Moisés e o Êxodo

Moisés nasceu aproximadamente em 1500 AC. Ele foi escolhido para tirar Israel da escravidão, e lhes entregar as leis de Deus. Quando o Livro de Êxodo começa, os hebreu moravam no Egito, e com o passar do tempo cresceram em número e o novo Faraó que não conheceu a José, escravizou os hebreus, com amarga escravidão. Os escravos hebreus, com o tempo, começaram a se reproduzir tão rapidamente que o rei se sentia ameaçado por uma revolta em potencial contra a sua autoridade. Então, ele deu ordens de que a mais nenhuma criança hebréia do sexo masculino poderia viver. Para salvar o pequeno Moisés, sua mãe fez uma cesta de papiro, e a impermeabilizou com asfalto e piche. Ela colocou Moisés no cesto, e o deixou-o e flutuando entre os juncos às margens do Rio Nilo.

Pela providência de Deus, Moisés - filho de escravos hebreus - foi encontrado e adotado pela princesa egípcia, a filha do Faraó, sendo criado no palácio real como príncipe dos egípcios: "E Moisés era instruído em toda a sabedoria dos egípcios, e era poderoso em palavras e obras" (Atos 7:22). Ao mesmo tempo, o Senhor determinou que Moisés deveria ser ensinado em sua infância, pela sua própria mãe. Isto significa que, ele foi instruído na fé de seus pais, embora sendo criado como um egípcio (Ex. 2:1-10).

Moisés foi educado na civilização mais adiantada daquele tempo. O seu treinamento foi projetado para o preparar para um alto cargo, ou até mesmo o trono do Egito. Ele ficou familiarizado com a vida na corte de Faraó, com toda a pompa e grandeza da adoração religiosa egípcia. Foi educado na escrita e nas literatura do seu tempo. Também aprendeu a administração e a justiça. Quando tinha 40 anos, Moisés se indginou com um feitor egípcio que estava batendo em um escravo hebreu; e ele matou o egípcio e o enterrou na areia (Ex. 2:12). Quando isto ficou conhecido, ele temeu por sua própria vida, e fugiu do Egito para a terra do deserto de Midiã, onde ele se casou uma das filhas de Jetro, passando então a cuidar dos rebanhos de Jetro.

Depois de aproximadamente 40 anos, Deus falou a Moisés de uma sarça que ardia, mas não se consumia. Deus mandou Moisés de volta para o Egito, para resgatar os hebreus da escravidão, para a terra prometida a Abraão. Deus demonstrou o Seu poder para Moisés e revelou a Ele o Seu Santo Nome "YHVH " ou " Yaweh " (Jeová se tornou uma pronuncia popular no 16º século por tradutores alemães, embora não há nenhum som para o " J " em Hebraico).


As consoantes hebraicas Yod (Y) Eh (H) Vav (V ou W) Eh (H), ou Yahweh, na
Catedral de Winchester.
YHWH é chamado o Tetragrammaton, significado do
grego "quatro letras". Os escribas de masoréticos omitiram as vogais, assim
ninguém pronunciaria este Nome Santo. (Jeová se tornou uma pronunciação
popular no 16º século por tradutores alemães, embora não há nenhum som "J" no Hebraico).

O Mishnah estabeleceu a regra "No santuário, o nome de Deus será pronunciado
na Benção Sacerdotal como é escrito:
YHVH, mas fora do santuário deve ser
parafraseado e pronunciado como Adonai."

Deus ungiu Arão para ir com Moisés, para ser o seu porta-voz. Eles, então, convenceram o povo de Israel para os seguir, mas, Faraó não lhes deixaria ir.




Tradição Judaica

O Midrash dá o relato da primeira entrevista que aconteceu entre Faraó e Moisés e Arão. Quando o rei egípcio lhes perguntou, " Quem é seu Deus para que eu deva ouvir a sua voz? eles responderam, "O universo está cheio do poder do nosso Deus. Ele existiu antes que o mundo fosse criado, e Ele continuará a existir quando o mundo acabar. Ele te formou e colocou em ti fôlego da vida. Ele estendeu os céus e pôs os fundamentos da terra. A Sua expele chamas de fogo, rasga as montanhas, e quebra as pedras. O seu arco é fogo e as chamas são as suas flechas. A sua lança é uma tocha, e ele se cobre com as suas nuvens, e o relâmpago é a sua espada. Ele formou as montanhas, as colinas e os cobriu com a relva. Ele faz cair as chuvas e o orvalho, e faz com que brotem as pastagens. Ele também forma o embrião no útero da mãe, e permite que se torne um ser vivente." (Exod. R. v. 14).


Então Deus enviou as 10 pragas aos egípcios. A última praga foi a morte dos primogênitos em toda casa, cujas portas não estavam marcadas com o sangue. Quando as pragas do juízo foram todas lançadas, o Egito estava devastado. As pragas não só escarneceram do orgulho dos egípcios, mas também escarneceu dos seus deuses, porque nenhum lhes podia ajudar. A 10ª praga golpeou os egípcios.

1. Primeira Praga: Sangue 2. Segunda Praga: Rãs
3. Terceira Praga: Piolhos4. Quarta Praga: Moscas
5. Quinta Praga: Peste nos Animais6. Sexta Praga: Úlceras7. Sétima Praga: Saraiva
8. Oitava Praga: Gafanhotos9. Nona Praga: Escuridão
10. Décima Praga: Morte dos primogênitos

Todas as outras pragas reunidas não lançaram fora os hebreu da escravidão, mas a décima praga tocou em todo o Egito, e matou à meia-noite os seus primogênitos, inclusive o de Faraó.

Ex 12:29-31 " E aconteceu, à meia noite, que o SENHOR feriu a todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se sentava em seu trono, até ao primogênito do cativo que estava no cárcere, e todos os primogênitos dos animais. E Faraó levantou-se de noite, ele e todos os seus servos, e todos os egípcios; e havia grande clamor no Egito, porque não havia casa em que não houvesse um morto. Então chamou a Moisés e a Arão de noite, e disse: Levantai-vos, saí do meio do meu povo, tanto vós como os filhos de Israel; e ide, servi ao SENHOR, como tendes dito."

Para os egípcios foi uma tragédia e um embaraço quando o Deus dos Hebreus fez uma exibição aberta à vista de todos, da sua superioridade.

Deus ordenou que os Israelitas celebrassem a " Páscoa" onde o anjo da morte poupou as casas que tinham o sangue de um cordeiro.

Ex 12:1-14
"E FALOU o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo: Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano. Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família. Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro. O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras. "




A ovelha era reconhecida por sua gordura, rabo carnudo.

A cor de sua lã normalmente era branca, marrom ou às vezes
as pernas e a cabeças pretas. As ovelhas eram descritas como
bondosas, não teimosas, temerosas, sem defesa, pacientes,
sofredoras, e eram abundantes em Israel.

" E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde. E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem. E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão. Não comereis dele cru, nem cozido em água, senão assado no fogo, a sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura. E nada dele deixareis até amanhã; mas o que dele ficar até amanhã, queimareis no fogo."

" Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do SENHOR. E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o SENHOR. E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito. E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo."




Tradição Judaica

Pesach

A Páscoa (Pesach) é a festa da libertação. O Pesach é uma combinação de 2 palavras, peh que significa boca, e sach - que pretende falar. De acordo com a tradição judaica, a escravidão era tão severa, que eles eram obrigados a trabalhar e se manter calados. E eles deviam manter silêncio sobre o seu Deus. Na noite de Páscoa os judeus ficaram livres e então foi-lhes permitido falar d'Ele e louvá-lO livremente.

Ex 15:1-2 "ENTÃO cantou Moisés e os filhos de Israel este cântico ao SENHOR, e falaram, dizendo: Cantarei ao SENHOR, porque gloriosamente triunfou; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro. O SENHOR é a minha força, e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus, portanto lhe farei uma habitação; ele é o Deus de meu pai, por isso o exaltarei."

A Páscoa Moderna

Nos lares judaicos de hoje, a cerimônia da Páscoa é celebrada anualmente. A cerimônia é chamada de um Seder que literalmente quer dizer "a ordem" da cerimônia. Hoje, o ritual que foi projetado para os lembrar da amarga escravidão dos seus antepassados no Egito, a tremenda libertação que Deus lhes deu, é relatado no livro de oração chamado de Haggadah. A mesa do banquete é decorada com artigos festivos que estimularão perguntas que contarão toda a história de Páscoa. Os artigos são:

Água salgada e Verdura (Representando a vida que vai adiante - a primavera).

Um Osso Assado (recordando o Cordeiro Pascal).

Pão sem fermento ou Matzos (Comido durante toda a semana).

Ervas amargas ou Moror, como rabanete (para os lembrar da amargura da escravidão).

Maçãs, castanhas e vinho, ou Haroseth (a mistura de cores os lembra do barro do qual são feitos os tijolos e a doçura do gosto, simbolizando a esperança de liberdade que adocicou a escravidão).

As crianças fazem quatro perguntas acerca da cerimônia de Páscoa, pois esta era uma noite diferente de todas as outras:
1. Por que em todas as outras noites nós comemos pão fermentado ou
matzah e nesta noite nós comemos só matzos?
2. Por que em todas as outras noites nós comemos todo tipo de verduras e nesta noite nós só comemos ervas amargas?
3. Por que nesta noite nós mergulhamos as ervas na salmora, e ervas amargas em
haroseth?
4. Por que em todas as outras noites nós comemos sentados ou reclinados, e nesta noite nós comemos em pé? (Antigamente um homem comia o jantar dele, sem pressa, reclinado à mesa).

Meshiach Y'shua Jesus Nossa Páscoa

1 Cor 5:7 "... Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós."

1 Pedro1:18-19 " Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado."

O Novo Testamento ensina que o Egito era um tipo do mundo, e Faraó um tipo de Satanás, e a escravidão egípcia era um tipo do pecado, e o Cordeiro Pascal fala de Jesus, nosso Cordeiro Pascal que morreu em nosso lugar, e pelas suas pisaduras nós somos curados. O Anjo da Morte ignorou a casa dos hebreus pois viu o sangue que apontava ao Messias que um dia seria entregue, e morreria pelo seu povo.

Os escritos Rabínicos mostravam que o Messias, na Sua vinda, conquistará a morte [Pesikta Rabbah 161b].

Hb 2:14-15 " E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão."



Depois, Faraó finalmente cedeu e deixou o povo de Israel sair (e com toda a riqueza do Egito).


Depois, Faraó finalmente cedeu e deixou o povo de Israel sair, (e com toda a riqueza do Egito), mas assim que eles partiram, Faraó mudou de idéia. Ele enviou o seu exército atrás de Israel, que estava acampado diante do Mar Vermelho. Deus separou as águas e os levou em solo seco.

Ex 14:21-22

"Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o SENHOR fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas. E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas foram-lhes como muro à sua direita e à sua esquerda."


Faraó conduzindo as suas tropas em uma carruagem de guerra. Ao seu lado estavam carruagens quebradas e soldados agonizantes. A carruagem de guerra era um poderoso intrumento de guerra no Egito em 1700 AC. Cada carruagem tinha um motorista e um tripulante que lutava, armado com um arco, lanças, e proteção.

Então as águas se precipitaram sobre os exércitos de Faraó:

Ex 14:28-29

"Porque as águas, tornando, cobriram os carros e os cavaleiros de todo o exército de Faraó, que os haviam seguido no mar; nenhum deles ficou. Mas os filhos de Israel foram pelo meio do mar seco; e as águas foram-lhes como muro à sua mão direita e à sua esquerda."

Os Israelitas eram guiados pela Shekinah, a misteriosa nuvem de glória que os conduziu no Monte Sinai. No caminho foi provada a fé deles, pois experimentaram intenso calor, fome, sede, e guerra. Deus fez muitos milagres inclusive o "maná", o pão que veio do céu.




Tradição Judaica

O deserto era um lugar de miséria e morte com uma temperatura que às vezes alcança mais de 120 graus. Sem o Senhor, os judeus nunca teriam sobrevivido à isto. Depois da libertação do Egito, e da cruel escravidão, os judeus tiveram que enfrentar o castigo do amargo frio, e do calor devastador do deserto. Eles sobreviveram por causa da nuvem de glória protetora que pairou por cima deles de dia e de noite. Durante a Festa das Cabanas (Heb. Sukkah), os judeus faziam pequenas cabanas protetoras ou barracas, para lembrar-se dos perigos que eles enfrentaram, durante a Festa das Cabanas. De acordo com tradição judaica, Sukkah, é o mizvah que celebra o cuidado divino do Senhor, e as letras da palavra Sukkah são um acróstico para:

somekh - apoiando

kol - tudo

ha'noflim - que se caem

Inferno: Tormento Eterno?


O inferno é uma doutrina bíblica, mas, que espécie de inferno? Um lugar onde os pecadores impenitentes queimam para sempre e conscientemente sofrem dor num fogo eterno que nunca termina? Ou uma punição na qual Deus aniquila de forma definitiva pecado e pecadores após um julgamento?

Tradicionalmente, tem-se ensinado o inferno como um tormento eterno. Porém, será possível que Deus, que tanto amou o mundo e enviou Seu Filho para salvar os pecadores, possa também ser um Deus que tortura para sempre as pessoas (mesmo o pior dos pecadores)? Como poderia Deus demonstrar amor e justiça, enquanto proporciona sofrimento eterno aos pecadores? Este paradoxo inaceitável tem levado estudiosos a reexaminar o ensino bíblico quanto ao inferno e o castigo final. A questão fundamental é: o fogo do inferno tortura os perdidos eternamente ou os consome permanentemente?

Inferno: Aniquilamento Definitivo do Mal
A crença no aniquilamento dos perdidos é baseada em quatro considerações bíblicas:

1. A morte como punição do pecado
O aniquilamento final dos pecadores impenitentes é indicado, em primeiro lugar, pelo princípio bíblico: "a alma que pecar, essa morrerá" (Ezequiel 18:4), "porque o salário do pecado é a morte" (Romanos 6:23)(a). A Bíblia ensina que a morte é a cessação de vida, e hoje, ela é uma realidade que envolve toda a humanidade por causa do pecado de Adão (Romanos 5:12 cf I Coríntios 15:21-22). Se, não fosse pela segurança da ressurreição, a morte seria o término da existência para sempre (I Tessalonicenses 4:16-17; Daniel 12:1-2).

Contudo, haverá duas ressurreições, uma destinada para aqueles que possuem seus nomes escritos no livro da Vida, e outra para aqueles que tiveram seus nomes eliminados dele, em decorrência de pecados não confessados (I João 2:1-2; Hebreus 4:12-16)(b). Para estes, a Bíblia relata que haverá uma ressurreição para a segunda morte. O motivo desta ressurreição é anunciar os motivos e executar a punição irrecorrível aos pecadores que rejeitaram o arrependimento que os conduziriam ao sacrifício de Cristo.1 Esse aniquilamento final ocorrerá no "lago de fogo e enxofre", este é o inferno que a Bíblia ensina; está é a segunda morte. Ela é irreversível e destinada àqueles que não se arrependeram de seus pecados (Apocalipse 20:14; Apocalipse 21:8).

2. O vocabulário bíblico sobre a destruição dos ímpios
A segunda razão para crer no aniquilamento definitivo do pecado é o vocabulário de sua destruição usado na Bíblia. De acordo com Basil Atkinson, o Velho Testamento usa mais de 25 substantivos e verbos para descrever a extinção dos ímpios.2 Diversos salmos relatam esse acontecimento.3 Isaías e Malaquias, por exemplo, proclamam:
"Eis que vem o dia do Senhor, dia cruel, com ira e ardente furor, para converter a terra em assolação e dela destruir os pecadores. (...) Castigarei o mundo por causa da sua maldade e os perversos, por causa da sua iniquidade; farei cessar a arrogância dos atrevidos e abaterei a soberba dos violentos. Farei que os homens sejam mais escassos do que o ouro puro, mais raros do que o ouro de Ofir." (Isaías 13:9-12 cf. Isaías 24:5-6).
"Pois eis que vem o dia e arde como fornalha; todos os soberbos e todos os que cometem perversidade serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz o Senhor dos exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo. (...) Pisareis os perversos, porque se farão cinzas debaixo das plantas de vossos pés, naquele dia que prepararei, diz o Senhor dos exércitos." (Malaquias 4:1-3).
Jesus comparou a destruição dos ímpios como: o joio atado em molhos para serem queimados (Mateus 13:30 e 40). Ele declarou ainda: "Se alguém não permanecer em Mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados." (João 15:6 cf. Lucas 17:26-30). Todas estas ilustrações descrevem a destruição final dos ímpios. O contraste entre o destino dos salvos e dos perdidos é respectivamente vida versus destruição. A linguagem de extinção é inescapável também no livro de Apocalipse, onde João descreve com ilustrações vívidas o lançamento do diabo, da besta, do falso profeta e de todos os ímpios no lago de fogo, no qual ocorrerá a "segunda morte" (Apocalipse 20:10; Apocalipse 21:8).

3. As implicações morais do tormento eterno
A doutrina do tormento eterno é inaceitável, a noção de que Deus tortura pecadores pela eternidade é totalmente incompatível com a revelação bíblica de Deus com amor infinito (Ezequiel 18:20-28; Ezequiel 33:10-16). Um Deus que inflige tortura infinita a Suas criaturas, não importando o quão pecadoras elas foram, não pode ser o Pai de amor que Jesus Cristo nos revelou.

Tem Deus duas faces? É Ele infinitamente misericordioso de um lado e insaciavelmente cruel de outro? Pode Ele amar os pecadores arrependidos de tal modo que enviou Seu Filho para salvá-los, e ao mesmo tempo odiar os pecadores impenitentes tanto que os submete a um tormento cruel sem fim? Podemos legitimamente louvar a Deus por Sua bondade, enquanto Ele atormenta os pecadores para sempre?

A intuição moral que Deus plantou em nossa consciência não pode aceitar a crueldade de uma divindade que sujeita pecadores a tormento infindo. A justiça divina não poderia jamais exigir a penalidade infinita de dor eterna por causa de pecados finitos. Isso acarretaria enorme desproporção entre os pecados cometidos durante uma curta vida e o castigo infinitamente duradouro.

4. As implicações cosmológicas do tormento eterno
A razão final para crer no aniquilamento dos perdidos é que, tormento eterno, pressupõe um dualismo cósmico eterno. Céu e inferno, alegria e sofrimento, bem e mal coexistiriam para sempre. É impossível reconciliar esta opinião com a visão profética da nova Terra:
"Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou." "Pois vejam! Criarei novos céus e nova Terra, e as coisas passadas não serão lembradas. Jamais virão à mente!" (Apocalipse 21:4; Isaías 65:17).
Como poderiam o pranto e dor serem esquecidos se a agonia e angústia dos perdidos fossem aspectos permanentes da nova ordem? A presença de incontáveis milhões sofrendo para sempre um tormento punitivo, mesmo se fosse bem longe do arraial dos santos, serviria apenas para destruir a paz e a felicidade do novo mundo. A nova criação surgiria defeituosa desde o primeiro dia, visto que os pecadores permaneceriam como uma realidade eterna no universo de Deus.

O propósito do plano da salvação é desarraigar definitivamente a presença de pecado e pecadores do universo. Somente quando os pecadores, Satanás e seus anjos, forem extintos no "lago de fogo e enxofre", Cristo terá finalmente completado Sua obra de purificação e restauração de todas as coisas (Apocalipse 21:5). O ensino bíblico do juízo e sua sentença final que aniquila completamente os pecadores, os sentenciando a morte eterna, revela um Deus de justiça.

A Destruição dos Ímpios, um Ato de Misericórdia
"Poderiam aqueles cuja vida foi empregada em rebelião contra Deus, ser subitamente transportados para o Céu, e testemunhar o estado elevado e santo de perfeição que ali sempre existiu, estando toda alma cheia de amor, todo rosto irradiando alegria, ecoando em honra de Deus e do Cordeiro uma arrebatadora música em acordes melodiosos, e fluindo da face dAquele que Se assenta sobre o trono uma incessante torrente de luz sobre os remidos; sim, poderiam aqueles cujo coração está cheio de ódio a Deus, à verdade e santidade, unir-se à multidão celestial e participar de seus cânticos de louvor? Poderiam suportar a glória de Deus e do Cordeiro?

Não, absolutamente; anos de graça lhes foram concedidos, a fim de que pudessem formar caráter para o Céu; eles, porém, nunca exercitaram a mente no amor à pureza; nunca aprenderam a linguagem do Céu, e agora é demasiado tarde. Uma vida de rebeldia contra Deus incapacitou-os para o Céu. A pureza, santidade e paz dali lhes seriam uma tortura; a glória de Deus seria um fogo consumidor. Almejariam fugir daquele santo lugar. Receberiam alegremente a destruição, para que pudessem esconder-se da face dAquele que morreu para os remir. O destino dos ímpios se fixa por sua própria escolha; a exclusão do Céu é espontânea de sua parte, e justa e misericordiosa da parte de Deus."4


Texto extraído e adaptado de: BACCHIOCCHI, S. (1997). Immortality or Resurrection? A Biblical Study on Human Nature and Destiny. Berrien Springs, Michigan: Biblical Perspectives, p. 193-248.
a. E pecado, por sua vez, é a transgressão da lei de Deus (I João 3:4; Romanos 8:5-8).
1. II Coríntios 7:10; Hebreus 9:27-28; Apocalipse 20:5-6; Apocalipse 20:12-15 cf. Salmos 69:24-28.
2. ATKINSON, B. F. C. (1970). Life and Immortality, Taunton, England: E. Goodman, p. 85-86.
3. Salmos capítulo 1; Salmos 11:4-7; Salmos 37:12-24; Salmos 145:20.
4. WHITE, E. G. Grande Conflito, O; São Paulo: CPB, sec. IV, cap. 33, p. 542-543.

O BODE PARA AZAZEL E O DIA DA EXPIAÇÃO

"E lançará sortes quanto aos dois bodes: uma para o Senhor e a outra para Azazel." (Levítico 16:8).

Em posse do sangue do bode para o Senhor (que representava o sangue de Cristo), o sumo-sacerdote aplicava-o no altar dos holocaustos e no altar do incenso, os quais haviam sido diariamente aspergidos com o sangue das ofertas que simbolizava os pecados confessados (Levítico capítulo 4; Hebreus 9:1-10). E, no lugar santíssimo, ele aplicava esse sangue no propiciatório(a), na presença de Deus, a fim de satisfazer as exigências de Sua lei; pois, pecado é transgressão da lei e sem sangue não há perdão (I João 3:4; Hebreus 9:22). Essa ação simbolizava o imensurável preço que Cristo teria de pagar pelos nossos pecados (Hebreus capítulo 9:23-28; Isaías capítulo 53). Desta forma, o sumo-sacerdote efetuava expiação pelo povo e pelo santuário; ambos eram purificados.1

Na etapa seguinte, representando a Cristo como mediador, o sumo-sacerdote assumia sobre si mesmo os pecados que haviam poluído o santuário e os transferia para o outro bode que se encontrava vivo, e tinha sido sorteado para Azazel. Após a transferência, ele era conduzido para fora do acampamento de Israel. Este ato removia os pecados do povo, os quais durante o ano, tinham sido simbolicamente transferidos para o santuário através do sangue dos sacrifícios de perdão que ocorriam diariamente. Deste modo o santuário estava habilitado para mais um ano de atividade ministerial (Levítico 16:29-34).2 E assim todas as coisas eram colocadas em ordem entre Deus e Seu povo.3
O dia da Expiação ilustra o processo de julgamento que lida com a erradicação do pecado. A expiação realizada nesse dia prefigurava a aplicação final dos méritos de Cristo a fim de banir a presença do pecado por toda a eternidade, e para tornar efetiva a reconciliação do universo, sob o governo de Deus.
O Bode para Azazel
A análise cuidadosa de Levítico capítulo 16 revela que Azazel representa Satanás, e não Cristo, como alguns errónea e terrivelmente ensinam. Os fatos que apoiam esta afirmativa são:
Azazel é tratado como um ser pessoal que é o oposto, e se opõe, a Deus. O verso de Levítico 16:8 diz, literalmente, dois bodes: "um para o Senhor e o outro para Azazel."
O santuário era inteiramente purificado pelo sangue do bode destinado para o Senhor antes que o bode de Azazel fosse introduzido na cerimónia (Levítico 16:20).
O bode para Azazel não era morto como sacrifício, e assim não poderia ser usado como um meio para trazer o perdão, uma vez que "sem derramamento de sangue, não há remissão" (Hebreus 9:22).
Portanto, na compreensão da parábola do santuário (Hebreus 9:9-12), o bode sorteado para o Senhor simbolizava a Cristo e o Seu sacrifício em favor do perdão e, o bode para Azazel simbolizava Satanás e a sua culpa pelos pecados cometidos (João 8:44 cf Ezequiel 28:12-17, Isaías 12-14). No dia da Expiação, o sumo-sacerdote purificava o santuário mediante o sangue expiatório do bode destinado para o Senhor, somente depois que a expiação se achava completa é que o ritual envolvia o bode para Azazel (Levítico 16:20-22).
"Então colocará as duas mãos sobre a cabeça do bode vivo e confessará todas as iniquidades e rebeliões dos israelitas, todos os seus pecados, e os porá sobre a cabeça do bode. Em seguida enviará o bode para o deserto aos cuidados de um homem designado para isso." (Levítico 16:21).
A flexão verbal "confessará" é traduzida do hebraico "yadah", e significa: arremessar, jogar (em alguém, em algo, ou, para fora), atirar, lançar, entregar. O ato de "colocar as mãos" sobre o bode de Azazel não representava a confissão de arrependimento pelos erros cometidos mas, lançava sobre ele, a responsabilidade (a culpa) pela origem, prática e consequências do pecado. Em seguida esse bode era banido do arraial israelense para sempre. Isso simbolizava o que ocorrerá no futuro com Satanás. Assim como o bode de Azazel era exilado para o deserto, restando-lhe tão-somente aguardar a morte, da mesma forma Satanás será solto neste mundo desolado e sem vida; e, aguardará o fim dos mil anos para receber sua devida punição (Apocalipse 20:4-10).
Cristo através de Seu sangue proporciona condição para que o pecador arrependido seja perdoado e alcance a salvação pela graça, que é obtida mediante a fé depositada nEle (Efésios 2:8; I Pedro 10:10-11). Porém, o sacrifício de Jesus não elimina a punição final àquele que foi o originador do pecado. A sentença final será declarada e imposta a Satanás, e aos seguidores ao fim do julgamento (cf. Levítico 23:28-30). O ritual realizado com o bode para Azazel ilustra a eliminação da "raiz e galhos" do pecado (Malaquias 4:1); serão como se nunca tivessem existidos (Ezequiel 28:18-19; Isaías 65:17).
A liturgia mosaica que era realizada pelo sumo-sacerdote no santuário terrestre é similarmente, hoje, realizado por Cristo o sumo-sacerdote do santuário celestial (Hebreus capítulo 8). Ele tem ministrado, mediante o Seu sangue derramado na cruz do Calvário, os benefícios de Sua completa expiação pelo Seu povo (b). Quando Ele houver completado a Sua obra de redenção e purificação do santuário celestial, lançará (transferirá) os pecados de Seu povo para Satanás, o originador e instigador do mal. De nenhuma forma se pode dizer que é Satanás quem efetua a expiação pelos pecados dos cristãos penitentes (Apocalipse 22:14). Cristo realizou essa obra por completo. Mas Satanás será responsabilizado por todos os pecados que ele sagazmente proporcionou e instigou para que os salvos praticassem.
A visão que João teve do milénio, descreve em traços vívidos o banimento de Satanás. Ele viu que no começo dos mil anos, "o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás", foi posto em cadeias e confinado ao "abismo". Isso retrata a cessação temporária das atividades de perseguição e engano de Satanás. Ele estará impedido de enganar as nações "até se completarem os mil anos" (Apocalipse 20:2-3). O termo abismo utilizado por João vem do grego "abussos", e descreve apropriadamente as condições da Terra nessa ocasião.4, 5 Assolada pelas sete últimas pragas que antecedem a volta de Cristo, e coberta com os cadáveres dos ímpios, a Terra estará em completa desolação.6 Confinado à Terra, Satanás estará "preso" por meio de uma cadeia de circunstâncias. Uma vez que nesse tempo não haverá sobre a Terra qualquer vida humana, Satanás não terá a quem tentar ou perseguir. Restando-lhe tão-somente aguardar a sua devida punição (Apocalipse 20:10-15).
"Durante mil anos Satanás vagueará de um lugar para outro na Terra desolada, para contemplar os resultados de sua rebelião contra a lei de Deus. Durante este tempo os seus sofrimentos serão intensos. Desde a sua queda, a sua vida de incessante atividade baniu a reflexão; agora, porém, está ele despojado de seu poder e entregue a si mesmo para contemplar a parte que desempenhou desde que a princípio se rebelou contra o governo do Céu, e para aguardar, com temor e tremor, o futuro terrível em que deverá sofrer por todo o mal que praticou, e ser punido pelos pecados que fez com que fossem cometidos."7
O judeu Marcus Moritz Kalisch, hebraísta e comentarista bíblico formado pela universidade de Berlim e pela faculdade Rabínica de Berlim, sobre este tema declara:
"Após as refinadas concepções dos versos anteriores (c), não é uma pequena surpresa deparar-se com uma noção condizente, não a definitiva, porém a mais rudimentar cena de educação religiosa - a noção do infeliz demónio ou diabo Azazel, o originador e promotor do pecado, habitando os desertos, recebendo de volta, por meio de um bode, as transgressões na qual a sua malignidade incitou os hebreus."8
"(...) Portanto, eles(d) não representavam realmente um dualismo peculiar; ainda que implícito o reconhecimento de dois antagonistas e forças opostas no mundo moral, uma vez que Azazel, embora passivo no cerimonial do dia da Expiação, foi considerado como tendo sido o mais ativo ao longo do ano como um tentador e instigador do pecado."9
"Assim como Deus e Azazel são contrastados, igualmente são o santuário e o deserto, em um reside a vida, tranquilidade, bênção e santidade, no outro situa-se o isolamento sombrio e a irreversível escassez, portanto, o covil apropriado de gnomos e espíritos malignos, que a partir de suas tenebrosas solidões iludem e corrompem a mente dos homens. Movendo-se no mesmo círculo de ideias, o Talmude declara, que no tempo do Messias 'o sedutor será levado para uma região deserta e desolada, onde ele não encontrará ninguém para hostilizar com sua sagacidade e traiçoeiras habilidades'."10
A "Enciclopédia Judaica", referência internacional quanto a história dos israelitas e do judaísmo, comenta:
"Longe de envolver o reconhecimento de Azazel como uma divindade, o envio do bode foi, como afirmado por Nahmanides(e), uma manifestação simbólica da ideia de que os pecados do povo e seus resultados malignos foram conduzidos de volta para o espírito da desolação e ruína, a origem de toda a impureza. O próprio fato de que os dois bodes foram apresentados diante de YHWH [Deus] antes que um fosse sacrificado e o outro encaminhado para o deserto, foi a prova de que Azazel não estava relacionado com YHWH [Deus], mas considerado simplesmente como a personificação da maldade, em contraste com o governo justo de YHWH [Deus]."11
O ministro presbiteriano James Hastings, graduado pela universidade de Aberdeen, foi enciclopedista e editor; e uma de suas literaturas afirma:
"(...) O exemplo mais marcante dessa transmissibilidade, todavia, é visto na principal cerimônia pela qual os pecados da nação são transferidos para a cabeça do 'bode para Azazel', 'o espírito demoníaco no deserto."12 "Azazel. O nome em hebraico do espírito no deserto a quem um dos dois bodes foi enviado, carregado com os pecados do povo, no ritual do dia da Expiação. (...) Azazel é um nome próprio no original, em particular o nome de um espírito poderoso ou demónio que supostamente habita o deserto ou 'região solitária'. (...) No livro de Enoque (f), Azazel aparece como o príncipe dos anjos caídos (...)"13
A "Chambers's Encyclopaedia", fundamentada na enciclopédia alemã "Konversations-Lexikon" (atualmente Brockhaus Enzyklopädie), traz o seguinte esclarecimento:
"Azazel, um nome que ocorre em Levítico 16, no relato das cerimônias do dia da Expiação, interpretado por alguns como o 'bode expiatório', que foi levado para o deserto carregado com os pecados do povo; por outros, com muito maior probabilidade, como uma designação de um ser a quem o bode foi enviado - Satanás, de acordo com Hengstenberg, ou um demónio da religião pré-mosaica de acordo com Ewald(g)."14
Ernst Wilhelm Hengstenberg, teólogo luterano, foi académico e professor nas universidades de Bonn e Berlim, seus trabalhos tiveram reconhecimento na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Quanto ao assunto em pauta, ele declara:
"A maneira na qual a frase, 'para Azazel', é contrastada com, 'para Jeová', necessariamente requer que Azazel deveria designar uma existência pessoal e se assim for, apenas Satanás pode ser cogitado. Se por Azazel, Satanás não é apresentado, não há razão para que as sortes fossem lançadas. Não veremos nenhuma razão para que a decisão fosse atribuída a Deus; pois o sumo sacerdote não atribuiu meramente um bode para oferta pelo pecado, e o outro para enviar ao deserto."15
 
A "International Standard Bible Encyclopedia", considerada uma clássica referência bíblica, foi elaborada por historiadores, arqueólogos, linguistas, lexicólogos, geógrafos, teólogos(h), entre outros profissionais. Ela traz a seguinte informação no verbete "Azazel":
"(...) Em tempos posteriores a palavra Azazel foi por muitos judeus e também pelos teólogos cristãos, como Orígenes, considerada como o próprio Satanás que havia se afastado de Deus. (...) Qualquer que seja o significado da imposição de mãos em outras condições, se a ênfase situa-se mais sobre a alienação ou na apropriação de propriedade, nesta circunstância ela é certamente apenas um símbolo da transferência de culpa, que era confessada sobre o bode e então levada para o interior do deserto através do bode sobre o qual fora colocada."16
Outra referência literária nas questões escriturísticas, e que teve a participação de vários teólogos e historiadores, é a "New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge". Em seu verbete, "Azazel", ela comenta:
"O significado da palavra tem ocasionado muita discussão. Partindo do fato de que 'para o Senhor' e 'para Azazel' estão em oposição (verso 8), muitos acreditam que ele seja o nome de um ser contrário ao Senhor: um monstro no deserto, um demónio, ou precisamente Satanás. (...) O contraste entre 'para Senhor' e 'para Azazel', no verso 8 porém, favorece a interpretação de Azazel como um nome próprio, e por si mesmo sugere uma referência a Satanás."17
O "Novo Dicionário da Bíblia" (New Dictionary of Bible), considerado o maior produto da Tyndale Fellowship for Biblical Research, esclarece:
"O termo 'azazel (em nossa versão, 'bode emissário') ocorre somente na descrição sobre o dia da Expiação (Lv 16.8, 10, 26). Há quatro interpretações possíveis: 1. A palavra denota o 'bode emissário' (...). 2. É usada como infinitivo, "a fim de remover" (...). 3. Significa uma região(i) desolada (cf. Lv 26.22). 4. É o nome de um demónio que vagueava naquela região (...). A maioria dos eruditos prefere esta última possibilidade, já que no verso 8 o nome aparece em paralelismo ao nome do Senhor. Como anjo caído, Azazel é frequentemente mencionado em Enoque (6.6 em diante), mas provavelmente o autor do livro adquiriu essa ideia de Lv 16. O significado do ritual deve ser que o pecado, de maneira simbólica, foi removido da sociedade humana e levado para a região da morte (cf. Mq 7.19). Não é subentendido que um sacrifício fosse apresentado ao demónio (cf. Lv 17.7)."18
Thomas Kelly Cheyne(j) (clérigo anglicano) e John Sutherland Black(l) (escritor escocês), publicaram a "Encyclopaedia Biblica", e desta extrai-se a seguinte declaração:
"O significado de Azazel é muito discutido; é, claro, um assunto fortemente relacionado com a investigação sobre a origem de seu uso. Pelo menos é certo que, enquanto Azazel recebe um bode, Jeová recebe outro, ambos devem ser seres individuais. (...) Em todo o caso, devemos admitir que os antigos tradutores que identificaram Azazel com Satanás têm alguma plausibilidade do lado deles. Podemos, ao menos, ousar a dizer com Reuss(m) que: 'a concepção de Azazel situa-se no caminho que posteriormente conduzirá ao diabo'. Pois Azazel é certamente descrito em algum sentido como um ser hostil a Deus."19
O Alcorão, livro sagrado islâmico, também refere-se a Azazel como sendo Satanás:
"O diabo (Sheitan ou Iblis) tem como nome próprio Azazel. Ele foi expulso do Éden por rejeitar a se prostrar diante de Adão, quando Deus ordenou-lhe (Surah 7:10-17). Sua hoste demoníaca é numerosa e terrível."20
 
Considerações Finais
Quão apropriado é o último ato de Deus no trato com o pecado, fazer retornar sobre a cabeça de Satanás todos os pecados e culpas que, partindo originalmente dele, causaram uma vez tal tragédia na vida daqueles que agora foram libertados pelo sangue expiatório de Cristo. Completa-se desta forma o ciclo, encerra-se o drama. Somente quando Satanás, o instigador do pecado, for finalmente removido, poder-se-á afirmar apropriadamente que o pecado foi erradicado do universo de Deus. Neste sentido harmonizado podemos entender de que modo o bode emissário [bode de Azazel] tomava parte na 'expiação' (Levítico 16:10). Com os justos estando salvos, os pecadores 'desarraigados' e Satanás não mais existindo, então - e somente então - estará o universo no mesmo estado de harmonia em que se encontrava antes do surgimento do pecado.21
 Bibliografia:
Texto baseado em: Nisto Cremos, 7.ª ed., 2003, São Paulo: CPB, cap. 23, p. 414-415; ibidem, cap. 26, p. 473-474.
a. Tampa (cobertura) da arca da aliança que armazenava os Dez Mandamentos, e onde Deus Se manifestava (Êxodo 25:17-22).
b. Acesse: O Tribunal Celestial; Jesus, o Advogado
c. Levítico 16:1-5.
d. O bode para o Senhor e o bode para Azazel.
e. Moses Ben Nahman (Nahmanides), atuou como rabino em Gerona e rabino-chefe em Catalunha. Entre os principais estudiosos rabínicos da Espanha, Nahmanides foi pressionado a participar de um debate público com os cristãos diante do rei James I de Aragão, e de seus súditos mais notáveis. Após sua vitória nesse debate foi forçado a fugir da Espanha. Fonte: Nahmanides. (2010). Encyclopædia Britannica. Chicago: Encyclopædia Britannica.
f. Obra literária apócrifa que centraliza seus temas no patriarca Enoque registrado no livro de Génesis.
g. Georg Heinrich von Ewald foi professor de Antigo Testamento e de idiomas orientais na universidade of Göttingen e, de teologia na universidade de Tübingen.
h. Anglicanos, batistas, congregacionalistas, luteranos, metodistas, presbiterianos, e etc.
i. Alguns atribuem que Azazel seja alguma localidade geográfica, porém, não existe nenhum lugar registrado com esse nome. Moisés, frequentemente mencionava o nome das regiões e localidades citadas nos seus escritos, por exemplo: montes de Seir, monte Horebe, monte Sinai, deserto de Berseba, deserto de Sur, deserto de Sin, e etc. Outro fator que inviabiliza esta interpretação eram as constantes mudanças do acampamento de Israel que impossibilitaria a ida neste suposto local. Fonte: JENNINGS, D. (1837). Jewish Antiquities, 9.ª ed., London: Thomas Tegg and Son, book III, chap. VIII, p. 450; Azazel. (1915). International Standard Bible Encyclopedia, vol. I, Chicago: Howard-Severance Company, p. 343a.
j. Foi professor de Antigo Testamento na Balliol College, e de interpretação da Sagrada Escritura na Oxford University.
l. Foi autor e editor do "Dictionary of National Biography" e colaborador da "Encyclopædia Britannica" (1911).
m. Édouard Guillaume Eugène Reuss foi teólogo luterano e filósofo, estudou teologia na universidade de Göttingen e línguas orientais na universidade de Halle. Entre suas obras literárias, destaca-se a "Die Geschichte der Heiligen Schriften des Alten Testaments", que é uma enciclopédia da história de Israel, abrangendo deste o seu início até a invasão de Jerusalém pelo general Tito.
1. Levítico 16:16 cf Hebreus 9:13-14; Daniel 8:14 cf Hebreus 8:1-3, Hebreus 9:23-25.
2. Hasel, Studies in Biblical Atonement II: The Day of Atonement. In: Sanctuary and Atonement, p. 115 e 125.
3. Hasel, The "Little Horn", the Saints, and the Sanctuary in Daniel 8. In: Sanctuary and Atonement, p. 206-207; TREIYER, Day of Atonement, p. 252-253.
4. Isso indica que a situação da Terra durante o milênio reflete pelo menos, em parte, as condições da Terra no princípio, quando ela era "sem forma e vazia e as trevas cobriam a face do abismo." (Gênesis 1:2). Fonte: SDA Bible Commentary, edição revista, vol. 7, p. 879.
5. WHITE, E. G. Grande Conflito, O; São Paulo: CPB, sec. IV, cap. 41, p. 658-659.
6. II Tessalonicenses 2:7-8 cf. Apocalipse 16:18-21, Jeremias 25:31-33, Malaquias 4:1-3.
7. WHITE, E. G. ob. cit., p. 660.
8. KALISCH, M. M. (1872). A Historical and Critical Commentary on the Old Testament, vol. III, part. II, London: Longmans and Co., chap. XVI, p. 207b-208.
9. Ibidem, p. 209b.
10. Ibidem, p. 210a.
11. Azazel. (1902). The Jewish Encyclopedia, vol. II, New York: KTAV Publishing House, Inc., p. 366 (Azazel Personification of Imputiry).
12. HASTINGS, J.; et. al. (1909). Dictionary of the Bible, New York: Charles Scribner's Sons, p. 75b (Atonement, Day of).
13. ibidem, p. 77 (Azazel).
14. Azazel. (1901). Chambers's Encyclopaedia: A Dictionary of Universal Knowledge, vol. I, London: William & Robert Chambers, p. 621.
15. HENGSTENBERG, E. W. (1850). Egypt and the Books of Moses, N.Y.: Robert Carter & Brothers, chap. VI, p. 170-171.
16. Azazel. (1915). International Standard Bible Encyclopedia, vol. I, Chicago: Howard-Severance Company, p. 343-344. Too in: BEECHER, C. (1864). Redeemer and Redeemed: An Investigation of the Atonement and of Eternal Judgment, Boston: Lee and Shepard, p. 68.
17. Azazel. (1951). The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge, vol. I, Grand Rapids, MI: Baker Book House, p. 824.
18. DOUGLAS, J. D.; et. al. (2006). O Novo Dicionário da Bíblia, 3.ª ed., São Paulo: Vida Nova, p. 135.
19. Azazel. (1899). Encyclopaedia Biblica: A Critical Dictionary of the Literary Political and Religious History the Archaeology, Geography and Natural History of the Bible, vol. I, Toronto: George Morang & Company, colunn 395.
20. ZWEMER, S. M. (1907). Islan: A Challenge to Faith, New York: Student Volunteer Movement, chap. IV, p. 89.
21. SDA Bible Commentary, edição revista, vol. I, p. 778.

O Santuário

A passagem que, mais que todas as outras, havia sido tanto a base como a coluna central da fé do advento, foi a declaração: "Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado." Dan. 8:14. Estas palavras haviam sido familiares a todos os crentes na próxima vinda do Senhor. Era esta profecia repetida com alegria pelos lábios de milhares, como a senha de sua fé. Todos sentiam que dos acontecimentos nela preditos dependiam suas mais brilhantes expectativas e mais acariciadas esperanças. Ficara demonstrado que estes dias proféticos terminariam no outono de 1844. Em conformidade com o resto do mundo cristão, os adventistas admitiam, nesse tempo, que a Terra, ou alguma parte dela, era o santuário. Entendiam que a purificação do santuário fosse a purificação da Terra pelos fogos do último grande dia, e que ocorreria por ocasião do segundo advento. Daí a conclusão de que Cristo voltaria à Terra em 1844.
Porém, o tempo indicado passou e o Senhor não apareceu. Os crentes sabiam que a Palavra de Deus não poderia falhar; deveria haver engano na interpretação da profecia; onde, entretanto, estava o engano? Muitos cortaram temerariamente o nó da dificuldade, negando que os 2300 dias terminassem em 1844. Nenhuma razão se poderia dar para esta posição, exceto que Cristo não viera na ocasião esperada. Argumentaram que, se os dias proféticos houvessem terminado em 1844, Cristo teria então voltado para purificar o santuário mediante a purificação da Terra pelo fogo; e, visto que Ele não aparecera, os dias não poderiam ter terminado.
Embora a maioria abandonasse a anterior contagem dos períodos proféticos, negando a exatidão do movimento nela baseada, uns poucos não estavam dispostos a renunciar a pontos de fé e experiência que eram apoiados pelas Escrituras e pelo especial testemunho do Espírito de Deus. Criam ter adotado sólidos princípios de interpretação no estudo das Escrituras, sendo seu dever reter firmemente as verdades já adquiridas e continuar o mesmo método de exame bíblico. Com fervorosa oração examinaram sua atitude e estudaram as Escrituras para descobrir onde haviam errado. Como não pudessem ver engano nenhum em sua explicação dos períodos proféticos, foram levados a examinar mais particularmente o assunto do santuário.
Os Dois Santuários
Aprenderam, em suas pesquisas, que o santuário terrestre, construído por Moisés de acordo com o modelo a ele mostrado no monte, por ordem de Deus, era uma "alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios" (Heb. 9:9); que seus dois lugares santos eram "figuras das coisas que estão no Céu" (Heb. 9:23); que Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote, é "ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem" (Heb. 8:2); que "Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo Céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus". Heb. 9:24.
O santuário do Céu, no qual Jesus ministra em nosso favor, é o grande original, de que o santuário construído por Moisés foi uma cópia. Assim como no santuário terrestre havia dois compartimentos, o santo e o santíssimo, existem dois lugares santos no santuário celestial. A arca contendo a lei de Deus, o altar de incenso e outros instrumentos, que se encontravam no santuário de baixo, também têm sua parte correspondente no santuário de cima. Em santa visão, foi permitido ao apóstolo João penetrar no Céu, e ele contemplou ali o castiçal e o altar de incenso e quando "abriu-se no céu o templo de Deus", contemplou também "a arca do Seu concerto". Apoc. 11:19.
Os que estavam buscando a verdade encontraram prova indiscutível da existência de um santuário no Céu. Moisés fez o santuário terrestre segundo o modelo que lhe foi mostrado. Paulo declara que aquele modelo era o verdadeiro santuário que está no Céu. Heb. 8:2 e 5. E João testifica de que o viu no Céu.
Em 1844, com a terminação dos 2300 dias, não mais existia o santuário terrestre havia já séculos; portanto, o santuário celestial era o único que poderia ser trazido à luz nessa declaração: "Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado." Dan. 8:14. Mas, como o santuário celestial necessitava de purificação? Retornando às Escrituras, os estudantes das profecias aprenderam que a purificação não era uma remoção de impurezas físicas, pois isso devia ser realizado com sangue e, portanto, devia ser uma purificação do pecado. Assim diz o apóstolo: "Era bem necessário que as figuras das coisas que estão no Céu assim se purificassem [o sangue de animais]; mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes [o precioso sangue de Cristo]." Heb. 9:23.
A fim de obter mais conhecimento da purificação apontada pela profecia, era necessário entender o ministério do santuário celestial. Isto poderia ser aprendido somente pelo ministério do santuário terrestre, visto que Paulo declara que os sacerdotes nele oficiavam e serviam "de exemplar e sombra das coisas celestiais". Heb. 8:5.
A Purificação do Santuário
Como antigamente os pecados do povo eram transferidos, em figura, para o santuário terrestre mediante o sangue da oferta pelo pecado, assim nossos pecados são, de fato, transferidos para o santuário celestial, mediante o sangue de Cristo. E como a purificação típica do santuário terrestre se efetuava mediante a remoção dos pecados pelos quais se poluíra, consequentemente, a real purificação do santuário celeste deve efetuar-se pela remoção, ou apagamento, dos pecados que ali estão registrados. Isso necessita um exame dos livros de registro para determinar quem, pelo arrependimento dos pecados e fé em Cristo, tem direito aos benefícios de Sua expiação. A purificação do santuário, portanto, envolve uma obra de juízo investigativo. Isto deve efetuar-se antes da vinda de Cristo para resgatar Seu povo, pois quando vier, Sua recompensa estará com Ele para dar a cada um segundo as suas obras. Apoc. 22:12.
Assim, os que seguiram a luz da palavra profética viram que, em vez de vir Cristo à Terra, ao terminarem em 1844 os 2.300 dias, entrou Ele então no lugar santíssimo do santuário celeste, a fim de levar a efeito a obra final da expiação, preparatória à Sua vinda.

Aplicação Histórica das Trombetas: A Sexta Trombeta

Pelo fato de não se prever arrependimento, a sexta trombeta segue a um segundo ai. Agora é dado a Satanás mais liberdade para revelar o seu verdadeiro caráter e para levar a cabo seu o objetivo diabólico de destruir a terra e todos os seus moradores. Entretanto, Deus permite a acção das forças do a agirem na hora exata que escolheu (ver Apoc. 9:15). Então, o ai desta trombeta dirige à confrontação definitiva final entre Satanás e os seus exércitos por um lado, e Cristo e os Seus exércitos pelo outro:
"O sexto anjo tocou a trombeta, e ouvi uma voz procedente dos quatro ângulos do altar de ouro que se encontra na presença de Deus, dizendo ao sexto anjo, o mesmo que tem a trombeta: Solta os quatro anjos que se encontram atados junto ao grande rio Eufrates. Foram, então, soltos os quatro anjos que se achavam preparados para a hora, o dia, o mês e o ano, para que matassem a terça parte dos homens. O número dos exércitos da cavalaria era de vinte mil vezes dez milhares; eu ouvi o seu número" (Apoc. 9:13-16).

Esta trombeta de guerra recorda primeiro à igreja o propósito misericordioso deste juízo, assinalando a sua origem do "altar de ouro que estava diante de Deus", em forma específica seus "chifres". Estes chifres representam o lugar onde o sacerdócio Levítico orvalhava o sangue da expiação para Israel (Lev. 4:7, 18, 25).
A voz celestial é a resposta divina às orações dos santos oprimidos (Apoc. 6:9). A resposta chega na ordem: "Solta os quatro anjos que estão atados junto ao grande rio Eufrates" (9:14).

Estes 4 anjos são claramente anjos maus, os líderes de uma multidão de demónios. O Eufrates é um símbolo importante, porque no Antigo Testamento representava os arqui-inimigos de Israel que invadiram sua terra como uma inundação transbordante (ver Isa. 8:8, 9; Jer. 46:2, 10). Soltar "os quatro anjos" no Eufrates no tempo do fim significa um conflito mundial contra o povo de Deus. O número "quatro" simboliza todas as direções da bússola (Apoc. 7:2; 20:7).

De novo João descreve os cavalos e os seus cavaleiros como havia descrito as lagostas na trombeta anterior: como poderes demoníacos inumeráveis (Apoc. 9:17-19). Ao mesmo tempo são os instrumentos do juízo divino sobre um mundo unido em rebelião contra Deus. Matam uma terça parte da humanidade (vs. 15, 18) por meio de "fogo, fumaça e enxofre'" que sai das "bocas" dos cavalos" (vs. 18, 19). A qualidade demoníaca destas três pragas está indicada pela frase repetida de que estas pragas infernais "saíam de sua boca" (vs. 18, 19; ver 16:13, 14).

Em essência, o significado deste juízo se desdobra posteriormente na segunda metade do Apocalipse, onde o rio Eufrates está de novo descrito como os seguidores mundiais da meretriz "Babilónia" (Apoc. 17:1, 15). Essas multidões se voltam finalmente contra Babilónia e a queimam com "fogo" (V. 16) para cumprir o propósito divino (V. 17).

O ponto de atividade da sexta trombeta está estritamente sobre a multidão esmagadora (João só "ouviu" seu número) de forças demoníacas que matam uma grande parte da humanidade. Essas pessoas estavam presumivelmente desprotegida contra as doutrinas e poderes demoníacos. Estavam sem o selo protetor de Deus, sendo adoradores de demónios e de ídolos (Apoc. 9:20). D. Ford o explicou assim:

"As multidões que rechaçaram o sangue da expiação, o incenso da justiça de Cristo, o refrigério dos rios e das fontes divinas, e a luz dos corpos celestiais, não tem amparo contra as doutrinas de demónios, e finalmente, não tem amparo contra os próprios demônios".14

É esclarecedora a observação de que a sexta trombeta apresenta uma contraparte surpreendente ao selamento dos 144.000 servos de Deus em Apocalipse 7. Jon Paulien apresenta um sumário de seus paralelos importantes:

"Em ambas as seções [Apoc. 7:1-4 e 9:14-16], atar e desatar estão relacionados com os quatro anjos. Em ambas as seções, está-se contando um povo: em Apocalipse 7 ao povo de Deus; em Apocalipse 9 a seus equivalentes demoníacos. E estes são os dois únicos lugares no Apocalipse que contêm as palavras misteriosas: 'Ouvi o número' [ékusa ton arithmón]'. Se o tempo de graça segue durante a sexta trombeta e termina com o toque da sétima trombeta, a sexta trombeta é o equivalente histórico exato de Apocalipse 7:18. É a última oportunidade para a salvação, exatamente antes do fim".15

Chega a ser evidente que Deus desenhou um plano básico de acordo com o qual a história humana seguirá seu curso e alcançará seu objetivo indicado. Quando Deus tirar o freio de Satanás, este adversário poderá unir todas suas forças terrestres e demoníacas. Por outro lado, Cristo concederá o poder do Espírito Santo em sua plenitude a seus seguidores, o remanescente fiel (Apoc. 18:1). Apesar de tudo, os 200 milhões de cavaleiros ímpios não poderão destruir aos 144.000 servos de Cristo porque possuem o selo da proteção divina. Estes movimentos notavelmente paralelos se desenvolvem em forma adicional em Apocalipse 16:13-16. Ali Cristo anima a seus fiéis a estar alerta e a estar vestidos com a armadura de sua justiça para que suas bênçãos permaneçam sobre eles (v. 15), enquanto os seguidores do dragão, a besta e o falso profeta em todo mundo se encaminham para seu "Armagedom" (vs. 13-16).

Enquanto a sexta trombeta mostra uma destruição e decepção demoníacas em aumento, ainda trata com o tempo anterior ao fim (Apoc. 10:6). Como ensinam de maneira impressionante as visões subsequentes de Apocalipse 10 e 11, a sexta trombeta também inclui o período da oportunidade final para todas as pessoas, com o fim de que respondam ao testemunho do tempo do fim do evangelho eterno de Cristo (ver Apoc. 10:11; 11:7). Metzger assinala:
"Embora as imagens sejam horrendas, a intenção total do toque das sete trombetas não é infligir vingança e sim levar as pessoas ao arrependimento. Embora não se faz nada para minimizar a gravidade do pecado e da rebelião contra Deus, há uma ênfase tremenda na paciência e misericórdia de Deus. Em vez de uma destruição total, só é afetado um terço (9:18) ou alguma outra fração do total. A fração é simbólica da misericórdia de Deus".16

O simbolismo do tempo que se usa em Apocalipse 9:15 indicando que se soltam os 4 anjos de destruição "para aquela hora, dia, mês e ano" (CI; cf. BJ, NBE, JS, RC, BLH) é significativo e merece uma atenção especial. O original tem o artigo definido [ten, o] antes de toda esta frase fazendo de todas as suas partes uma unidade sintática, sem considerar cada parte em forma separada.
A ideia tradicional de que Apocalipse 9:15 indica quatro períodos de tempo separados ou independentes, não pode dar-se por assentado desta frase bíblica. Também pode legitimamente entender-se como um momento no tempo divinamente indicado. Se o virmos dessa forma, a sexta trombeta assinala para frente, o fim do tempo de graça, quando começa a sétima trombeta com as últimas pragas. Esse momento de tempo pavoroso pode identificar-se com a declaração profética de Apocalipse 22:11: "quem é injusto continue sendo injusto... o justo continue fazendo justiça" (CI). Este decreto é pronunciado ao concluir o juízo investigativo (ver 14:7). O ser humano deve viver conforme a sua eleição para que manifestem o seu verdadeiro carácter. Cada pessoa de cada época manifestará na segunda Vinda de Cristo a quem escolheu pertencer. Portanto, a sexta trombeta ensina que Deus domina os tempos de Satanás e lhe determinou um tempo limite absoluto. Em forma parecida, Roy Naden comenta Apocalipse 9:15:
"A sexta trombeta termina na hora assinalada, num dia, num mês, num ano (note a quádrupla descrição indicando o significado 'universal' do momento). Quando soar essa hora, terminará o tempo de graça e não haverá mais oportunidade para que nenhuma pessoa mude a sua lealdade... O Pai baixará o pano de fundo do tempo de graça da história na mesma hora já determinada".17
Antes que chegue esse momento, Deus remove gradualmente sua proteção e seu poder restritivo, mostrando aos homens os frutos amargos de suas próprias idolatrias e seu ódio contra o Criador e contra seus fiéis seguidores. Estes juízos das 6 trombetas não representam a Deus como o executor dos decretos divinos. Antes demonstram o "poder vingador de Satanás sobre os que se rendem ao seu controle".18 Satanás se oporá em forma persistente a Deus e à proclamação do evangelho até a hora final do tempo de graça.

Enfoque Especial sobre os Acontecimentos do Tempo do Fim
As trombetas acentuam seu enfoque crescente no tempo do fim por meio da declaração de uma voz celestial: "Ai! Ai! Ai dos que moram na terra, por causa das restantes vozes da trombeta dos três anjos que ainda têm de tocar!" (Apoc. 8:13). Dessa maneira, as visões das 3 últimas trombetas são juízos intensificados ou "ais", e formam a transição das advertências divinas aos ais demoníacos. Paulien declara com acuidade: "Nestes ais, Deus, para seus próprios propósitos, permite que as forças do mal se incrementem até que alcancem virtualmente o domínio do cenário da terra".19

Como é típico no Apocalipse, o lado escuro está equilibrado por uma visão brilhante para o tempo do fim. Assim como João inseriu uma visão de israelitas vitoriosos em Apocalipse 7 entre o sexto selo e o sétimo, assim agora insere algumas visões animadoras para o povo de Deus do tempo do fim entre a sexta e a sétima trombeta, ou seja: Apocalipse 10 e 11:1-13.
O plano literário particular de um parêntese entre o sexto e o sétimo selo e de novo entre as trombetas correspondentes tem um propósito específico. Estes interlúdios são refletores que se ampliam sobre os acontecimentos do tempo do fim em conexão com o sexto episódio de cada série profética. Dessa forma, Apocalipse 7 apresenta o selamento dos 144.000 israelitas espirituais como o equivalente da cena espantosa de juízo do sexto selo (Apoc. 6:12-17).

Nas visões de Apocalipse 10 e 11, João introduz o equivalente positivo das ameaças e ais demoníacos das últimas trombetas. Isto significa que as visões de Apocalipse 7, 10 e 11 transladam o leitor ao tempo do fim, quer dizer, aos acontecimentos finais da era da igreja. Estas visões que iluminam estão designadas para consolar e animar o povo de Deus do tempo do fim. Os seguidores de Cristo recebem seu cuidado especial e são chamados por um mandato específico a cumprir sua missão apesar da oposição cruel e do sofrimento (Apoc. 7:14; 10:1-11). Receberão um poder extraordinário para dar seu testemunho quando se intensificar a luta entre o anticristo e a igreja remanescente. Deus vindicará no fim a suas testemunhas verdadeiras, que dão a ele toda a honra e a glória (Apoc. 11:1-13).

Hans K. LaRondelle
Referências:
14 D. Ford, Crisis! A Commentary on the Book of Revelation, t. 2, p. 458.
15 Paulien. "Seals and Trumpets: Some Current Discussions" [Os Selos e as Trombetas: Algumas Discussões Atuais], Simpósio sobre o Apocalipse, T. 1, p. 196.
16 Metzger, Breaking the Code. Understanding the Book of Revelation, p. 66.
17 Naden, P. 152.
18 Ellen White, GC 36.
19 Paulien, Decoding Revelation's Trumpets. Literary Allusions and Interpretation of Revelation 8:7-12, p. 417.

Preparação Pr. José Carlos Costa

Analisando Hebreus 9:12: Jesus Entrou no Lugar Santo ou Santíssimo?

A tradução de João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada de Hebreus 9:12 afirma que Jesus entrou no Lugar Santíssimo por ocasião de sua ascensão aos Céus:
Hebreus 9:12: não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção.

Esta edição da Almeida se enganou em sua tradução do grego. Para fazer prova inequívoca deste fato iremos citar 10 traduções bíblicas que não concordam com a tradução da Almeida Revista e Atualizada:

A Edição em Espanhol Reina Valera afirma:
Hebreus 9:12: Y no por sangre de machos cabríos ni de becerros, mas por su propia sangre, entró una sola vez en el santuario, habiendo obtenido eterna redención.

A tradução mais exaltada da língua inglesa, a King James, afirma que Jesus entrou no Lugar Santo:
Hebreus 9:12: Neither by the blood of goats and calves, but by his own blood he entered in once into the holy place, having obtained eternal redemption for us.

A tradução Italiana de Giovanni Diodati (1649) afirma:
Hebreus 9:12: e non per sangue di becchi e di vitelli; ma per lo suo proprio sangue, è entrato una volta nel santuario, avendo acquistata una redenzione eterna.

A própria João Ferreira de Almeida Atualizada, afirma:
Hebreus 9:12: e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção.

A Tradução das Testemunhas de Jeová (Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas de 1986), dizem:
Hebreus 9:12: ele entrou no lugar santo, não, não com o sangue de bodes e novilhos, mas com o seu próprio sangue, de uma vez para sempre e obteve [para nós] um livramento eterno.

A maior prova, no entanto, vem das traduções católicas que foram feitas por pessoas que passaram a vida estudando grego e latim:

A Bíblia AVE MARIA diz:
Hebreus 9:12: sem levar consigo o sangue de carneiros ou novilhos, mas com seu próprio sangue, entrou de uma vez por todas no santuário, adquirindo-nos uma redenção eterna.

A Bíblia da CNBB afirma:
Hebreus 9:12: Ele entrou no Santuário, não com o sangue de bodes e bezerros, mas com seu próprio sangue, e isto, uma vez por todas, obtendo uma redenção eterna.

The New American Bible (Católica)
Hebreus 9:12: he entered once for all into the sanctuary, not with the blood of goats and calves but with his own blood, thus obtaining eternal redemption.

A Revised Standart Version diz:
Hebreus 9:12: he entered once for all into the Holy Place, taking not the blood of goats and calves but his own blood, thus securing an eternal redemption.

A Bíblia Latino Americana atesta:
Hebreus 9:12: Y no fue la sangre de chivos o de novillos la que le abrió el santuario, sino su propia sangre, cuando consiguió de una sola vez la liberación definitiva.

Como podemos ver as traduções de Hebreus 9:12 constam que Jesus entrou no LUGAR SANTO ou no SANTUÁRIO por ocasião de sua ascensão. A razão é simples: quando se entra no Santuário o primeiro compartimento é o lugar santo. A Tradução Almeida Revista e Atualizada no Brasil está errada como mostra as demais edições internacionais, com destaque para a King James, que é exaltada por todas as igrejas dos países de fala inglesa. O testemunho das Bíblias católicas e da Bíblia das testemunhas de jeová é deveras interessante pois estas igrejas não possuem uma doutrina do Santuário e não sabem que Jesus apenas entrou no lugar santíssimo 18 séculos depois de sua ascensão.

Para saber mais: Bíblia de 1681 Confirma a Doutrina do Santuário.

Fonte

O Juízo Investigativo no Santuário Celestial

Hebreus 8:1-2, 9:11 e 24, declara que Jesus entrou no Santuário Celeste como nosso advogado e intercessor. Veja antes as páginas: O Santuário Terrestre e O Santuário Celestial. A Bíblia também nos ensina que no dia 22 de Outubro de 1844, Jesus começou o julgamento dos humanos neste Santuário. Como descobrimos isso?

O juízo universal
No livro do Apocalipse encontramos o anúncio de um juízo. Um juízo universal e de consequências eternas. Um dia Lúcifer disse que estava certo e Deus, errado. O Criador deu-lhe o tempo necessário para provar a validade de suas acusações e para esclarecer qualquer dúvida na mente das criaturas. Mas, finalmente, chega o dia em que todas as acusações e seus resultados devem ser julgados.

No capítulo 14 de Apocalipse, o apóstolo João nos leva a contemplar essa cena crucial do grande conflito entre o bem e o mal. “Vi outro anjo” – diz o profeta – “voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, tribo, língua, e povo.” (Apocalipse 14:6).

Quem é esse anjo e a quem simboliza?
Ao longo de todo o livro do Apocalipse são mencionados muitos anjos. Dessa vez João vê outro anjo. Este “anjo” ou “mensageiro” representa, segundo os comentaristas bíblicos, “os servos de Deus empenhados na tarefa de proclamar o evangelho”.1 Afinal de contas, a missão de pregar o evangelho foi dada por Jesus aos discípulos antes de o Mestre partir.” (Marcos 16:15 e 16). Quer dizer que, hoje, existe neste mundo um povo especial, com uma mensagem especial para ser dada aos moradores da Terra.

A mensagem que essas pessoas proclamam é a seguinte: “Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora de Seu juízo.” (Apocalipse 14:7). Essa mensagem é de suma importância porque é o anúncio do dia do acerto de contas: finalmente chegou a hora do julgamento. Quando o juízo findar, todo o Universo saberá sem sombras de dúvidas quem estava com a razão: Satanás ou Cristo. Lá nos céus, muito tempo atrás, Lúcifer acusou a Deus de ser tirano, arbitrário e cruel. Acusou-O de estabelecer princípios de vida que nenhuma criatura poderia cumprir e, portanto, de não merecer mais adoração nem obediência. Mas agora chegou o momento do veredicto final. A História encarregou-se de acumular as provas. Os livros serão abertos, e o juízo começará.

A Bíblia está cheia de afirmações que confirmam a existência de um juízo para a raça humana. Observe algumas delas:

“Porque Deus há-de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más.” (Eclesiastes 12:14)
“Porquanto [Deus] estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça…” (Atos 17:31)
“Porque importa que todos nós compareçamos ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou mal que tiver feito por meio do corpo.” (II Coríntios 5:10)
Mas a grande pergunta é: Quando acontece o juízo? Como saber o tempo exacto em que esse julgamento terá início? Se nosso destino eterno está em jogo, não deveríamos preocupar-nos por estudar a profecia a fim de estar preparados para aquele dia?

O Dia do juízo
Para compreender as profecias do Apocalipse é preciso conhecer bem o Velho Testamento. Isso porque, no Apocalipse, muitos detalhes proféticos do Velho Testamento cobram sentido. No Apocalipse está o maravilhoso final da história que começa no Génesis. Portanto, para saber quando começa o juízo que o Apocalipse menciona, é preciso rever, na história bíblica, quando se realizava o juízo em Israel, o povo de Deus no Velho Testamento.

Segundo o Mishná, que é a colecção dos escritos judeus, o juízo de Israel começava no primeiro dia do sétimo mês, com a Festa das Trombetas, e terminava no décimo dia, com a Cerimónia da Expiação. Até hoje esse dia é denominado “Yom Kippur“, que significa literalmente “dia do juízo”.2 Nesse dia, cada verdadeiro israelita renovava sua consagração a Deus e confirmava seu arrependimento, ficando, assim, perdoado e limpo. (Levítico 16:30)

Nesse dia, também, o sumo sacerdote de Israel efectuava a limpeza ou purificação do santuário, com sacrifícios de animais. Note agora o que a Bíblia diz a esse respeito: “Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que se acham nos Céus se purificassem com tais sacrifícios; mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios a eles superiores. Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém, no mesmo Céu, para compadecer, agora, por nós, diante de Deus.” (Hebreus 9:23 e 24).

Um santuário no Céu e o juízo
Se você analisar com cuidado essa declaração bíblica, chegará à conclusão natural de que existe um Santuário lá nos Céus e que o santuário terreno do povo de Israel era apenas uma figura do verdadeiro que está nos Céus. Bom, se o dia da purificação do santuário de Israel era o dia do juízo para aquele povo, está claro que o dia da purificação do Santuário Celestial será também o dia do juízo da humanidade. Mas quando acontecerá isso? Se descobrirmos essa data, teremos descoberto a data do início do julgamento do planeta em que vivemos. Não é fascinante?

Agora vem algo que surpreende: a Bíblia contém uma profecia quase desconhecida pela humanidade (se você tiver uma Bíblia em casa, é só conferir). Essa profecia esta registrada em Daniel 8:14, e diz assim: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado.” Essa profecia não pode se referir à purificação do santuário de Israel, porque essa purificação era realizada a cada ano. Aqui está falando necessariamente da purificação do Santuário nos Céus. E isto é confirmado pela própria Bíblia (Hebreus 9:25 e 26). Isso quer dizer que, se descobrimos quando termina essa profecia, teremos descoberto o dia da purificação do Santuário Celestial, ou seja, o dia do juízo dos seres humanos.
Enquanto Daniel orava pedindo que Deus lhe revelasse o significado da profecia, o anjo apresentou-se novamente ao profeta, dizendo: “No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a palavra, e entende a visão… Sabe e entende, que desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até o Ungido, o Príncipe, haverá sete semanas e sessenta e duas semanas… E ele fará um pacto firme com muitos por uma semana; e, na metade da semana, fará cessar o sacrifício.” (Daniel 9:23 a 27).

Nesse texto estão contidos dados necessários para entender a profecia. Com essa declaração bíblica podemos estabelecer o seguinte diagrama: (primeiro leia os pontos explicativos e depois olhe para o diagrama).

Perceba que o período profético de 2300 anos começa quando saiu “a ordem para restaurar e edificar Jerusalém”. (Daniel 9:25; Esdras 7:7 e 11; Esdras 7:21 e 22). E a História registra que essa ordem foi dada pelo rei Artaxerxes, da Pérsia, no ano 457 a.C. Este é, então, o ano do início do período profético.
A profecia diz que, do ano 457 a.C. “até o Ungido Príncipe” (ou seja, o baptismo de Jesus), haveria “sete semanas e sessenta e duas semanas”. Esse total de 69 semanas, em linguagem profética, equivale a 483 anos, o que nos leva ao ano 27 d.C., data em que historicamente realizou-se o baptismo de Jesus. Até aqui a profecia tem-se cumprido com exactidão.
A profecia fala de uma semana a mais (sete dias proféticos = sete anos), que nos leva do ano 27 d.C. até o ano 34 d.C., quando o apóstolo Estevão foi apedrejado pelo povo judeu e, com isso, o tempo de Israel estava acabado. “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo” (Daniel 9:24), tinha dito o anjo ao explicar a profecia para Daniel. Isso também se cumpriu com exactidão.
A profecia afirma que, na metade dessa última semana – que nos leva ao ano 31 d.C. – “fará cessar o sacrifício”. Noutras palavras, Jesus morreria na cruz e já não seria mais necessário o sacrifício de animais que Israel realizava. A História registra que, exactamente no ano 31 d.C., Jesus foi morto, e você pode ver mais uma vez como a profecia se cumpriu de maneira extraordinária.
Até aqui, tudo aconteceu como estava previsto. A profecia foi dada a Daniel por volta do ano 607 a.C. e, séculos depois, tudo se cumpriu ao pé da letra.
Agora me acompanhe no raciocínio. Se, depois do período de 70 semanas (490 anos) continuarmos contando o tempo, concluiremos que o período de 2300 anos termina em 1844. Quer dizer que, naquele ano, segundo a profecia, o Santuário Celestial seria purificado, ou seja, começaria o grande julgamento da raça humana.
457 a.C. – Emissão da ordem para reconstruir Jerusalém (Esdras 7:11 e 12).
408 a.C. – Jerusalém reconstruída e o Estado judeu restaurado.
27 d.C. – Baptismo de Jesus (Mateus 3:13 a 17).
34 d.C. – Morte de Estevão (Atos 7:54 a 60); a Igreja é perseguida (Atos 8:1 a 3) e o Evangelho é levado aos gentios (Atos 13:44 a 48).
1844 – Início do Juízo Investigativo (Daniel 8:14; Apocalipse 3:7 e 8).
Vivendo em pleno juízo

Isso é algo surpreendente e de solene significado. A humanidade não pode viver este milénio sem saber que o juízo divino começou. Este não é um assunto para o futuro. Segundo a profecia, foi a partir de 1844 que o destino dos homens começou a ser definido, e milhões de pessoas no mundo ignoram essa verdade. Por isso o Apocalipse declara que era necessário levantar-se um anjo “voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a toda nação, tribo, língua, e povo, dizendo em grande voz: temei a Deus e dai-Lhe glória, pois “É CHEGADA A HORA DE SEU JUÍZO“.

Perceba que o anjo voa. Isso é urgente. Voar significa rapidez. Não há mais tempo a perder. Perceba que a mensagem é dada em alta voz. Isso não pode ser ignorado por mais tempo. Precisa ser proclamado em toda a Terra e para todos os seres humanos. E, finalmente, perceba que este evangelho é eterno. Não é nada novo; algo que foi inventado por alguém. Trata-se da história do maravilhoso amor de Deus pelos seres humanos.

Infelizmente, o juízo, por algum motivo, é mal compreendido pela humanidade. Muitos confundem o juízo divino com os flagelos e catástrofes que acontecerão antes da volta de Cristo, e que também estão profetizados no Apocalipse. Só que aqueles flagelos são parte da sentença. Eles são resultado do juízo. Não é juízo. A prisão ou pena de morte, por exemplo, não é o juízo da pessoa, mas a condenação. Juízo é o processo pela qual se considera o caso: existe um juiz, um advogado, um promotor de acusação, testemunhas e provas.

Veja como o profeta Daniel descreve o juízo celestial: “Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de dias Se assentou; Sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a lã pura… um rio de fogo manava e saía de diante d´Ele. Milhares e milhares O serviam, e miríades e miríades estavam diante d´Ele; assentou-se o tribunal, e se abriram os livros.” (Daniel 7:9 e 10) Note, aí estão o Juiz e também os livros.

Agora confira como o juízo é descrito pelo Apocalipse: “E olhei, e eis não somente uma porta aberta como também a primeira voz que ouvi dizendo: sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas.” (Apocalipse 4:1). Depois de que coisas? Depois que a porta for aberta, claro. E quando é que a porta foi aberta?

Uma porta aberta em 1844
No santuário de Israel, a porta que levava do lugar santo ao lugar santíssimo, era aberta a cada ano, no Dia da Expiação (que era o dia do juízo). Com relação ao Santuário Celestial é dito que:

“Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para Se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio. Ora, neste caso, seria necessário que Ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, Se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de Si mesmo, o pecado.” (Hebreus 9:24 a 26)
(Assim, a oportunidade de Salvação ainda está aberta a todos, inclusive para você! Só que ela acabará quando cristo deixar o Lugar Santíssimo. O evento histórico que marcará isso é a queda das 7 pragas (AP 16). O Espírito Santo sempre tem razão, hoje é o dia de se decidir por Cristo, Hoje é o dia da sua, da nossa salvação. Porque amanhã Cristo poderá ter deixado de ser advogado e será apenas juiz e aí não haverá mais oportunidade de salvação para ninguém!). Veja abaixo o cronograma geral do juízo:

1844................................................................................Juízo Investigativo


Término do Juízo..............................................................................7 Pragas  

Referências:
Alejandro Bullón, O Terceiro Milênio e as Profecias do Apocalipse, 1.ª ed., 1998, pág. 29.

1. Seventh-Day Adventist Bible Comentary, vol.7, pág. 827.

2. The Jewish Encyclopedia, vol. 2, pág. 281.