um festival israelita anual. Esse fato coloca esse dia
justamente dentro do conceito do sábado, um tempo para descansar no que Deus,
como Criador e Redentor, fez (e fará) por nós.
A purificação anual
1. Leia Levítico 16:16, 30. O que era purificado no Dia da
Expiação?
Ao longo do ano, todos os tipos de pecados e impurezas
rituais eram transferidos para o santuário. O Dia da Expiação era o tempo para
sua remoção. Havia três partes principais no Dia da Expiação:
1.1. A oferta da purificação pelo sacerdote. O sumo
sacerdote sacrificava um novilho por seus pecados, certificando-se de que ele
(o sacerdote) estaria puro ao entrar no santuário e realizar o ritual para
purificá-lo.
1.2. A oferta de purificação do bode "para o
Senhor" (Lv 16:8). Durante o ano, as ofertas de purificação levavam todos
os pecados dos israelitas para o santuário. O Dia da Expiação era o momento de
remover esses pecados do santuário. Esse processo era feito mediante o sangue
do bode "para o Senhor".
1.3. O ritual da eliminação com o bode vivo para Azazel.
Deus queria afastar os pecados de Seu povo para longe do santuário e do
acampamento. Portanto, outro bode vivo era enviado ao deserto.
2. Leia Levítico 16:15. O que acontecia com o bode
mencionado nesse texto, e o que ele simbolizava?
Visto que não havia confissão do pecado nem imposição de
mãos envolvidas com o bode para o Senhor, seu sangue não era portador de
pecado. Assim, ele não contaminava, mas, em vez disso, purificava. O efeito é
claramente descrito nos versos 16 e 20. O sumo sacerdote fazia expiação com o
sangue do bode do Senhor, purificando todo o santuário. O mesmo procedimento
também efetuava a purificação do povo para que, quando o santuário fosse
purificado de todos os pecados das pessoas, elas também fossem purificadas.
Nesse sentido, o Dia da Expiação era único, pois somente nesse dia tanto o
santuário quanto o povo eram purificados.
O Dia da Expiação era a segunda etapa de uma expiação em
duas fases. Na primeira fase, durante o ano, os israelitas eram perdoados. Seus
pecados não eram apagados, mas confiados ao próprio Deus, que havia prometido
cuidar deles. A segunda fase não se relacionava tanto com o perdão, porque as
pessoas já estavam perdoadas. Na verdade, o verbo "perdoar" não
ocorre em Levítico 16 nem em Levítico 23:27-32. Isso nos mostra que o plano da
salvação lida com algo mais do que apenas o perdão dos nossos pecados, um ponto
que tem ainda mais sentido quando compreendido no contexto mais amplo do grande
conflito.
Comentário:
Além do perdão
3. Leia Levítico 16:32-34. Qual era a principal tarefa do
sumo sacerdote no Dia da Expiação?
A principal função do sumo sacerdote era a de servir de
mediador entre Deus e a humanidade. Sua tarefa no Dia da Expiação era imensa.
Administrava o sistema do Santuário e realizava diversos rituais de sacrifícios
e ofertas (Hb 8:3). Ele realizava quase todos os rituais, exceto o de levar o
bode para Azazel ao deserto, embora ele desse a ordem para fazer isso.
No Dia da Expiação, o "grande" sacerdote, como ele
também era chamado, se tornava um exemplo vivo de Cristo. Assim como a atenção
do povo de Deus se voltava para o sumo sacerdote, Jesus é o centro exclusivo de
nossa atenção. Como as atividades do sumo sacerdote na Terra traziam
purificação para as pessoas, igualmente a obra de Jesus no santuário celestial
faz o mesmo por nós (Rm 8:34; 1Jo 1:9). Assim como no Dia da Expiação a única
esperança do povo estava no sumo sacerdote, nossa única esperança está em Cristo.
"O sangue de Cristo, embora devesse livrar da
condenação da lei o pecador arrependido, não cancelaria o pecado; este ficaria
registrado no santuário até a expiação final; assim, no cerimonial típico, o
sangue da oferta pelo pecado removia do penitente o pecado, mas este permanecia
no santuário até o dia da expiação" (Ellen G. White, Patriarcas e
Profetas, p. 357).
De acordo com Levítico 16:16-20, o sumo sacerdote entrava no
lugar santíssimo e o purificava das impurezas rituais, transgressões e pecados.
Então, ele transferia todas as iniquidades, transgressões e pecados de Israel
para o bode vivo e os enviava, por meio do bode, para o deserto. Assim, todas
as falhas morais de Israel eram removidas, o que alcançava o único objetivo do
Dia da Expiação: a purificação moral que ia além do perdão. Não era necessário
um novo perdão nesse dia. Deus já havia perdoado seus pecados.
Enquanto lutamos para abandonar os pecados, como podemos
aprender a depender totalmente dos méritos de Cristo como nossa única esperança
de salvação?
Azazel
4. Leia Levítico 16:20-22. O que acontecia com o bode vivo?
O ritual com o bode vivo não era uma oferta. Depois que a
sorte era lançada para decidir qual dos dois bodes seria para o Senhor e qual
seria para Azazel (bode emissário; em inglês, o termo muitas vezes é traduzido
como scapegoat [bode expiatório]), apenas o bode para o Senhor é mencionado
como oferta de purificação (v. 9, 15). Por outro lado, o bode para Azazel é
chamado de "bode vivo". Ele não era morto, provavelmente para evitar
qualquer ideia de que o ritual constituísse um sacrifício. O bode vivo entrava
em ação somente depois que o sumo sacerdote terminava a expiação de todo o
santuário (v. 20). Este ponto deve ser enfatizado: o ritual que se seguia com o
bode vivo não tinha nada a ver com a efetiva purificação do santuário ou do
povo. Eles já tinham sido purificados.
Quem ou o que é Azazel? Os antigos intérpretes judeus
identificavam Azazel como o anjo caído, principal originador do mal e líder dos
anjos maus. Nós o conhecemos como símbolo do próprio Lúcifer.
O ritual com o bode vivo era um rito de eliminação que
realizava a remoção final dos pecados, que seriam colocados sobre o seu
originador e depois retirados do povo para sempre. A "expiação" era
feita sobre ele no sentido punitivo
(Lv 16:10), visto que o bode suportava a responsabilidade
final pelo pecado.
Então Satanás desempenha um papel em nossa salvação, como
alguns falsamente acusam que ensinamos? Claro que não! Satanás nunca, de
nenhuma forma, carrega o pecado por nós como substituto. Só Jesus fez isso, e é
uma blasfémia pensar que Satanás tivesse alguma parte em nossa redenção.
O ritual com o bode vivo encontra paralelo na lei da
testemunha falsa (Dt 19:16-21). O acusador e o acusado se apresentavam diante
do Senhor, representado pelos sacerdotes e juízes. Era realizada uma
investigação e, se fosse comprovado que o acusador era uma testemunha falsa,
ele devia receber a punição que pretendia para o inocente (por exemplo, o
perverso Hamã que levantou uma forca para o leal Mordecai).
Graças a Deus por Seu misericordioso perdão e pelo fato de
que Ele não mais Se lembrará dos nossos pecados (Jr 31:34). Como podemos
aprender a nos esquecermos dos nossos pecados, uma vez que eles estão
perdoados? Por que é tão importante fazer isso?
No Dia da Expiação
"Em tais condições, no ministério do tabernáculo e do
templo que mais tarde tomou seu lugar, ensinava-se ao povo cada dia as grandes
verdades relativas à morte e ministério de Cristo e, uma vez ao ano, sua mente
era transportada para os acontecimentos finais do grande conflito entre Cristo
e Satanás, e para a final purificação do Universo, de pecado e pecadores"
(Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 358).
5. Leia Levítico 16:29-31 e 23:27-32. O que Deus esperava
que os israelitas fizessem no Yom Kippur (Dia da Expiação)? Como esses
princípios se aplicam a nós, que vivemos no antitípico "Dia da
Expiação"?
Se alguém no antigo Israel não seguisse essas instruções,
devia ser eliminado e destruído (Lv 23:29, 30). O Dia da Expiação realmente
significava nada menos do que vida e morte. Ele exigia completa lealdade para
com Deus.
Imagine que alguém tivesse confessado seus pecados durante a
primeira fase da expiação ao longo do ano, ou seja, por meio dos sacrifícios
diários, mas não levasse a sério o Dia da Expiação. Por seu desrespeito ao que
Deus desejava demonstrar nesse dia, essa pessoa teria demonstrado sua
deslealdade para com o Senhor.
Isso significa que uma pessoa que professa fé em Deus ainda
pode perder a salvação. Como adventistas do sétimo dia, não acreditamos na
expressão "uma vez salvo, salvo para sempre", porque a Bíblia não
ensina isso. Estamos seguros em Cristo apenas enquanto vivemos pela fé e nos
entregamos a Ele, clamando por Seu poder para a vitória, quando tentados, e Seu
perdão, quando caímos.
O Yom Kippur de
Isaías
Em Isaías 6:1-6, o profeta viu o Rei celestial sentado em um
"alto e sublime" trono no templo. A visão é uma cena de juízo que
apresenta Deus como vindo para o julgamento (Is 5:16). Isaías viu o verdadeiro
Rei, identificado no Evangelho de João como Jesus Cristo (Jo 12:41).
Embora Isaías fosse profeta de Deus e chamasse as pessoas ao
arrependimento, entendia que, na presença de Deus, ele estava perdido.
Confrontado com a santidade e glória de Deus, Isaías percebeu sua própria
pecaminosidade e também a impureza de seu povo. Santidade e pecado são
incompatíveis. Como Isaías, precisamos chegar à conclusão de que não podemos
passar pelo juízo divino confiando em nós mesmos. Nossa única esperança é ter
um Substituto.
6. Que paralelos para
o Dia da Expiação aparecem em Isaías 6:1-6?
A combinação de um templo cheio de fumaça, um altar,
julgamento e expiação para o pecado e a impureza, lembra claramente o Dia da
Expiação. Isaías experimentou seu próprio "Dia da Expiação", por
assim dizer.
Atuando como sacerdote, um serafim (que literalmente
significa "aquele que arde") tomou uma brasa viva do altar, o que
pressupõe algum tipo de oferta, para remover o pecado do profeta. Essa é uma
imagem apropriada para a purificação do pecado, que é possível mediante o
sacrifício de Jesus e Seu ministério de mediação sacerdotal. Isaías reconheceu
isso como um ritual de purificação e se manteve quieto enquanto a brasa tocava
seus lábios. Assim a sua "iniquidade foi tirada" e seu pecado
perdoado (Is 6:7). A voz passiva no verso 7 mostra que o perdão é concedido por
Aquele que está sentado no trono. O Juiz também é o Salvador.
A divina obra de purificação nos leva do "ai de
mim!" para "eis-me aqui, envia-me a mim". Compreender a obra
celestial no Dia da Expiação leva à disposição para a proclamação, porque um
verdadeiro entendimento conduz à segurança e certeza. A razão disso é sabermos
que, no juízo, temos um Substituto, Jesus Cristo, cuja justiça (simbolizada
pelo sangue) nos permitirá ficar sem medo da condenação (Rm 8:1). Gratidão
motiva a missão. Pecadores absolvidos são os melhores embaixadores de Deus (2Co
5:18-20), porque eles sabem que Deus os libertou.
Estudo adicional
"Ocorre agora o acontecimento prefigurado na última e
solene cerimónia do Dia da Expiação. Quando se completava o ministério no lugar
santíssimo, e os pecados de Israel eram removidos do santuário em virtude do
sangue da oferta pelo pecado, o bode emissário era, então, apresentado vivo
perante o Senhor; e na presença da congregação o sumo sacerdote confessava
sobre ele "todas as iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas
transgressões, segundo todos os seus pecados", pondo-os sobre a cabeça do
bode (Lv 16:21, RC). Semelhantemente, ao completar-se a obra de expiação no
santuário celestial, na presença de Deus e dos anjos do Céu e da multidão dos
remidos, serão então postos sobre Satanás os pecados do povo de Deus. Ele será
declarado culpado de todo o mal que os fez cometer" (Ellen G. White, O
Grande Conflito, p. 658).
Expiação: Oferta da Purificação
Texto principal
"Sabendo que não foi mediante coisas incorruptíveis, como
prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos
pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem
mácula, o sangue de Cristo" (1Pe 1:18, 19).
“O salário do pecado
é a morte” (Rm 6:23). Sendo assim, todos nós deveríamos morrer, visto que todos
somos pecadores. Mas não morremos porque um Substituto assumiu nosso lugar. No
sistema do santuário, esta verdade é ilustrada de forma dramática: o animal
sacrifical se tornava o portador dos pecados do penitente e, em consequência,
morria. Cristo, como Cordeiro de Deus (Jo 1:29), era simbolizado nos
sacrifícios rituais. À luz de tais sacrifícios podemos compreender um pouco do
sacrifício e ministério de Cristo. Como já visto, o santuário é o meio para
solucionar uma situação antagónica: ali é o lugar da morada do Deus santo, no
meio de um acampamento repleto de pecadores. Como conciliar essa realidade?
Através do sistema ritual, em que os sacrifícios realizados solucionavam o
problema da culpa do pecador e restabeleciam a relação entre o Deus santo e o
pecador penitente. Devemos atentar para os detalhes de uma legislação que não
deixou sequer uma brecha por onde o pecador pudesse escapar. Ao contrário, tudo
foi pensado de maneira a resgatar o transgressor e levá-lo de volta a um
relacionamento harmonioso com seu Criador.
O sistema sacrifical provavelmente seja a parte mais
conhecida do ritual do santuário, porque é a que aponta diretamente para o
sacrifício de Cristo. O sangue do animal que morria pelo pecador se torna um
símbolo do sangue de Cristo, que morreu por nós.
Nesta semana, estudaremos vários conceitos ligados à
"oferta da purificação" (também chamada de "oferta pelo
pecado"), que foi a forma designada por Deus para nos ajudar a entender
melhor como Ele nos reconcilia consigo mesmo mediante o único e verdadeiro
sacrifício: Jesus Cristo. Às vezes, esta lição usa o termo oferta da
purificação em lugar de oferta pelo pecado, para evitar a impressão de que, por
exemplo, dar à luz uma criança era considerado uma falha moral, uma vez que a
mãe que acabava de dar à luz devia apresentar tal oferta (Lv 12:5-8). Esse
sacrifício é mais bem compreendido como oferta de purificação por sua impureza
ritual, e não como um sacrifício por causa do pecado.
Pecado e misericórdia
Como os que conhecem o Senhor podem testemunhar, o pecado
nos separa de Deus. A boa notícia é que o Senhor colocou em prática um sistema
para acabar com a separação causada pelo pecado e nos levar de volta para Ele.
Evidentemente, o sacrifício está no centro desse sistema.
Existem basicamente três tipos de pecado descritos no Antigo
Testamento, cada um correspondendo ao nível de consciência do pecador quando
ele cometeu a transgressão: pecado inadvertido ou involuntário, pecado
deliberado ou intencional, e pecado de rebelião. As "ofertas de
purificação" prescritas em Levítico 4:1–5:13 se aplicavam a casos de
pecado não intencional, bem como a alguns casos de pecado deliberado (Lv 5:1).
Enquanto havia uma oferta para essas duas primeiras categorias de pecado,
nenhuma oferta foi mencionada para o pecado de rebelião, o
tipo mais hediondo. O pecado de rebelião era cometido "na face" de
Deus, com mão levantada, e o rebelde não merecia nada menos do que ser
eliminado (Nm 15:29-31). No entanto, parece que mesmo nesses casos, como
ocorreu com Manassés, Deus oferecia perdão (2Cr 33:12, 13).
1. O que 2 Samuel 14:9 revela sobre misericórdia, justiça e
culpa? Leia também Dt 25:1, 2; 2Sm 14:1-11
Deus é justo ao perdoar o pecador? Afinal, não é o pecador
injusto e, portanto, digno de condenação (Dt 25:1)?
A história da mulher de Tecoa pode ilustrar a resposta.
Fingindo ser uma viúva, conforme orientação de Joabe, ela foi ao rei Davi,
buscando seu julgamento. Joabe inventou inventou uma história sobre seus dois
filhos, na qual um havia matado o outro, e pediu que ela contasse a Davi. A lei
israelita exigia a morte do assassino (Nm 35:31), mesmo que ele fosse o único
homem que restasse na família. A mulher suplicou a Davi (que atuou como juiz)
permissão para que o filho culpado ficasse livre.
Então, curiosamente, ela declarou: "A culpa, ó rei, meu
senhor, caia sobre mim e sobre a casa de meu pai; o rei, porém, e o seu trono
sejam inocentes" (2Sm 14:9). Tanto a mulher quanto Davi entendiam que, se
o rei decidisse permitir que o assassino ficasse livre, o próprio rei assumiria
a culpa do assassino, e o seu trono de justiça (isto é, sua reputação como
juiz) estaria em perigo. O juiz era moralmente responsável pelo que decidia.
Por isso, a mulher se ofereceu para assumir essa culpa.
Da mesma forma, Deus assumiu a culpa dos pecadores, a fim de
declará-los justos. Para que fôssemos perdoados, o próprio Deus devia suportar
nossa punição. Essa é a razão legal pela qual Cristo tinha que morrer para que
fôssemos salvos.
Comentário: O que
fazer com o pecador? Para ser justo, Deus deveria exigir o “salário”, ou seja,
a morte (Rm 6:23). Mas, para ser misericordioso, Deus deveria perdoá-lo. Como
equilibrar esses dois elementos? Através do sacrifício ritual. Devemos observar
que a legislação previa ofertas para o “pecado por ignorância”, isto é, o
pecado acidental, não intencional, do sacerdote (Lv 4:3), da congregação
(4:13), do príncipe (4:22) e da pessoa comum (4:27). Em comum nesses casos
temos a natureza não intencional do pecado e a prescrição de que uma oferta
pelo pecado deveria ser apresentada para fazer “expiação”. O resultado? O
pecador era perdoado (4:20, 26, 31). No caso da oferta do “príncipe” e da
“pessoa comum”, o sangue não era introduzido no lugar santo, ficando sua
manipulação restrita ao altar de holocaustos no pátio do santuário. Nos outros
dois casos, o sangue era introduzido no lugar santo e aspergido perante o véu e
sobre o altar de incenso. Entretanto, o resultado era o mesmo: as pessoas
envolvidas eram perdoadas. Era restaurada a comunhão com o Deus santo que
habitava o santuário.
Imposição de mãos
2. Leia Levítico 4:27-31. Quais atividades eram realizadas
juntamente com o sacrifício?
O objetivo da oferta era remover o pecado e a culpa do
pecador, transferir a responsabilidade para o santuário, e permitir que o
pecador saísse perdoado e purificado (em casos extremamente raros, a pessoa
poderia trazer certa quantidade da melhor farinha como oferta de purificação.
Embora essa oferta de purificação fosse sem derramamento de sangue, havia o
entendimento de que "sem derramamento de sangue, não há remissão" [Hb
9:22]).
O ritual incluía a imposição das mãos, a morte do animal, a
manipulação do sangue, a queima da gordura, e o consumo da carne do animal. O
pecador que levava a oferta recebia o perdão, mas somente após o ritual do
sangue.
Uma parte crucial desse processo envolvia a imposição das
mãos (Lv 1:4; 4:4). A imposição das mãos transferia o pecado para o animal
inocente.
Depois que o animal era morto, o sangue derramado era usado
para fazer expiação sobre o altar: "Então, o sacerdote, com o dedo, tomará
do sangue da oferta pelo pecado e o porá sobre os chifres do altar do
holocausto; e todo o restante do sangue derramará à base do altar do
holocausto" (Lv 4:25). "Porque a vida da carne está no sangue. Eu
vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto
é o sangue que fará expiação em virtude da vida" (Lv 17:11). Uma vez que
os pecados eram transferidos para o animal pela imposição das mãos, devemos
entender a morte do animal como substitutiva. O animal morria em lugar do
pecador. Isso pode explicar por que o ato de matar o animal tinha que ser
realizado pelo pecador culpado, e não pelo sacerdote.
Da próxima vez que você for tentado a pecar, imagine Jesus
morrendo na cruz e veja você mesmo colocando as mãos sobre Sua cabeça e
confessando seus pecados sobre Ele. Pensar nisso ajuda a entender o preço do
perdão? Como essa ideia pode ajudá-lo a não cair em tentação?
Comentário: O rito da imposição de mãos sobre a cabeça da
vítima sacrifical é explicitamente declarado nos casos da oferta queimada (Lv
1:4), a oferta pelo pecado do sacerdote (4:4), da congregação (4:15), do
príncipe (4:24) e da pessoa comum (4:29). E o que significava? Nos textos
referidos não temos uma informação precisa. Mas no Dia da Expiação, o rito
envolvendo o bode para Azazel explicitamente declara que a imposição de mãos
sobre a cabeça do animal transferia os pecados para ele (ver Lv 16:21).
Encontramos ainda, em contextos não sacrificais, três exemplos em que alguma
coisa é transferida por meio da imposição de mãos: (1) Moisés impôs as mãos
sobre Josué, o qual recebeu o “espírito de sabedoria” (Dt 34:9; cf Nm 27:18);
(2) a dedicação dos levitas, que substituíram os primogênitos do povo de Israel
(Nm 8:18); e (3) o apedrejamento do blasfemador, em que a culpa ficava somente
com o transgressor, isentando a testemunha (Lv 24:14).
A estrutura do ritual sacrifical envolvia algumas ações:
oferecimento do animal sacrifical, imposição de mão (em alguns casos, as duas
mãos), confissão dos pecados, morte da vítima, manipulação do sangue (nesse
caso, a responsabilidade era do sacerdote), e a queima do animal, ou de sua
gordura, fosse fora do arraial ou no altar (dependendo da oferta), o que era um
aroma suave ao Senhor. Assim, a oferta sacrifical ia do pecador penitente para
Deus.
A partir dos exemplos anteriormente mencionados, pode-se
concluir que a observância das atividades rituais resultava em uma
transferência dos pecados do ofertante para a vítima sacrifical e desta para o
santuário, via manipulação do sangue (ou do comer da carne). O animal
sacrificado carregava os pecados e a culpa do ofertante. Desse modo, substituía
o ofertante pecador, dando-lhe condições de permanecer na presença do Deus
santo.
Para reflexão: O sacrifício de Jesus era tipificado no
ritual do santuário. Como você se sente ao entender que Ele carregou sobre Si o
seu pecado? Ou seja, entender que seus pecados foram simbolicamente
transferidos para o Cordeiro de Deus, o que resultou na morte do Salvador?
Transferência de
pecado
"O pecado de Judá está escrito com um ponteiro de ferro
e com diamante pontiagudo, gravado na tábua do seu coração e nas pontas dos
seus altares" (Jr 17:1).
Após a imposição das mãos e a morte do animal, a atividade
seguinte no ritual do sacrifício era a manipulação do sangue. O sacerdote
aplicava o sangue sacrifical às pontas do altar. Como o sangue estava
envolvido, essa parte do ritual estava relacionada à expiação (Lv 17:11). Se o
pecado fosse cometido por uma pessoa comum ou um líder, o sangue era aplicado
sobre o altar do holocausto (Lv 4:25, 30); se o pecado fosse cometido pelo sumo
sacerdote ou por toda a congregação, o sangue era aplicado sobre o altar
interior, o altar do incenso (Lv 4:7, 18).
3. Na transferência do pecado, do pecador para o santuário,
o que significava colocar o sangue sobre as pontas do altar?
As pontas eram os pontos mais altos do altar e, como tais,
poderiam significar a dimensão vertical da salvação. O sangue era levado à
presença de Deus.
Jeremias 17:1 é de especial importância para entender o que
acontecia: o pecado de Judá estava gravado "na tábua do seu coração e nas
pontas dos seus altares". Embora o texto esteja se referindo a altares
envolvidos na adoração idólatra, o princípio é o mesmo: o altar reflete a
condição moral do povo. O sangue transferia a culpa do pecado. O sangue
colocado nas pontas do altar transferia o pecado do pecador para o santuário,
uma verdade fundamental para compreendermos o plano da salvação, revelado no
ritual do santuário terrestre, que simboliza a obra de Cristo no Céu em nosso
favor.
Uma vez que o sangue levava o pecado, ele também contaminava
o santuário. Encontramos um exemplo dessa contaminação nos casos em que o
sangue da oferta da purificação respingava acidentalmente em uma veste, que
precisava ser limpa, não simplesmente em qualquer lugar, mas apenas "no
lugar santo" (Lv 6:27).
Finalmente, a queima da gordura sobre o altar indicava que
tudo em torno da oferta da purificação pertencia a Deus (Lv 3:16).
Graças à morte de Jesus, simbolizada por esses sacrifícios,
nosso pecado foi tirado de nós, colocado sobre Ele e transferido para o
santuário celestial. Isso é fundamental para o plano da salvação.
Como o ritual do santuário ajuda a entender nossa total
dependência de Deus para o perdão dos pecados? Que conforto essa verdade traz a
você? Que importantes responsabilidades vêm com essa mensagem? (leia 1Pe 1:22).
Comentário: Como
foi visto no estudo de segunda-feira, os pecados do ofertante eram transferidos
para a vítima por meio do ritual de imposição de mãos e, mediante a manipulação
do sangue pelo sacerdote, para o santuário (Pecador > vítima >
santuário). Assim, em última instância, o santuário se tornava o receptáculo
final dos pecados do povo. Essa situação explicaria a necessidade da realização
de um ritual específico para purificar o próprio santuário (ver Lição 6).
O rito de manipulação do sangue da oferta pelo pecado estava
vinculado à “classe” do pecador. No caso do “príncipe” e da “pessoa comum”, o sangue
ficava restrito ao altar de holocausto – nos chifres e na base. No caso da
“congregação” e do “sacerdote”, o sangue era aspergido no véu interior e sobre
o altar de incenso. Em ambos os casos, o resultado era o mesmo: os pecados eram
transferidos para o santuário, o qual, por assim dizer, assumia os pecados do
ofertante. Visto que o santuário era a morada de Deus entre Seu povo, o próprio
Deus assumia os pecados do povo, e assim perdoava todos os arrependidos. No
caso do cristão, foi Jesus quem assumiu nosso lugar, e morreu como oferta
sacrifical, para nos conceder o perdão.
Levando o pecado
4. Leia Levítico 6:25, 26; 10:16-18. Que verdade fundamental
é revelada nesses textos?
Ao comer a oferta em um lugar santo, o sacerdote oficiante
"[levaria] a iniquidade" do ofensor. A carne dessa oferta não era
apenas o pagamento pelos serviços dos sacerdotes (caso contrário, Moisés não
teria ficado tão irado com os filhos de Arão por não comê-la), mas ela era uma
parte fundamental da expiação.
De que modo o ato de comer do sacrifício contribuía para o
processo de expiação? Só era exigido que se comesse das ofertas das quais o
sangue não entrava no lugar santo, ou seja, as ofertas do líder e das pessoas
comuns. A Bíblia diz explicitamente que, ao comer do sacrifício o sacerdote
levaria a iniquidade, o que faria a expiação pelo pecador. O simbolismo de levar
a culpa do pecador sugere que ele se tornava livre.
Em hebraico, Êxodo 34:7 diz que Deus "leva a
iniquidade", as mesmas duas palavras hebraicas usadas em Levítico 10:16,
onde está claro que o ato do sacerdote levar o pecado é o que traz perdão ao
pecador. Caso contrário, sem essa transferência, o pecador teria que levar seu
próprio pecado (Lv 5:1), e isso, naturalmente, levaria à morte (Rm 6:23).
A obra do sacerdote de levar o pecado de outra pessoa é
exatamente o que Cristo fez por nós. Ele morreu em nosso lugar. Concluímos,
então, que o trabalho sacerdotal no santuário terrestre tipifica a obra de
Cristo por nós, porque Ele assumiu a culpa dos nossos pecados.
"A bênção vem por causa do perdão; o perdão vem
mediante a fé em que o pecado, do qual nos arrependemos e confessamos, é
suportado pelo grande Portador de pecados. Todas as nossas bênçãos provêm,
assim, de Cristo. Sua morte é o sacrifício expiatório pelos nossos pecados. Ele
é o grande meio através do qual recebemos a misericórdia e o favor de Deus. Ele
é, na realidade, o Originador, Autor, bem como o Consumador de nossa fé"
(Ellen G. White, Manuscript Releases, v. 9, p. 302).
Imagine ficar diante de Deus no juízo. Em que você se
apoiaria: boas obras, observância do sábado, as coisas boas que fez ou as
coisas ruins que não fez? Isso seria suficiente para justificar você diante de
um Deus santo e perfeito? Se não, qual é sua única esperança nesse julgamento?
Comentário: O sangue
da vítima sacrifical oferecida pelo príncipe ou pela pessoa comum não era
levado para dentro do santuário, mas era aspergido nos chifres do altar de
holocausto e derramado na base desse altar. Então, de que maneira era feita a
transferência dos pecados para o santuário? De acordo com a legislação
levítica, o sacerdote oficiante deveria comer uma porção da carne da oferta
pelo pecado. Moisés claramente afirmou esse conceito: “Por que vocês não
comeram a carne da oferta pelo pecado no Lugar Santo? É santíssima; foi-lhes
dada para retirar a culpa da comunidade e fazer propiciação por ela perante o
Senhor” (Lv 10:17). A iniquidade foi transferida do pecador para a vítima
através da imposição de mão e, da vítima, para o sacerdote, mediante o comer da
carne sacrifical. Como resultado, o sacerdote se tornava o portador do pecado e
a expiação era realizada. E por que o sacerdote não era punido, nem sua
santidade era afetada, visto que era portador do pecado? Porque Deus assim
havia prescrito, e habilitado o sacerdócio como um santo instrumento no
processo expiatório (ver Êx 28:38).
No caso da oferta pelo pecado do sacerdote, ou da
congregação – que incluía todo o sacerdócio – a carne não era comida. Nesse
caso, o sacerdote se tornaria o portador de seu próprio pecado e, em
consequência, deveria morrer (Lv 22:9). Então, a carne era queimada fora do
acampamento e o sangue era introduzido no lugar santo do santuário.
Para reflexão: Jesus é nossa oferta sacrifical e, ao mesmo
tempo, nosso Sumo-Sacerdote, que carrega nossos pecados. Como nos sentimos ao
refletir sobre estas realidades?
Perdão
5. Leia Miqueias 7:18-20. Que imagem de Deus encontramos
nessa passagem?
Os três últimos versos do livro de Miqueias focalizam o
relacionamento entre Deus e Seu povo remanescente. De forma bela, o texto
descreve por que Deus é incomparável. Ele é incomparável por causa de Sua graça
e amor perdoador. A característica marcante de Deus, revelada em Miqueias (e em
outros livros da Bíblia), é Sua disposição de perdoar. Miqueias enfatizou esse
ponto usando várias expressões para os atributos (v. 18) e realizações (v. 19,
20) de Deus. Seus atributos e realizações são explicados na linguagem do Credo
Israelita em Êxodo 34:6, 7, uma das mais amadas descrições bíblicas do caráter
de Deus.
Curiosamente, várias palavras fundamentais de Miqueias
7:18-20 também são usadas no Cântico do Servo em Isaías 53, apontando para o
fato de que o meio para o perdão vem dAquele que sofre pelas pessoas.
Infelizmente, nem todos apreciam a divina graça salvadora. O
perdão de Deus não é barato nem automático. Ele envolve lealdade. Os que
experimentaram Sua graça respondem de maneira semelhante, como vemos em
Miqueias 6:8, um texto central no livro. Assim como Deus "tem prazer na
misericórdia", Ele chama Seu povo remanescente para "[amar] a
misericórdia". O povo de Deus imitará o Seu caráter. A vida deles
refletirá Seu amor, Sua compaixão e bondade.
Miqueias 7:18-20, com sua ênfase sobre o perdão, é seguido
pelo livro de Naum 1:2, 3, com sua ênfase no juízo. Isso revela as duas
dimensões do relacionamento de Deus conosco: perdoar o arrependido e punir os
ímpios. Deus é tanto Salvador quanto Juiz. Esses dois aspectos do caráter de
Deus são complementares, não contrários. Um Deus compassivo também pode ser
justo. Sabendo disso, podemos confiar no Seu amor, perdão e justiça final.
Leia Miqueias 6:8. Qual é a vantagem de uma profissão de fé
sem os princípios que revelam a realidade dessa alegação? O que é mais fácil:
afirmar a fé em Jesus ou viver essa fé, conforme expresso em Miqueias 6:8? Você
precisa melhorar nesse aspecto?
Comentário: No livro de Levítico somos lembrados acerca da
seriedade do pecado, de como ele nos separa de Deus. O povo de Deus do passado,
que contemplava – e mesmo empunhava o cutelo em alguns casos – a morte de
inocentes animais, não poderia deixar de perceber sua gravidade. Os animais se
tornavam substitutos, que levavam a culpa pelos pecados. Algumas vezes o pecado
é por ignorância, outras era deliberado. Não obstante, o perdão é concedido ao
transgressor. Sua culpa é expiada e o relacionamento com Deus é restaurado.
Com toda a riqueza de suas cerimónias, o livro de Levítico
aponta para um Deus perdoador, que vai em busca do perdido, que não desiste dos
pecadores. Contudo, para realizar esse ato salvador, é necessário sacrifício.
Agora não mais de animais, mas do próprio Filho de Deus. Ao ser oferecido na
cruz do Calvário, Ele Se tornou nosso sacrifício, o portador de nossos pecados,
para que pudéssemos receber o perdão e ser restaurados em nosso relacionamento
com Deus.
Naturalmente, o cristão verdadeiro, que experimenta a
misericórdia e o perdão de Deus na vida, reconhece sua responsabilidade para
com os semelhantes, oferecendo-lhes, em seu relacionamento diário, a mesma
graça e misericórdia perdoadora que receberam de Deus.
Para reflexão:
Tendo sido perdoado por um Deus amoroso, como temos tratado nosso irmão? Nossa
atitude é misericordiosa, perdoadora, ou vingadora? O que fazer para que nossa
atitude reflita o caráter de nosso Deus?
Comentário de Ellen
White:
"Assim como Cristo, por ocasião de Sua ascensão,
compareceu à presença de Deus, a fim de pleitear com Seu sangue em favor dos
crentes arrependidos, também o sacerdote, no ministério diário, aspergia o
sangue do sacrifício no lugar santo em favor do pecador.
"O sangue de Cristo, ao mesmo tempo que livraria da
condenação da lei o pecador arrependido, não cancelaria o pecado. Este ficaria
registrado no santuário até a expiação final. Assim, no cerimonial típico, o
sangue da oferta pelo pecado removia do penitente o pecado, mas esse permanecia
no santuário até o dia da expiação" (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas,
p. 357).
YOM KIPPUR - DIA DA EXPIAÇÃO.
O Dia da Expiação está repleto de simbolismo que prenuncia a
obra de nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO. No NT, Paulo aos Hebreus realça o
cumprimento, no novo concerto, da tipologia do Dia da Expiação (ver Heb 9:6-10:18).
(1) O fato de que os sacrifícios do AT tinham de ser
repetidos anualmente indica que eles eram provisórios. Apontavam para um tempo
futuro quando, então, CRISTO viria para remover de modo permanente todo o
pecado confessado (cf. Hb 9.28; 10.10-18).
(2) Os dois bodes representam a expiação, o perdão, a
reconciliação e a purificação consumados por CRISTO. O bode que era sacrificado
representa a morte vicária e sacrificial de CRISTO pelos pecadores, como
remissão pelos seus pecados (Rm 3.24-26; Hb 9.11, 12, 24-26).
A Grande Cerimónia.
Lv 16:1-34 traz a descrição dos eventos que ocorriam no Dia
da Expiação, que era o encerramento do calendário judaico, e a ocasião na qual
se realizava uma “purificação” do santuário (v. 19).
O v. 5 declara que os dois bodes seriam tomados para
servirem de oferta pelo pecado, porém os vv. 7-9 mostram que era feito um
“sorteio” (heb. GOWRAL) para saber qual seria o bode que realmente seria
utilizado no serviço de expiação. O v. 5 diz que os dois eram, inicialmente,
tomados como oferta pelo pecado (heb. CHATTAAH), porque ainda não havia sido
realizado o sorteio; por isso, a princípio, os dois eram apresentados como
podendo ser o animal da oferta pelo pecado.
Os vv. 9-10 descrevem claramente que havia uma visível
diferença na participação dos dois bodes, pois apenas um era oferecido como
oferta, enquanto que o outro (o chamado AZAZEL, ou “bode emissário”) deveria
ser levado ao deserto, para morrer por lá, sem ter seu sangue derramado no
serviço do Dia da Expiação, no santuário. Ora, o próprio livro de Levítico
esclarece que apenas pelo sangue se poderia fazer a expiação pelos pecados
(17:10-12), por isso não se pode afirmar, com base bíblica, que o bode AZAZEL
também seria um tipo de Cristo, pois o seu sangue não era derramado (cf. Hb
9:22).
Para deixar mais claro ainda, temos a límpida declaração do
v. 20, que diz que apenas após ter “acabado” (heb. KALAH) o serviço da expiação
pelos pecados, é que o bode vivo deveria ser trazido, ou seja, é evidente que
ele não participava em nenhum momento da cerimónia de expiação.
Portanto, não é correto dizer que os Adventistas fazem de
satanás um co-participante no plano de redenção, tomando-se como base para tão
absurda declaração o nosso ensinamento sobre a figura de AZAZEL ser um símbolo
de satanás, pois a Bíblia é bastante clara em afirmar que ele levará sobre os seus
ombros o peso de ter sido o mentor da destruição da raça humana, através do
pecado (cf. Ap 20:1-10; 12:9-12; Lc 13:16; At 5:3; etc.).
Dos dois bodes, como vimos, apenas um tinha parte no plano
da redenção esboçado no serviço do santuário – e este era aquele que derramava o
seu sangue, prefigurando ao sacrifício de Jesus na Cruz do Calvário.
O Alcance da Expiação no Novo Testamento
Porque CRISTO não entrou em santuário feito por mãos, figura
do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de
DEUS; nem ainda para se oferecer a si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote
cada ano entra no SANTO dos Santos com sangue alheio ... Assim também CRISTO,
tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos,
aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação" (Hb
9.24,25,28).
APARECERÁ SEGUNDA VEZ. Sob o antigo concerto, os israelitas
ficavam em intensa expectativa para ver se o sumo-sacerdote reapareceria depois
de entrar no santuário para fazer expiação. Da mesma forma os crentes, sabendo
que o seu sumo-sacerdote entrou no santuário celestial como nosso advogado,
aguardam com ardente esperança o seu reaparecimento trazendo uma salvação plena
e completa (ver João 14.3; 2 Tim 4.8). Esse dia se dará no dia do ARREBATAMENTO
DA IGREJA, embora por fé, já saibamos que o nosso Sumo-Sacerdote ressuscitou e
está junto ao PAI intercedendo por nós e virá brevemente nos buscar.
REDENÇÃO
- expiação - kippur, que significa "cobrir com um
preço".
- pagamento de um resgate
- um preço exigido para que um escravo fosse posto em
liberdade
- CRISTO veio "dar a sua vida em resgate de
muitos".
1. DEUS, seu autor:
Sl 31:5; 111:9; 130:7; Is 43:1; Lc 1:68; 2:38; Ef 4:30.
Ver também:
Êx 6:6, Êx 15:13, Dt 21:8, Dt 24:18, 2Sm 7:23, 1Cr 17:21, Ne 1:10, Jó 5:20, Sl
26:11, Sl 34:22, Sl 44:26, Sl 69:18, Sl 71:23, Sl 74:2, Sl 77:15, Sl 103:4, Sl
107:2, Sl 136:24, Is 1:27, Is 29:22, Is 44:22, Is 48:20, Is 52:9, Is 63:9, Jr
31:11, Mq 4:10, Mq 6:4, Zc 10:8, Lc 20:19.
2. Por meio de
Cristo:
Rm 3:24; 1Co 1:30; Gl 3:13; Cl 1:14; Tt 2:14; Hb 9:12; 1Pe
1:18; Ap 5:9.
Ver também:
Is 53:10, Mc 10:45, Lc 24:21, At 20:28, 1Co 6:20, 1Co 7:23, Gl 4:5, Ef 1:7, 1Tm
2:6, Hb 9:15, 2Pe 2:1, Ap 14:3.
3. De terras e
pessoas:
Lv 25:27,49; 27:19; Ne 5:8.
4. REDENTOR, nosso
Senhor:
Jó 19:25;
Sl 130:8; Pv 23:11; Is 41:14; 43:14; 44:24; 47:4; 59:20; Jr 50:34.
Ver também: Dt 7:8, 2Sm 4:9, 1Rs 1:29, Sl 19:14, Sl 25:22,
Sl 78:35, Is 44:6, Is 48:17, Is 49:7, Is 49:26, Is 54:5, Is 60:16, Is 63:16, Jr
15:21, Lm 3:58, Os 7:13, Os 13:14, Rm 11:26.
5. REDIMIDOS
Is 35:9; 51:11; Mt 8:11; Ap 5:9; 7:9; 14:4; 19:6.
Ver também:
Is 62:12, Hb 12:23, Ap 14:1, Ap 15:2.
6. EXPIAÇÃO
Doutrina: Lv 4:20; 8:34; 10:17; 14:21; 16:6,10; 17:11; Rm 5:11.
Ver também:
Êx 30:15, Êx 32:30, Lv 1:4, Lv 4:26, Lv 4:31, Lv 4:35, Lv 5:6, Lv 5:10, Lv
5:13, Lv 5:16, Lv 5:18, Lv 6:7, Lv 7:7, Lv 9:7, Lv 12:7, Lv 14:18, Lv 14:29, Lv
14:53, Lv 15:15, Lv 15:30, Lv 16:16, Lv 16:24, Lv 16:33, Lv 19:22, Lv 23:28, Nm
5:8, Nm 6:11, Nm 8:12, Nm 8:21, Nm 15:25, Nm 15:28, Nm 16:46, Nm 16:47, Nm
25:13, Nm 28:30, Nm 31:50, 2Cr 29:24, Ne 10:33, Ez 45:20, Mt 26:28.
CONCLUSÃO:
JESUS CRISTO nos comprou para o PAI através de seu
sacrifício no calvário, o preço foi pago, o sangue de JESUS.
O documento que comprova a compra está em suas mãos e pés
furados e em seu peito também.
Existe um corpo de homem com os sinais da compra, no céu.
Nosso dono nos selou com o ESPÍRITO SANTO como prova de
posse sobre nós.
Temos uma casa que nos espera e um PAI cheio de amor e
misericórdia, pronto a nos abraçar como filhos.
Glória a DEUS!
1 Coríntios 6:20 Porque fostes comprados por bom preço;
glorificai, pois, a DEUS no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem
a DEUS.
1 Coríntios 7:23 Fostes comprados por bom preço; não vos
façais servos dos homens.
Santuário – Lugar de Encontro
“E Me farão um santuário, para que Eu possa habitar no meio
deles” (Êx 25:8).
O santuário é um dos principais instrumentos divinos para
nos ensinar o significado do evangelho.
Há uma riqueza de símbolos no santuário, destinados a
ensinar, de maneira clara e dramática, as verdades do evangelho. Aqui
encontramos a verdade acerca da presença de Deus com o Seu povo, o chamado à
santidade, os móveis com todo os significado no plano da salvação, o santuário
como o centro da vida do povo de Deus e também como o lugar em que todas as
dúvidas relativas a um sentido para a vida poderiam ser respondidas.
Lugar da presença
1. Qual foi o propósito do santuário terrestre no deserto? Que verdade
impressionante nos ensina sobre o amor de Deus por nós? Êx 25:8
No Jardim do Éden, o pecado rompeu o relacionamento face a
face entre Deus e a humanidade. O pecado privou nossos primeiros pais da livre
comunhão com Deus. No entanto, o Criador ainda desejava nos atrair a Ele e
desfrutar um profundo relacionamento de aliança com a humanidade caída. Ele
começou esse processo ali mesmo no Éden. Séculos mais tarde, ao salvar Israel
do Egito e estabelecer o santuário e o sistema de sacrifícios, Deus tomou
novamente a iniciativa de trazer a humanidade de volta à Sua presença.
O santuário, portanto, testifica do incessante desejo divino
de habitar entre Seu povo. Esse é o plano de Deus (Sl 132:13, 14). Seu objetivo
final é relacionamento, e o santuário foi o meio que Ele escolheu para alcançar
esse fim. O santuário é a prova concreta da presença divina com Seu povo na
Terra.
A partir da descrição do livro de Números capítulo 2, fica
evidente que o tabernáculo estava localizado no centro do acampamento quadrado
onde, normalmente, no antigo Oriente Médio, o rei colocava sua tenda. Assim, o
tabernáculo simboliza que Deus é o Rei de Israel.
Os levitas, por sua vez, colocavam suas tendas ao redor do
tabernáculo (Nm 1:53), e as outras tribos acampavam ao redor deles, a certa
“distância”, em grupos de três (Nm 2:2). Isso ilustra de forma concreta, tanto
a proximidade quanto a distância de Deus.
Outra finalidade do santuário era prover local para um
sistema de adoração centralizado e divinamente ordenado. Uma vez que a presença
de Deus no meio do povo era prejudicada por suas impurezas e falhas morais, Ele
proveu um sistema de sacrifícios e ofertas mediante os quais pecadores poderiam
viver e permanecer na presença de um Deus santo.
Assim, nesse contexto, o santuário revelou detalhes sobre o
plano da redenção, que incluía não apenas os sacrifícios, mas também o
ministério sacerdotal.
No santuário, o Criador do Universo (João 1:1-3),
humilhou-Se para habitar entre pessoas sem lar, peregrinos no deserto. Como
esse fato ajuda a evitar os preconceitos étnicos, sociais ou culturais contra
as pessoas?
Nota: Deus fez um santuário – o jardim do Éden – e nele
colocou o homem, para ali habitar e desfrutar a plena comunhão com o Criador.
Por causa do pecado, o homem foi expulso desse santuário, sendo assim privado
da presença amiga de Deus. Para romper o abismo de separação, Deus ordenou que
o homem fizesse um santuário para Ele habitar com os seres humanos (Êx 25:8).
Perceba o contraste: o homem rejeitou o santuário feito por Deus; Deus habitou
no santuário feito pelo homem. Deus visitou o homem no santuário do Éden; o
homem visitou (encontrou) Deus no santuário do deserto. No fim dessa história
de encontros e desencontros, o homem voltará ao santuário de Deus, a Nova
Jerusalém, e Deus mesmo estará com Suas criaturas (Ap 21:3). Em certo sentido,
é um retorno ao santuário do Éden. E o que significa tudo isso? Presença,
proximidade, comunhão.
O tabernáculo no deserto ocupava o próprio centro do
acampamento, geográfica e simbolicamente. A vida do povo estava ali centralizada.
De fato, essa era sua vida. Lembremo-nos de que, antes da ordem para construir
o santuário, o povo era cativo no Egito, e não podia desfrutar de maneira tão
especial a companhia de Deus. Somente após sua libertação, sua redenção, é que
poderia usufruir as bênçãos da presença de seu Libertador. Por isso, o
santuário é chamado “tenda do encontro” ou “tenda da congregação”. Nesse espaço
Deus e Seu povo poderiam se encontrar (Êx 40:32). Deus está acessível a Seu
povo.
Mas, como um povo impuro, pecador, poderia estar na presença
de um Deus santo? É o que veremos no decorrer de nosso estudo.
“Sede santos”
Tomarás o óleo da unção, e ungirás o tabernáculo e tudo o
que nele está, e o consagrarás com todos os seus pertences; e será santo.
Ungirás também o altar do holocausto e todos os seus utensílios e consagrarás o
altar; e o altar se tornará santíssimo” (Êx 40:9, 10).
Êxodo 40:9, 10 mostra que o santuário devia ser considerado
“santo”. A ideia básica da santidade é separação e singularidade, bem como o
senso de pertencer a Deus.
“O ritual simbólico era o elo entre Deus e Israel. As
ofertas sacrificais tinham o propósito de prefigurar o sacrifício de Cristo e,
assim, preservar no coração das pessoas uma fé inabalável no Redentor vindouro.
Para que o Senhor aceitasse seus sacrifícios, continuasse presente com elas e,
por outro lado, para que o povo tivesse um correto conhecimento do plano da
salvação e uma compreensão adequada de seu dever, era da máxima importância que
fossem mantidas, por parte de todos os que estavam associados ao santuário,
santidade de coração e pureza de vida, reverência a Deus e estrita obediência
aos Seus requisitos” (Ellen G. White, Comentário Bíblico Adventista, v. 2, p.
1116).
2. Qual é a principal razão para que o povo seja santo? Lv 19:2; 1Pe
1:14-16
A santidade de Deus nos transforma e separa para um objetivo
especial. Sua santidade é a maior motivação para a conduta ética do Seu povo em
todos os aspectos da vida (Lv 19), seja a observância das leis dietéticas (Lv
11:44, 45), a santificação do sacerdote (Lv 21:8) ou o abandono das paixões
anteriores (1Pe 1:14). Obviamente, Deus deseja que cresçamos em santidade à
medida que nos aproximamos dEle. Essa mudança só pode acontecer mediante a
submissão da nossa natureza pecaminosa e disposição de fazer o que é certo,
independentemente das consequências.
Ao pensar em seus hábitos, gostos, atividades, etc., quanto
do que você é, e do que faz, pode ser considerado “santo”? É uma pergunta
difícil, não é mesmo?
Nota explicativa: A santidade é um atributo de Deus por
excelência. Em todo o Universo, somente Ele é intrinsecamente santo. Ele é
louvado por Sua santidade (Êx 15:11). Os Salmos e Isaías frequentemente se
referem a Deus como Santo (Is 1:4; 5:19; Sl 99). Na visão de Isaías, os anjos
cantam a Deus aclamando-O “Santo, Santo, Santo” (Is 6:3). No Novo Testamento,
Jesus Se dirige a Deus como “Pai santo” (Jo 17:11). Na oração do Senhor
encontramos a petição “Santificado seja o Teu nome” e, no Apocalipse, repete-se
o tríplice “Santo” de Isaías (cf. Ap 4:6-10). “Que Deus é santo significa que
Ele é exaltado, impressionante no poder, glorioso na aparência, puro em Seu
caráter” (J. E. Hartley, Word Biblical Commentary: Leviticus, p. 312).
Em Levítico 19:2 encontramos uma base racional para o
mandamento de santidade: devemos ser santos porque Deus é santo.
Teologicamente, essa doutrina é conhecida como a imitatio dei, ou “imitação de
Deus”. Devemos imitar a santidade de Deus. Mas não é uma tarefa fácil definir a
santidade. Em termos simples, o “santo” é diferente do profano ou comum.
Portanto, o verso poderia ser traduzido assim: “Sereis distintos”, significando
que o povo de Deus, ao imitá-Lo, preservaria suas características distintivas
em relação a todos os que não praticam a “imitação de Deus”. “A santidade de
Deus é contagiante” (Ibid.) e, assim contagiados, os fiéis devem perseguir um
“estilo de vida diferente” (B. A. Levine, The JPS Torah Commentary, Leviticus
[1989], p. 56) daquele praticado por outras pessoas. Estar na presença santa de
Deus produz uma separação do pecado e de tudo o que contamina. E o contrário
também é correto: para experimentar a presença santificadora de Deus, os fiéis
se separam do pecado.
Mas Levítico 19 apresenta de forma prática o caminho da
santidade, que envolve todos os aspectos da vida diária: “fidelidade no culto
(3-8, 12, 21, 22, 27, 28, 30, 31), expressão de amor e respeito nos
relacionamentos interpessoais (11, 13, 14, 17, 18, 19, 20, 29, 32–34), e a
prática da justiça nos negócios e nos tribunais (vv 15, 16, 35, 36). Todas
essas leis revelam o desejo de Deus de que Israel pusesse todas as áreas de sua
vida em conformidade com Seu santo caráter” (Hartley, p. 312). No caso do
sábado, Deus o santificou, assim Seu povo deve imitá-Lo e também santificar o
dia de sábado. Deus mostra o caminho, e Seu povo segue (Levine, p. 256). E a
importância disso é que a observância apropriada do sábado é “essencial para a
vitalidade espiritual” (Hartley, p. 312), e uma vida espiritual sadia resulta
em santidade.
Utensílios do
santuário
3. Leia Êxodo 31:2-11. O que esses versos nos ensinam sobre a fabricação
dos objetos do santuário terrestre? Que relação existe com Gênesis 1:2? (Leia
também Êx 25:9)
De todos os objetos do santuário, a arca do testemunho era o
símbolo supremo da presença e santidade de Deus. Seu nome é derivado das duas
tábuas de pedra da lei, chamadas de “testemunho” (Êx 32:15, 16), e que foram
colocadas dentro da arca (Êx 25:16, 21).
Sobre a arca foi colocado o “propiciatório” [a tampa da
arca], sobre o qual havia dois querubins que o cobriam com suas asas (Êx
25:17-21). Ele é apropriadamente chamado de “tampa da expiação” (Êx 26:34, NVI,
versão em inglês), pois transmite a ideia de que nosso misericordioso e
compassivo Deus reconciliou o povo com Ele e providenciou tudo para que ele
mantivesse um relacionamento de aliança com o Senhor.
Esse era o lugar em que, uma vez por ano, no Dia da Expiação
(Yom Kippur, em hebraico), ocorria a expiação pelo povo e o santuário (Lv
16:14-16). Em Romanos 3:25, Paulo se refere a Jesus como “tampa da expiação” ou
“propiciatório” (geralmente traduzido como “propiciação” ou “sacrifício de
expiação”), pois o próprio Jesus é o lugar da redenção, Aquele por meio de quem
Deus fez expiação pelos nossos pecados.
No lugar santo, o primeiro compartimento, o candelabro
provia luz continuamente (Lv 24:1-4), e o altar do incenso produzia a fumaça
protetora que ocultava do sacerdote a presença de Deus (Lv 16:12, 13). Sobre a
mesa para o pão da presença eram colocados 12 pães, representando as doze
tribos de Israel. Pratos, recipientes para incenso, tigelas e taças (Êx 25:29,
30) também foram colocados sobre a mesa. Embora pouca informação seja dada
sobre o significado desses itens, parece que eles representavam os elementos de
uma refeição de aliança (lembrando Êx 24:11) e serviam como lembrete constante
da aliança de Deus com o povo.
Leia Romanos 3:25-28. Que grande esperança se conclui da
promessa de salvação “pela fé, independentemente das obras da lei”?
Nota explicativa: O complexo do santuário consistia em três
áreas: o pátio, o lugar santo e o lugar santíssimo. Cada uma dessas áreas
parece indicar algum grau de santidade e as diferentes pessoas que a poderiam ter.
Por exemplo, os adoradores e levitas tinham acesso ao pátio; os sacerdotes ao
lugar santo; e o sumo-sacerdote ao lugar santíssimo, uma única vez ao ano.
O altar de sacrifícios, situado no pátio do santuário,
estava associado à presença do Senhor. Por meio do altar, os israelitas tinham
acesso a Deus (Sl 43:4).
A pia, situada entre o altar de sacrifícios e a entrada do
lugar santo (Êx 30:17-21), era usada pelos sacerdotes para lavar suas mãos e
pés antes de oficiar no altar ou de entrar no santuário, para preservar sua
pureza. A ideia era que Deus e a impureza são incompatíveis e que, portanto,
aqueles que desejam ter acesso a Deus devem estar puros (Sl 24:3, 4; At 22:16;
Ef 5:26; 1Co 6:11).
A mesa com os pães da presença, no lugar santo, indicava o
Senhor como o Provedor do alimento para Seu povo (Ez 16:19; Jo 6:48-51).
O candelabro, também no lugar santo, foi confeccionado de
maneira a sugerir a imagem de uma árvore, talvez lembrando a árvore da vida, e
apontava para Deus como a fonte da vida. O candelabro, com sua luz sempre a
brilhar, estava associado com a omnipresença de Deus, e o óleo que o
alimentava, com o poder do Espírito do Senhor (ver Zc 4:10, 6; cf. Ap 4:5).
O altar de incenso estava situado no lugar santo, mas bem em
frente do véu que dava acesso ao lugar santíssimo. O incenso, na Bíblia,
representa as orações do povo de Deus que sobem até Ele (Sl 141:2; Ap 5:8; 8:3,
4). Simbolicamente, o incenso é um elo entre Deus e Seu povo (Ef 5:2; 2Co
2:14-17; Fp 4:18).
A arca do concerto, ou do testemunho, situada no lugar
santíssimo, “era o símbolo supremo da presença e santidade de Deus”. Os
querubins sobre a arca estão associados à soberania de Deus (1Sm 4:4; Sl 80:1;
99:1) e com Sua presença como líder e protetor de Seu povo (Nm 10:33-36). Sobre
a arca, estava o “propiciatório”, ou “assento (sede) da misericórdia”, “lugar
em que os pecados são expiados ou apagados” (kapporeth), que deriva do verbo
kipper (expiar, fazer expiação). Portanto, o termo kapporeth (propiciatório)
sugere a função dessa parte da arca. Entre os querubins, se manifestava a
glória de Deus garantindo a expiação para o pecador arrependido.
Em Romanos 3:25, lemos: “a quem Deus propôs, no Seu sangue,
como propiciação, mediante a fé, para manifestar a Sua justiça, por ter Deus,
na Sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos.” Observe
o vínculo que o apóstolo estabeleceu entre a propiciação e o sangue de Jesus
(v. 25). O sacrifício de Jesus na cruz pavimenta o caminho que o homem agora
pode percorrer em seu retorno a Deus. A morte de Cristo é o meio pelo qual Deus
elimina o pecado do Seu povo. Jesus é nossa propiciação, o nosso kapporeth, o
“assento (ou lugar) de misericórdia”, o meio pelo qual encontramos propiciação.
Ellen White faz um comentário digno de reflexão acerca desse
assunto: “O Pai nos ama, não em virtude da grande propiciação; mas sim proveu a
propiciação por isso que nos ama. Cristo foi o instrumento pelo qual Ele pôde
derramar sobre um mundo caído Seu infinito amor. ‘Deus estava em Cristo
reconciliando consigo o mundo’ (2Co 5:19). Na agonia do Getsémani, na morte
sobre o Calvário, o coração do infinito Amor pagou o preço de nossa redenção”
(Caminho a Cristo, p. 13, 14).
Centro de atividades
divinas e comunitárias
4. Leia 1 Reis 8:31-53. O que mais esse texto nos ensina sobre a função
do santuário?
Na cerimónia de dedicação do templo recém-construído, o rei
Salomão apresentou sete casos de orações específicas que poderiam ser feitas no
templo, e que exemplificam o amplo papel dele na vida dos israelitas. O templo
era um lugar para buscar perdão (v. 30); para fazer juramentos (v. 31, 32);
para fazer súplicas em situações de derrota (v. 33, 34); para fazer petições em
períodos de seca (v. 35, 36) ou em outros desastres (v. 37-40). Ele era também
um lugar de oração para o estrangeiro (v. 41-43), bem como lugar de petição
pela vitória (v. 44, 45).
Que o templo foi concebido para ser uma “Casa de Oração para
todos os povos” (Is 56:7) torna-se evidente a partir do fato de que Salomão
imaginou o indivíduo israelita, o estrangeiro e todo o povo como suplicantes.
5. O santuário era basicamente o centro ideológico de toda atividade em
Israel. A religião não era parte da vida do fiel, nem mesmo uma das
mais importantes. Ela era a vida. O que isso nos diz sobre o papel da fé em
nossa vida?
Quando as pessoas queriam receber conselhos ou julgamento,
ou quando se arrependiam de seus pecados, iam para o santuário. O santuário
também foi o centro da vida de Israel durante os anos no deserto. Quando Deus
desejava Se comunicar com o povo, fazia isso a partir do santuário (Êx 25:22).
Por isso, ele é apropriadamente chamado de “Tenda do Encontro” (Lv 1:1, NVI) ou
“tenda da congregação”.
Sua vida de oração é profunda e rica? Ela fortalece sua fé e
muda sua vida? Talvez a primeira pergunta que você precisa fazer é: Quanto
tempo eu passo em oração?
Nota Explicativa:
Para os israelitas, encontrar a Deus no santuário era um ato de adoração. Ali
suas necessidades eram satisfeitas. Suas ansiedades eram acalmadas. Saber que
Deus estava ali, tão perto, o mais perto que Lhe era possível estar de Seus
filhos, apaziguava os corações. A certeza da presença do Pai tem essa
propriedade. Eles sabiam que encontrariam no Pai refúgio e conforto. Suas
orações seriam ouvidas e sua sede espiritual seria saciada (ver Sl 43:2, 4, 5;
18:6; 63:1, 2).
No templo, os fiéis demonstravam sua gratidão, pagavam seus
votos (Sl 66:13-15), confessavam seus pecados e buscavam o perdão do Senhor (Sl
32). As bênçãos e a justiça divinas estavam disponíveis no santuário (Sl
24:3-5).
Resumindo, a vida do povo de Deus girava ao redor do
santuário/templo. Nos dias atuais, em que há uma especialidade para cada
problema, não existe um centro ao qual recorrer. Existem muitos e, pela atitude
de pretensos fiéis, Deus parece não estar em nenhum deles. Enquanto Deus busca
proximidade com Seu povo, este parece optar pelo distanciamento, e o Senhor é
aquele plano “z”, o último, depois que todas as alternativas humanas foram
experimentadas e fracassaram. O resultado é uma vida vazia, destituída de
sentido e propósitos, com suas consequências dolorosas e inevitáveis.
Mas o caminho do santuário ainda se encontra aberto para
todo aquele que deseja se aproximar do Pai e experimentar a presença de Deus em
sua vida.
“Até que entrei no santuário”
Repetidamente, os Salmos mostram que o santuário desempenha
papel importante no relacionamento entre os fiéis e Deus. Bem conhecida é a
firme convicção de Davi expressa no fim do Salmo 23, de que ele “[habitaria] na
Casa do Senhor para todo o sempre” (v. 6). O maior desejo de Davi no Salmo 27
era o de estar na presença do Senhor, uma presença que era mais bem
experimentada no santuário. A fim de mostrar quanto amava o santuário, Davi
usou ampla variedade de expressões para se referir a ele, chamando-o de casa do
Senhor, templo, tabernáculo e tenda. Era ali que se podia meditar e “contemplar
a beleza do Senhor” (Sl 27:4).
As atividades de Deus no santuário ilustram alguns pontos
cruciais: Ele mantém seguro o adorador e o ocultará em seu tabernáculo, mesmo
em tempos difíceis (Sl 27:5). Deus provê refúgio seguro e garante paz de
espírito a todos os que vão à Sua presença. Essas expressões conectam a beleza
de Deus ao que Ele faz por Seu povo. Além disso, o ritual do santuário com seu
significado simbólico mostra a bondade e a justiça de Deus.
O objetivo final do desejo mais profundo de Davi não era
simplesmente estar no santuário, mas que o Senhor estivesse presente com ele.
Por isso Davi resolveu buscar a Deus (Sl 27:4, 8).
6. Leia o Salmo
73:1-17. Que ideias Asafe obteve depois de entrar no santuário?
No Salmo 73, Asafe abordou o problema do sofrimento. Ele não
conseguia entender o aparente sucesso dos ímpios (v. 4-12) enquanto os fiéis
eram afligidos. Ele mesmo quase escorregou (v. 1-3), mas entrar no santuário
fez diferença (v. 13-17). Ali Asafe pôde ver o mesmo poder e glória que Davi
mencionou no Salmo 63:2 e reconhecer que as condições daquele momento um dia
mudariam e a justiça seria feita. Ele pôde refletir novamente sobre a verdade e
receber a reafirmação de que os ímpios estão em terreno escorregadio (Sl
73:18-20) e os fiéis estão seguros (v. 21-28). Para os que buscam a Deus, o
santuário se torna um lugar de confiança, uma fortaleza de vida, onde Deus os
colocará “sobre uma rocha” (Sl 27:5). A partir da verdade ensinada pelo ritual
do santuário, podemos realmente aprender a confiar na bondade e na justiça de
Deus.
Conclusão: O
Salmo 73 produz respostas semelhantes em leitores diferentes, independentemente
de tempo, lugar ou posição. Os leitores se sentem aliviados e fortalecidos com
palavras tão antigas e que se encaixam perfeitamente em sua condição atual.
Parece que o salmista escreveu pensando no caso particular de cada leitor. E
por que isso ocorre? Porque, desde a entrada do pecado no mundo, o homem tem
lutado com o problema da existência do mal e a atuação de um Deus justo e bom.
Muitas vezes, gostaríamos de ver a justiça de Deus em ação, mas isso não
acontece. Os que levam uma vida pecaminosa nem sempre são punidos, enquanto os
justos frequentemente parecem não ser recompensados. E nos vem à mente o
pensamento: “O crime compensa”. O Salmo 73 trata desses assuntos – a
prosperidade dos ímpios, o problema do mal e a posição do filho de Deus frente
a tudo isso.
O grande problema aqui é que, inicialmente, o salmista
estava concentrado nos ímpios, e sua percepção da realidade foi distorcida,
visto que seu foco estava mal dirigido. Foi levado a pensar apenas em termos
humanos: “ímpios x justos”. Quem está ganhando? O que vale mais a pena? Parece
que uma vida baseada no engano, na mentira, na malícia, produz resultados mais
favoráveis a uma “boa” vida. Os ímpios prosperam, gozam de boa saúde, ocupam
posições destacadas, livres de preocupação, e parece que não lhes falta nada.
Por outro lado, muitos fiéis experimentam a pobreza, enfermidades, a morte de
pessoas queridas, etc. E essa situação parece se prolongar além do que consideramos
suficiente.
O ponto crucial desse salmo é encontrado no verso 17 – “até
que entrei no santuário e atinei com o fim deles [dos ímpios]”. A experiência
do salmista no santuário o levou a olhar a realidade da perspectiva correta,
isto é, da perspectiva de Deus. Se antes ele estava confuso, perplexo,
desorientado, sua experiência no santuário, refletindo na grandeza, santidade,
poder, amor e justiça de Deus deu-lhe uma nova orientação e aplacou sua
angústia. Somente quando Deus ocupa o centro de nossa visão, passamos a ver as
coisas como elas realmente são. Os ímpios, por escolherem uma vida sem Deus,
estão destinados a perecer (v. 27). Os justos, por confiarem a vida nas mãos de
Deus, estão destinados à salvação e felicidade eterna (v. 24).
Como já disse alguém: “Não escreva seu diário ao findar o
dia.” A verdadeira compreensão de tudo o que nos aconteceu, ou acontece, nem
sempre ocorre imediatamente. Pode demandar toda a nossa vida. Ou ainda pode
transcender o nosso tempo neste mundo, e somente na eternidade encontraremos as
respostas que buscamos. O que fazer enquanto isso? O salmista indica o caminho:
“Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no Senhor Deus ponho o meu refúgio”
(v. 28). Aqui ele afirma sua crença na presença eterna de Deus, e sua disposição
em permanecer fiel ao Senhor, proclamando “todos os Seus feitos” (v. 28).
Para reflexão: No
santuário celestial Cristo permanece realizando Sua obra em favor dos fiéis,
respondendo suas dúvidas, sustentando-os com Seu poder. Para quem estamos
olhando hoje? Para os ímpios? Aos que nos feriram ou magoaram? Testemunhas
falsas? Aos mentirosos? Precisamos corrigir o foco, olhar para Cristo em Seu
santuário, e desfrutar a paz que resulta de saber que todas as coisas, ainda
que as evidências pareçam indicar o contrário, estão sob Seu controle, e que
Ele dará a palavra final a tudo que acontece no mundo em geral e na vida de
Seus servos em particular.
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