Exames no sábado: problema ou oportunidade?



Rebeca S. Diez
Diálogo,
9(3), 32-33.


Central da Venezuela — a de maior prestígio em meu país
— estava apreensiva, como a maioria dos estudantes adventistas, que
eu teria de enfrentar o problema de exames no sábado. No começo
de cada semestre orava fervorosamente que Deus interviesse de modo que,
se fosse Sua vontade, não houvesse tal exame. Mas aquele dia finalmente
chegou.

Quando comecei meu estudo de física na Universidade

Durante o segundo semestre de meu segundo ano, matriculei-me
em Matemática III e Mecânica I. No primeiro dia de aulas,
o professor de matemática anunciou que, a fim de aliviar a pressão
associada com exames, ele planejava marcá-los para o sábado.
Minha mente disparou: “Devia pedir uma exceção naquele
momento ou devia abordar o professor no final da aula? Que faria se ele
rejeitasse meu pedido de um horário diferente? Por que permitia
Deus que isso me acontecesse?”


Decidi abordá-lo em particular no final da aula.
Expliquei-lhe as razões para meu pedido e, para meu grande alívio,
ele me disse que me ajudaria mudando o horário dos exames para
quarta-feira. Senti-me tão grata!


Na classe de Mecânica I tive ocasião de
granjear a amizade de vários colegas e de partilhar com eles minha
fé e esperança cristãs. Além disso, fiz bom
conhecimento com o professor ao partilharmos nosso interesse comum em
vegetarianismo e na língua alemã. Durante um período
de recreio, enquanto conversávamos informalmente no corredor, ele
perguntou-me se eu praticava meditação. Respondi afirmativamente,
dizendo que cada dia eu falava com Deus em oração e meditava
sobre Sua palavra. Ao voltarmos para a classe, ele falou brevemente sobre
os benefícios da meditação e acrescentou: “Há
muitos que dizem que crêem em Deus, mas não seguem Seu caminho.
Para realmente seguir o caminho de Deus, é necessário devoção
total”.


Eu queria falar mais claramente com esse professor
sobre minha fé, porque sentia que ele era um indagador sincero,
mas não achei oportunidade de fazê-lo. Mais perto do fim
do semestre, li no quadro de anúncios que o exame final de Mecânica
I ia cair no sábado. Embora apreensiva, senti que Deus me estava
dando uma oportunidade de testemunhar a esse professor.


No final de uma das aulas, expliquei ao professor que
eu não podia fazer o exame na data marcada. Ele queria saber se
meu pedido tinha que ver só com aquele sábado em particular
ou com qualquer outro sábado. Ouvindo minha resposta afirmativa,
ele indagou se isso também se aplicava à sexta-feira à
noite. Senti que ele suspeitava que atrás de meu pedido havia convicções
religiosas. O professor disse que veria o que podia fazer para me ajudar.
Naquela noite orei a Deus: “Senhor, estou pronta a testemunhar a
este professor, mas deves dar-me a oportunidade!” Na manhã
seguinte, depois da aula, o professor queria confirmar se minha decisão
de fazer o pedido para uma data diferente para o exame final, era definitiva.
Respondi que era, “mesmo minha vida estava em jogo”.


“Você não está exagerando?”
perguntou o professor, intrigado. Isto deu-me a oportunidade de citar
suas próprias palavras à classe, quando disse que para realmente
seguir o caminho de Deus, era preciso devoção total. Expliquei
que cada sábado eu tinha um encontro pessoal com Deus e que isso
era uma prioridade em minha vida. Orando silenciosamente, também
lhe dei um esboço breve do fundamento bíblico de minhas
convicções e falei-lhe da Igreja Adventista do Sétimo
Dia, da qual era membro.


O professor anunciou à classe de Mecânica
I que um dos estudantes não podia fazer o exame final na data marcada
por motivos de consciência. Disse que se todos os 33 estudantes
assinassem um pedido formal, ele o levaria ao Escritório de Coordenação
de Estudos e tentaria mudar a data. Isto foi precisamente o que aconteceu.
Que alívio e que alegria!


Baseando-nos nessas conversações e contatos
amistosos que o professor tinha tido com outros estudantes adventistas,
nós o convidamos a assistir a uma preleção sobre
nutrição apresentada por um médico adventista e patrocinada
pelo Grupo de Estudantes Adventistas na Universidade Central da Venezuela.*
Ele ficou bem impressionado, e continuamos a orar por ele. Mas isto foi
apenas o começo…


Como resultado desses incidentes, todos meus colegas
na classe de Mecânica I ficaram sabendo da Igreja Adventista do
Sétimo Dia, cujos membros se deleitam em adorar a Deus no sétimo
dia, e sobre as vantagens de um estilo de vida saudável, baseado
nas instruções de Deus. Eles espalharam a notícia
através da Escola de Ciências e logo começamos a ver
os resultados maravilhosos de nosso testemunho e nossas orações.


Pela graça de Deus, dois de meus colegas em
Mecânica II começaram a estudar a Bíblia conosco e
mais tarde uniram-se à Igreja Adventista mediante o batismo. Um
deles foi Javier, agora meu noivo, e o outro, João. Um outro estudante,
Eduardo, pensa em dar o mesmo passo. Três outros estudantes que
não estavam tomando os cursos de Mecânica I e II, foram também
batizados. Vários membros do Grupo de Estudantes Adventistas estão
agora dando estudos bíblicos a cerca de vinte moços e moças,
a maioria deles colegas universitários. Confiamos na promessa da
Bíblia: “Lança o teu pão sobre as águas,
porque depois de muitos dias o acharás”. Eclesiastes 11:1.


E não sou a única adventista na Escola
de Cíências — agora somos um grupo dinâmico!


Alguns leitores podem pensar: “Ela teve sorte
e agora tudo é fácil para ela e para seus colegas adventistas
na universidade”. Não creiam um só momento que nossa
provação findou. Deus sabe porquê. Este ano, de novo,
tenho exames marcados para o sábado. Felizmente João e eu
somos estudantes na mesma classe e juntos abordamos o professor. Ele disse
que conhecia colegas na profissão que são adventistas e
que para eles o sábado é um dia especial, de pôr-de-sol
a pôr-de-sol. Além disso, contou-nos que no ano passado outro
estudante adventista em seu curso decidiu sair da classe porque os exames
foram marcados para o sábado. Somos tão gratos por sua fidelidade
a suas convicções! Posso imaginar a reação
desse professor se tivesse visto incoerência entre estudantes adventistas.


Conheço também um estudante adventista
que faz um curso de gerência em minha universidade, que teve de
matricular-se no mesmo curso sete vezes sucessivas porque os exames eram
sempre marcados para o sábado e ele sempre se recusava a fazê-los
naquele dia especial. Visto que não podia ter a data mudada, de
um ponto de vista humano ele “desperdiçou” dois anos
e meio. Mas Deus sabe do resultado final. Muitos professores e estudantes
souberam da lealdade de meu amigo à sua fé. Creio que seu
testemunho pode ser usado pelo Espírito Santo para despertar a
consciência de outros e levá-los à verdade de Deus.
Aquilo que é um “desperdício” e derrota aparente
pode tornar-se uma vitória e um ganho eterno. “Quem sai andando
e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo trazendo
seus feixes”. Salmo 126:6.


A partir de minha própria experiência,
quero fazer um apelo pessoal a estudantes universitários adventistas
em toda parte. Não ore para que Deus o livre de enfrentar aulas
ou exames no sábado. Antes peça-Lhe que lhe dê sabedoria
e força para enfrentar o desafio e tornar-se uma testemunha fiel.
O que parece ser um problema em seus estudos pode ser uma oportunidade
que Deus lhe apresenta para partilhar sua fé com seus professores
e colegas. Por que “como invocarão Aquele em quem não
creram? e como crerão nAquele de quem nada ouviram? e como ouvirão,
se não há quem pregue”? Romanos 10:14.


O destino eterno de muitos estudantes e professores
em campi universitários em toda parte pende na balança.
Seu próximo exame marcado para um sábado e sua lealdade
e tato bem podem ser os fatores que lhes darão uma chance de conhecer
a Deus, aceitar Sua graça que salva, e unir-se à sua família
na Terra.


(*) O Grupo de Estudantes Adventistas da Universidade
Central da Venezuela envolve estudantes adventistas em apoio mútuo
e em ação evangelística. Apreciamos contato com estudantes
adventistas de outros campi e de outras associações de estudantes
adventistas. Podem comunicar-se conosco em espanhol, inglês, alemão
ou português. Escrevam para mim ou para Javier Escobar, um dos oficiais
do Grupo, no endereço postal seguinte: Apartado 47-797; Caracas,
1064-A; Venezuela. Podem também comunicar-se conosco via E-mail:
jgarcia@strix.ucv.ciens.ve; jescobar@strix.uvc.ciens.ve; ou rdiez@strix.ucv.ciens.ve.

ints de Queijo Branco - Receita Israelita

Faltam apenas alguns dias para Shavuot, você deve ter percebido pela contagem do Ômer, não é mesmo?
Pois nessa época do ano é costume consumir alimentos a base de leite, já que a Torah é comparada ao leite materno (completo!) e Shavuot comemora a outorga da Torah, além da colheita dos primeiros frutos da terra e a descida do Espírito Santo sobre os discípulos em Jerusalém.
Experimente esta saborosa receita conosco e Feliz Festa de Shavuot!!
 
Ingredientes:
1 e ½ xícara de água ou leite
¾ xícara de farinha
½ colherinha de sal
3 ovos
Recheio:
2 colheres de creme de leite azêdo
2 colheres de açúcar
400 gramas de queijo branco
2 colherinhas de sal
2 gemas
Modo de preparo:
Bata todos os ingredientes no liquidificador. Unte uma frigideira com um pouco de manteiga e aqueça. Adicione uma pequena porção da massa utilizando uma concha. Observe a superfície da massa que deverá perder o brilho e as laterais que ficarão levemente douradas: é hora de retirar a massa da frigideira. Repita o processo até acabar. Coloque os discos de massa num prato, o lado torrado para cima, e despeje uma colher do recheio. Enrole e feche em forma de envelope e acomode num pirex. Leve ao forno moderado e sirva quente com um creme de sua preferência.
Recheio:
Misturar bem todos os ingredientes indicados.

A Verdade do Santuário uma Introdução

Escrevendo sobre o que devia ser realizado antes da vinda do Senhor, pela Igreja Adventista do Sétimo Dia que despontava, Ellen G. White disse em 1883: {CS 7.1}
“O espírito dos crentes devia se dirigido ao santuário celeste, aonde Cristo entrara para fazer expiação por Seu povo.” — Mensagens Escolhidas 1:67. {CS 7.2}
Numa situação de crise em 1906, quando vários dos ensinos básicos dos adventistas do sétimo dia estavam sendo ameaçados, ela escreveu: {CS 7.3}
“A compreensão correta do ministério do santuário celestial constitui o alicerce de nossa fé.” — Evangelismo, 221. {CS 7.4}
O fim dos 2300 dias
Entre as profecias que formam a base do despertamento do movimento adventista na primeira década dos anos 1830 e 1840 estava a de Daniel 8:14: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.” Ellen White, que passou pela experiência, esclarece com respeito à aplicação desta profecia: {CS 7.5}
“Em conformidade com o resto do mundo cristão, os adventistas admitiam, nesse tempo, que a Terra, ou alguma parte dela, era o santuário. Entendiam que a purificação do santuário fosse a purificação da Terra pelos fogos do último grande dia, e que ocorreria por ocasião do segundo advento. Daí a conclusão de que Cristo voltaria à Terra em 1844.” — O Grande Conflito, 408. {CS 8.1}
Este período profético chegou ao fim em 22 de Outubro de 1844. Para os que esperavam encontrar o Senhor nesse dia, o desapontamento foi grande. Hirão Edson, um criterioso estudioso da Bíblia na parte média do Estado de Nova Iorque, descreve o que aconteceu entre o grupo de crentes de que ele era parte: {CS 8.2}
“Nossas expectações haviam-se elevado alto, e assim aguardávamos a vinda de nosso Senhor, até que o relógio soou as doze horas da meia-noite. O dia havia-se passado então, e nosso desapontamento havia-se tornado uma certeza. Nossas mais fundas esperanças e expectações foram derruídas, e sobre nós veio tal espírito de pranto como jamais havíamos experimentado antes. Parecia que a perda de todos os amigos terrestres não podia ter comparação. Choramos e choramos, até que o dia raiou. ... {CS 8.3}
“Ponderando em meu coração, eu disse a mim mesmo: ‘Minha experiência do advento tem sido a mais bela de toda a minha experiência cristã. ... Falhou a Bíblia? Não há Deus, nem Céu, nem cidade dourada e nem

Cativos Para Babiónia

No ano nono do reinado de Zedequias, “Nabucodonosor, rei de Babilónia  veio contra Jerusalém, ele e todo o seu exército”, a fim de sitiar a cidade. II Reis 25:1. A perspectiva para Judá era desesperadora. “Eis que sou contra ti”, o Senhor mesmo declarou por intermédio de Ezequiel. “Eu o Senhor, tirei a Minha espada da bainha; nunca mais voltará a ela. … Todo o coração desmaiará, e todas as mãos se enfraquecerão, e todo o espírito se angustiará, e todos os joelhos de desfarão em águas.” “Derramarei sobre ti a Minha indignação, assoprarei contra ti o fogo do Meu furor, entregar-te-ei nas mãos dos homens brutais, inventores de destruição.” Ezeq. 21:3, 5-7 e 31.

Os egípcios procuraram vir em socorro da cidade sitiada; e os caldeus, com o propósito de afastá-los, abandonaram por algum tempo o cerco da capital de Judá. A esperança repontou no coração de Zedequias, e ele enviou um mensageiro a Jeremias, pedindo-lhe que orasse a Deus em favor da nação hebraica.
A terrível resposta do profeta foi que os caldeus retornariam e destruiriam a cidade. O decreto havia saído; não mais poderia a impenitente nação evitar os juízos divinos. “Não enganeis as vossas almas”, o Senhor advertiu a Seu povo. “Os caldeus… não se irão. Porque ainda que ferísseis a todo o exército dos caldeus, que peleja contra vós, e ficassem deles apenas homens trespassados, cada um se levantaria na sua tenda, e queimaria a fogo esta cidade.” Jer. 37:9 e 10. O remanescente de Judá devia ir em cativeiro, a fim de que aprendesse através da adversidade as lições que tinha recusado aprender em circunstâncias mais favoráveis. Deste decreto do santo Vigia não haveria apelação.
Entre os justos que ainda restavam em Jerusalém, a quem tinha sido tornado claro o propósito divino, alguns havia que se determinaram colocar além do alcance das mãos cruéis a sagrada arca que continha as tábuas de pedra sobre a qual haviam sido traçados os preceitos do decálogo. Isto eles fizeram. Com lamento e tristeza esconderam a arca numa caverna, onde devia ficar oculta do povo de Israel e de Judá por causa de seus pecados, não mais sendo-lhes restituída. Esta sagrada arca ainda está oculta. Jamais foi perturbada desde que foi escondida.
Por muitos anos Jeremias havia estado perante o povo como uma fiel testemunha de Deus; e agora, estando

Casamento Judaico.

Os escritos Judaicos ensinam que os casamentos são “combinados” nos Céus. Diz o Talmud (no tratado Sotá 2a): “Quarenta dias antes da concepção é decretado nos Céus que a filha desta pessoa está prometida ao filho daquela outra”.
Fonte: Revista Morashá Edição 29 – Junho de 2000
Mas não podemos esquecer do livre arbítrio. Por isso, apesar de Deus estar envolvido na união de cada par, a decisão final cabe ao indivíduo, já que cada um de nós pode interferir no seu próprio destino.
 O próprio Todo-Poderoso, ao criar o homem, percebeu a necessidade deste ter um companheiro fiel que o acompanhasse ao longo da vida. “E disse o Eterno: “Não é bom que o homem esteja só” (Génese 2:18). E Deus criou Eva a partir da costela de Adão, assim ordenando: “E é por isso que o homem deixará o seu pai

Qual a Razão dos Dez Mandamentos Terem Sido Dados no Sinai?

Todos sabem que os Dez Mandamentos foram outorgados por Deus no Monte Sinai. Mas por que especialmente no Monte Sinai?
A Midrash afirma que o Monte Sinai não era a mais alta e a mais esplêndida das montanhas. Na verdade, é descrita como sendo a menos alta de todas as montanhas que poderiam ter sido escolhidas. Apesar disso, Deus escolheu o Sinai para dar a Torá para ensinar-nos uma importante mensagem: dizer-nos que a humildade é um pré-requisito para o estudo de Torá.
A Torá vem de Deus. Ao ouvirmos uma instrução da Torá, precisamos da capacidade de ouvir. Esta é uma rara qualidade: geralmente o nosso próprio ego intromete-se. Ouvimos as nossas próprias ideias, não aquilo que a Torá está a dizer. A humildade está uma etapa além do nosso ego, um estado de espírito de ausência de egoísmo, que nos torna receptivos à Torá. Assim é dito no final da prece diária de Amidá: "Que minha alma seja como o pó - abre meu coração à Tua Torá."
Um comentário chassídico sobre esta ideia vai um passo além. Certamente, se a ênfase está na humildade, por que então escolher uma montanha? A mensagem não teria sido mais profundamente sentida se a Torá fosse entregue numa planície, ou melhor ainda, num vale?
 
Este enigma é explicado assim: embora a humildade seja importante, há muitas ocasiões na vida judaica em que se exige uma atitude mais enérgica e mais determinada. O sacrifício pessoal, perseverança em face ao ridículo ou ao desprezo, a prontidão de sofrer pela fé são reações muitas vezes necessárias.
É interessante que bem no início do Código da Lei Judaica esteja a afirmação: "Não fique constrangido por zombaria e ridículo." Se alguém vacilasse no cumprimento de uma lei judaica simplesmente devido à crítica zombeteira dos outros, logo não existiria mais muita observância das leis!
Portanto, duas qualidades são necessárias: humildade e força. A capacidade de ouvir, e também a firmeza de ser capaz de lutar contra a corrente. Ambas as qualidades estão expressas na imagem do Monte Sinai.
Transcrito por: Ernesto Neto (Eliyahu ben Avraham)

Adaptação por José Carlos Costa

O Tabernáculo de Moisés e Cerimónias

A posição dos querubins, tendo o rosto voltado um para o outro, e olhando reverentemente abaixo para a arca, representava a reverência com que a hoste celestial considera a lei de Deus, e seu interesse no plano da redenção.
Acima do propiciatório estava o shekinah, manifestação da presença divina; e dentre os querubins Deus tornava conhecida a Sua vontade. Mensagens divinas às vezes eram comunicadas ao sumo sacerdote por uma voz da nuvem. Algumas vezes uma luz caía sobre o anjo à direita, para significar aprovação ou aceitação; ou uma sombra ou nuvem repousava sobre o que ficava ao lado esquerdo, para revelar reprovação ou rejeição.

A lei de Deus, encerrada na arca, era a grande regra de justiça e juízo. Aquela lei sentenciava a morte ao transgressor; mas acima da lei estava o propiciatório, sobre o qual se revelava a presença de Deus, e do qual, em virtude da obra expiatória, se concedia o perdão ao pecador arrependido. Assim …”a misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram”. Sal. 85:10.
Nenhuma linguagem pode descrever a glória do cenário apresentado dentro do santuário – as paredes chapeadas de ouro que refletiam a luz do áureo castiçal, os brilhantes matizes das cortinas ricamente bordadas com seus resplendentes anjos, a mesa e o altar de incenso, brilhante pelo

Encerramento do Ministério de Cristo no Santuário Celestial


A pregação de um tempo definido para o juízo, na proclamação da primeira mensagem, foi ordenada por Deus. O cômputo dos períodos proféticos nos quais se baseava aquela mensagem, localizando o final dos 2.300 dias no outono de 1844, paira acima de qualquer contestação. O Grande Conflito, pág. 457.
"Eu continuei olhando", diz o profeta Daniel, "até que foram postos uns tronos, e um Ancião de Dias Se assentou; o Seu vestido era branco como a neve, e o cabelo de Sua cabeça como a limpa lã; o Seu trono chamas de fogo, e as rodas dele fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante dEle; milhares de milhares O serviam, e milhões de milhões estavam diante dEle; assentou-se o juízo, e abriram-se os livros." Dan. 7:9 e 10.
Assim foi apresentado à visão do profeta o grande e solene dia em que o caráter e vida dos homens passariam em revista perante o Juiz de toda a Terra, e cada homem seria recompensado "segundo as suas obras". O Ancião de Dias é Deus, o Pai. Diz o salmista: "Antes que os montes nascessem, ou que Tu formasses a Terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, Tu és Deus." Sal. 90:2. É Ele, fonte de todo ser e de toda lei, que deve presidir ao juízo. E santos anjos, como ministros e testemunhas, em número de "milhares de milhares, e milhões de milhões", assistem a esse grande tribunal.
"E, eis que vinha nas nuvens do céu Um como o Filho do homem; e dirigiu-Se ao Ancião de Dias, e O fizeram chegar até Ele. E foi-lhe dado o domínio e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas O servissem; o Seu domínio é um domínio eterno, que não passará." Dan. 7:13 e 14. A vinda de Cristo aqui descrita não é a Sua segunda vinda à Terra. Ele vem ao Ancião de Dias, no Céu, para receber o domínio, a honra, e o reino, os quais Lhe serão dados no final de Sua obra de mediador. É esta vinda, e não o seu segundo advento à Terra, que foi predita na profecia como devendo ocorrer ao terminarem os 2.300 dias, em 1844. Assistido por anjos celestiais, nosso grande Sumo Sacerdote entra no lugar santíssimo, e ali comparece à presença de Deus a fim de Se entregar aos últimos atos de Seu ministério em prol do homem, a saber: realizar a obra do juízo de investigação e fazer expiação por todos os que se verificarem com direito aos benefícios da mesma.
Os Únicos Casos Considerados
No cerimonial típico, somente os que tinham vindo perante Deus com confissão e arrependimento, e cujos pecados, por meio do sangue da oferta para o pecado, eram transferidos para o santuário, é que tinham parte na cerimónia do dia da expiação. Assim, no grande dia da expiação final e do juízo investigativo, os únicos casos a serem considerados são os do povo professo de Deus. O julgamento dos ímpios constitui obra distinta e separada, e ocorre em ocasião posterior. "É tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho?" I Ped. 4:17.
Os livros de registro no Céu, nos quais estão relatados os nomes e ações dos homens, devem determinar a decisão do juízo. Diz o profeta Daniel: "Assentou-se o juízo, e abriram-se os livros." O escritor do Apocalipse, descrevendo a mesma cena, acrescenta: "Abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras." Apoc. 20:12.
O livro da vida contém os nomes de todos os que já entraram para o serviço de Deus. Jesus ordenou a Seus discípulos:
"Alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos Céus." Luc. 10:20. Paulo fala de seus fiéis cooperadores, "cujos nomes estão no livro da vida". Filip. 4:3. Daniel olhando através dos séculos para um "tempo de angústia qual nunca houve", declara que se livrará o povo de Deus, "todo aquele que se achar escrito no livro". E João, no Apocalipse, diz que apenas entrarão na cidade de Deus aqueles cujos nomes "estão inscritos no livro da vida do Cordeiro". Dan. 12:1; Apoc. 21:27.
"Há um memorial escrito diante" de Deus, no qual estão registradas as boas ações dos "que temem ao Senhor, e para os que se lembram do Seu nome." Mal. 3:16. Suas palavras de fé, seus atos de amor, acham-se registrados no Céu. Neemias a isto se refere quando diz: "Deus meu, lembra-Te de mim; e não risques as beneficências que eu fiz à casa de meu Deus." Nee. 13:14. No livro memorial de Deus

A CHAMA DESVANECIDA


Era a primeira noite de Chanucá. Do lado de fora, uma tempestade de neve assolava a região, mas no interior da casa havia tranquilidade e calor. O Rebe, Rabino Baruch de Mezhibuz, neto do Baal Shem Tov, estava parado diante da chanuquiá, rodeado por um grupo dos seus chassidim.
Recitando as bênçãos com grande devoção, acendeu a vela única, colocou o shamash, a vela auxiliar, no lugar apropriado, e começou a cantar Hanerot Halalu. O seu rosto irradiava santidade e júbilo; os chassidim, extasiados, tinham o olhar fixo no mestre.
A chama da vela ardia com vigor. O Rebe e seus chassidim, sentados ao lado, cantavam Maoz Tsur e outras melodias de Chanucá. De repente, a vela começa a tremeluzir e a saltar, descontrolada, apesar de não haver, na casa fechada, nenhuma corrente de ar. Era como se a chama estivesse dançando, animadamente. Ou se debatendo. E, de repente, desapareceu!
Não que se tivesse apagado pois não havia fumo; simplesmente se desvanecera. Era como se tivesse voado para outra parte. O Rebe parecia perdido, absorto nos seus pensamentos. O seu assistente quis reacender o pavio, no que foi impedido pelo mestre.
Fez um sinal para que os chassidim continuassem a cantar. Várias vezes, entre as melodias, o Rebe comentava trechos da Torá. A noite passou, muito agradável, e os chassidim que lá estavam esqueceram-se, por completo, da vela de Chanucá desaparecida.
Já era quase meia-noite, quando a tranquilidade foi bruscamente interrompida pelo som áspero das rodas de uma carruagem rangendo contra o gelo da neve endurecida. A porta da casa abriu-se, num rompante, fazendo surgir um chassid que vinha de um vilarejo distante. A sua entrada foi um choque. As suas vestes estavam rasgadas e sujas, o seu rosto inchado e sangrando. Mas, apesar do contraste gritante com a sua aparência física, os seus olhos brilhavam e as suas feições resplandeciam de júbilo.
 
Sentou-se à mesa e, com todos os olhos cravados nele, começou a falar, com grande excitação. “Não é a primeira vez que venho a Mezhibuz pelo caminho da floresta e conheço muito bem o trajeto. Mas, esta semana, houve uma grande nevasca e isto retardou a minha viagem. Comecei a me preocupar que não chegaria aqui a tempo de desfrutar da companhia do Rebe na primeira noite de Chanucá. Este pensamento me perturbou a tal ponto que não esperei que a tempestade cedesse, continuando a jornada, dia e noite, na esperança de chegar a meu destino a tempo.
 
“A ideia foi tola, tenho que admitir, mas quando me dei conta, já era tarde. Ontem à noite, deparei-me com um bando de ladrões que ficaram felizes de me encontrar. Imaginavam que se eu estava em viagem com aquele tempo, à noite, sozinho, certamente era um rico comerciante cujos negócios não poderiam tolerar nenhum atraso. Obrigaram-me a lhes entregar todo o meu dinheiro.
Tentei explicar-lhes as minhas razões, implorando-lhes, mas eles recusaram terminantemente a acreditar que eu não tinha dinheiro. Agarraram as rédeas do meu cavalo e saltaram sobre a carroça. Aboletaram-se a meu lado, mantendo-me sob sua mira, e dirigiram a carroça até ao acampamento do chefe do bando para lá decidir a minha sorte.
Enquanto esperavam pelo chefe, questionaram-me e me perscrutaram, com riqueza de detalhes, revistando a carroça e a minha pessoa. Espancaram-me, na tentativa de arrancar o segredo acerca do meu dinheiro. Só tinha para lhes contar a verdade e esta eles não estavam preparados para aceitar.
 
Após horas daquela tortura, eles me amarraram e me atiraram, ferido e exausto, num porão escuro. Os meus ferimentos sangravam e todo o meu corpo ardia de dor. Lá fiquei até à noite, quando o chefe dos bandidos veio ter comigo.
 
Tentei, da melhor forma possível, descrever-lhe a grande alegria de estar na presença do Rebe e de como era importante, para mim, chegar à sua casa antes que se iniciasse a festividade. E tamanha importância justificava o risco que eu correra por viajar à noite, em meio à tempestade.
 
Ao que parece, as minhas palavras o impressionaram. Ou então ele foi persuadido pela minha determinação inabalável, ainda que sob tortura. Não importa o motivo, mas dou graças a D”us por ele ter-me livrado das algemas, dizendo”:
“Vejo que a tua fé em D”us é forte e que o teu desejo de estar com o seu Rebe é genuíno e intenso. Mas agora veremos se isto é verdade. Vou libertá-lo, mas fique sabendo que o caminho é extremamente perigoso. Mesmo os mais resistentes não se expõem a atravessar a floresta, sozinhos, fazendo-o apenas em grupo, e muito menos numa noite de tempestade. Vá embora e tente a sua sorte. E lhe prometo: se você conseguir cruzar a floresta nestas condições terríveis e chegar do outro lado a salvo, sem ser molestado pelas bestas ferozes e outros perigos, acabarei com o meu bando e mudarei completamente o meu comportamento e meus hábitos:
Se conseguir sair dos limites da cidade, jogue o seu lenço na vala à beira da estrada, atrás da placa de sinalização. Um dos meus homens estará esperando. Assim saberei se você o conseguiu”.
 
“Foi aí que o terror voltou a se apossar de mim. As agruras pelas quais eu passara já se tinham cicatrizado, em minha alma. E, agora, pesadelos ainda mais negros me assaltavam. Mas quando pensei na maravilha que seria estar com o Rebe à luz da chanuquiá, afastei do meu espírito todas as apreensões. Não tinha mais nenhum minuto a perder. Devolveram-me o meu cavalo e a carroça e me pus a caminho:
Estava um breu, do lado de fora. Ouvia perfeitamente os sons dos animais da floresta, que pareciam estar muito próximos. Temi estar cercado por um bando de lobos.
Agachando-me próximo ao pescoço do cavalo, com a espora instiguei-o a andar. Ele se recusava a adentrar naquela escuridão total. Chicoteei-o. O animal nem se moveu.

Não sabia mais o que fazer. Naquele momento, surgiu uma luzinha tremeluzente diante da carroça. O cavalo adiantou-se em sua direção. A luz avançava; o cavalo, seguindo-a. E durante todo o caminho, os animais ferozes fugiam de nós, como se aquela chama minúscula e dançante os estivesse afastando.
 
Seguimos a chama até chegar aqui. Cumpri a minha parte do trato e atirei o lenço no local indicado. Quem sabe? Talvez aqueles bandidos cruéis mudassem seu comportamento, tudo por mérito daquela pequenina luz”.
Foi aí que os chassidim perceberam que a luz de Chanucá havia retornado ao seu lugar. E lá estava, ardendo no lindo candelabro, com uma chama forte e pura, como se tivesse sido acesa há pouco.
 
Nota biográfica:
 O Rabino Baruch nasceu em 1753, em Mezhibuz, a cidade de onde o seu ilustre avô, o Baal Shem Tov, conduziu o Movimento do Chassidismo, por ele fundado. O Rabino era filho de Adele, filha do Baal Shem Tov e do Rabino Yechiel Ashkenazi. Ele foi um dos rabinos mais proeminentes na geração de discípulos do Maguid de Mezritch e teve milhares de chassidim como seus seguidores.
 
Bibliografia:
 Recontado pelo Rabino Yrachmiel Tilles, na Sichat Ha-Shavua nº 53, publicada pela organização ASCENT, de Safed, em Israel.
 (Tradução: L. Wachsmann)
 
Fonte: Revista Morashá – Edição 39 – Dezembro de 2002