AS OFERTAS E OS SACRIFÍCIOS

INTRODUÇÃO:
Leviticos:1-7

Sabemos que o Sumo-Sacerdote da Antiga Aliança, era uma figura, um tipo de Cristo o Grande Sacerdote instituído sobre a Casa de Deus. Assim como o Sumo-Sacerdote era o representante, o mediador entre Deus e os filhos de Israel, Jesus é o representante, o mediador da Nova Aliança em favor daqueles que hão de herdar a vida eterna! Porém há uma grande diferença entre o Sumo-Sacerdote no Antigo Testamento e Jesus. Enquanto que o Sumo-Sacerdote precisava primeiramente oferecer sacrifício pelos seus próprios pecados para depois oferecer sacrifícios pelos pecados do povo, Jesus não precisou de quaisquer sacrifícios por si mesmo, uma vez que não tinha pecados, 1 Pe 2.21-22, "21 Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, 22 o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca". Enquanto que o Sumo-Sacerdote oferecia sacrifícios de animais para remissão de pecados, Jesus ofereceu-se a si mesmo pelos nossos pecados, Hb 9.28, "...assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos...". Por esta razão Jesus foi feito Sacerdote com um ministério muito mais excelente! Hoje queremos descrever as ofertas do Tabernáculo e ver os simbolismos que estavam por detrás delas.

AS OFERTAS E OS SACRIFÍCIOS
Em nossa apreciação sobre este tema, estaremos fazendo alusão às principais ofertas e sacrifícios que eram praticados diariamente no Tabernáculo. O povo comparecia perante seus representantes – os sacerdotes, que eram os intermediários, os mediadores entre Deus e eles. Se o israelita levava a oferta, ao sacerdote cabia oferecê-la ao Senhor que a aceitava como "cheiro agradável" em sua presença. Esta era a tônica dos rituais ofertórios. Sobre estas ofertas e sacrifícios não podemos deixar de considerar a palavra de Barrow:

"As Ofertas que Deus falou a Moisés a respeito, eram um meio de adoração, e também um sacrifício para perdão e restauração pessoal diante de Deus. Muitas das ofertas estavam relacionadas com o Altar de Holocausto.
Os sacerdotes sacrificavam várias ofertas à Deus, que eram oferecidas pelos seus próprios pecados e também pelos pecados do povo (tanto pecados conhecidos como desconhecidos). Algumas ofertas eram oferecidas regular e freqüentemente, enquanto outras eram oferecidas apenas em certos casos de necessidade".(1)

Queremos destacar principalmente as cinco principais ofertas e sacrifícios que são: A Oferta do Holocausto, A Oferta de Manjares, A Oferta Pelo Pecado, A Oferta Pelo Sacrilégio, O Sacrifício da Paz.

I. A OFERTA DO HOLOCAUSTO
LV 1.3-17; 6.8-13
DESCRIÇÃO:
1. Ao falarmos sobre a Oferta do Holocausto, precisamos entender que este tipo de sacrifício corresponde a toda carne queimada sobre o altar do holocausto. A palavra holocausto vem do termo hebraico "hle" - `olah, e tem como significado "queimado que sobe". No dizer de Shedd:
O termo original ‘olah de significado ‘aquilo que sobre’, tanto podia referir-se à oferta que subia ao Senhor, como ao ‘cheiro suave’ (Lv 1.17), ou ainda ao animal inteiro, e não apenas parte dele, que era oferecido, ou erguido sobre o altar. Embora não seja o mais importante, é no entanto este sacrifício o que se menciona em primeiro lugar, talvez por ser o mais grandioso" (2)
2. Alguns detalhes importantes relacionados aos holocaustos:
a) Os holocaustos deveriam ser oferecidos a cada manhã e também ao cair da tarde. Nos dias comuns deveria ser oferecido apenas um cordeiro com um ano de idade, sem defeito, mas aos sábados, dois cordeiros deveriam ser oferecidos pela manhã e outros dois à tarde, Nm 28.9-10, "9 No dia de sábado, oferecerás dois cordeiros de um ano, sem defeito, e duas décimas de um efa de flor de farinha, amassada com azeite, em oferta de manjares, e a sua libação; 10 é holocausto de cada sábado, além do holocausto contínuo e a sua libação".
b) Em virtude da freqüência e regularidade em que ocorriam estes sacrifícios, eles eram também chamados de "sacrifícios contínuos", Êx 29.42, "Este será o holocausto contínuo por vossas gerações, à porta da tenda da revelação, perante o Senhor, onde vos encontrarei, para falar contigo ali". Os israelitas podiam somar aos holocaustos, ou sacrifícios contínuos as chamadas "ofertas queimadas".
c) O ofertante colocava as mãos sobre o animal destinado ao sacrifício, reconhecendo nele o seu substituto. Um detalhe importante é que o próprio ofertante abatia o animal na presença dos sacerdotes, os quais aspergiam o seu sangue sobre o altar, Lv 1.4-5, "4 E porá a mão sobre a cabeça do holocausto, para que seja aceito a favor dele, para a sua expiação. 5 Depois, imolará o novilho perante o SENHOR; e os filhos de Arão, os sacerdotes, apresentarão o sangue e o aspergirão ao redor sobre o altar que está diante da porta da tenda da congregação". O animal inteiro, com exceção do seu sangue era, então, queimado e a fumaça subia representando a consagração do ofertante diante de Deus. Não podemos nos esquecer que o holocausto seria sempre uma "... oferta queimada, de aroma agradável ao SENHOR", Lv 1.9.

2 SIMBOLISMOS
a) No Holocausto, o animal sacrificado deveria ser entregue sobre o altar para ser queimado. Isto era agradável a Deus, "cheiro suave": "Assim queimarás todo o carneiro sobre o altar; é um holocausto para o Senhor; é cheiro suave, oferta queimada ao Senhor", Êx 29.18. Da mesma maneira, Cristo entregou-se por nós em sacrifício a Deus, Ef 5.2, "... e andai em amor, como Cristo também vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em "cheiro suave". A expressão "cheiro suave", vem dos termos gregos: "osmh" (osme) – cheiro, aroma e "euwdia" (euodia) – "cheiro doce", "fragância", "perfume agradável". O sacrifício de Cristo pelos nossos pecados subiu a Deus como uma fragância agradável a Deus. Falando sobre o sacrifício de Cristo nos escreve Mesquita:

"Jesus, nosso holocausto, foi entregue, nada reservando de sua santa personalidade, Seu sangue, sua mente, sua vontade, sua alma, Ele entregou ao fogo da vida e da cruz. Não será repetição dizer que o sacrifício de Cristo no Calvário reuniu todos os antigos sacrifícios numa forma perfeita e infinita, Toda a vida de Jesus foi um holocausto, mas a morte foi o seu clímax. É certo que ele não foi literalmente queimado, mas também nada lhe faltou para que fosse consumido pelos sofrimentos da cruz. Ali, te se deu todo inteiro em substituição, em obediência ao Pai. Nós, que agora vivemos e levamos o resto das aflições de Cristo, também oferecemos diariamente o nosso sacrifício. Nisso não fazemos mais que imitar o Senhor".(3)

b) Assim como o animal era levado ao sacrifício sem oferecer qualquer resistência, Cristo também, no dizer do profeta Isaías foi conduzido ao "matadouro", não demonstrando qualquer resistência aos seus opressores e algozes, Is 53.7, "Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é levado ao matadouro, e como a ovelha que é muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a boca". Pelo contrário, as Escrituras nos dizem que Jesus entregou-se a si mesmo para o sacrifício, Gl 2.20, "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim". Esta entrega foi motivada pelo verdadeiro amor! No dizer de Paulo: "Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós", Rm 5.8.
c) Um ponto importante a considerar é que nos sacrifícios, o animal era uma representação do pecador; o sacerdote era representação da divindade. Homem e Deus estavam presentes ali! Em seu sacrifício, Cristo cumpriu estas duas exigências legais. Ele foi o "Cordeiro" oferecido em holocausto – "... eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo", Jo 1.29. Mas, foi também ao mesmo tempo o Sacerdote, que conduz o homem à presença de Deus. Como diz Mesquita:

"O sacerdote tinha de ser da própria natureza do pecador, para poder interceder por ele e sentir todas as suas necessidades; tinha também de ser da natureza divina, para poder aproximar-se dela. De sua identidade com a raça em geral e com o pecador em particular, nada se pode dizer em contrário, porque ele era homem como os demais. Sua relação com a divindade era obtida por meios cerimoniais, que por sua vez eram prototípicos. O sacerdote devia ser consagrado, conforme veremos nos capítulos 8-10 de Levítico, e, por essa consagração, era inteiramente separado, para fins religiosos, dos demais homens. Era uma pessoa que, não obstante ser homem, era olhada como vivendo acima dos homens, partilhando dos privilégios da divindade mesmo. Assim, de um lado, ele era aceitável ao pecador como pertencente à mesma raça; por outro, era aceitável a Deus em virtude de sua consagração. Era, pois, para todos os efeitos, o mediador entre o pecador e Deus. A temporalidade deste ofício é inquestionável, considerando-se que ele não podia simpatizar em toda a extensão com a raça, nem podia partilhar perfeitamente da natureza divina. Sua obra era, pois, para o tempo somente, e as lições dela, para a eternidade".(4)

II. A OFERTA DE MANJARES
LV 2.1-16; 6.14-18
DESCRIÇÃO:
1. As ofertas de manjares (hxnm Nbrq - qorban minchah), eram oferecimentos de cereais que os israelitas faziam ao Senhor. Observe o comentário de Shedd sobre os componentes e os detalhes deste tipo de oferta:
"... consistia na oferta dum cereal, em que entrasse sobretudo a flor de farinha, geralmente misturada com azeite (Lv 7:10; 5:11), ou com azeite e incenso por cima (Lv 2.6). Cozida ou não, o sacerdote tomaria um punhado dela e a colocaria sobre o altar, desde que contivesse todo o incenso indispensável. Tomava então e nome de memorial (Lv 2.2), talvez por causa do incenso sagrado (Êx 30:84) que oferecia no altar de ouro duas vezes por dia o sacerdote à hora da oração, servindo para obter a aprovação do Senhor, ou antes para que o Senhor não se esquecesse do oferente. Talvez es títulos dos Sl 88 e 70 indiquem que deviam ser recitados na ocasião da oferta deste memorial".(5)

2. Detalhes relacionados à oferta de manjares:
a) Da mesma maneira que o holocausto, a oferta de manjares precisava ser voluntária. A expressão "... Quando alguma pessoa fizer oferta de manjares ao SENHOR" (Lv 2.1), implica em disposição e voluntariedade por parte do ofertante.
b) Era o único sacrifício em que as carnes não estavam envolvidas. Era oferecido apenas farinha de trigo crua, grãos de cereais assados e bolos sem fermento. Todos os ingredientes eram oferecidos sobre o fogo com sal, óleo e incenso. O que sobrava era dos sacerdotes.
c) Esta oferta era um tipo de "oferta de gratidão", uma vez que lembrava aos israelitas de sua passagem pelo deserto, onde houve grande escassez de alimentos, dos quais foram eles supridos por Deus através do maná, o pão que caia do céu. Era uma forma de gratidão a Deus.

2 SIMBOLISMOS
a) Inicialmente podemos dizer que a Oferta de Manjares, simboliza o nosso sustento e provisão diária. Dependemos de Deus para ganhar o nosso pão-de-cada-dia. Foi por esta razão que Jesus, na oração do Pai-Nosso, nos orientou a orar pelo "pão": "... o pão nosso de cada dia nos dá hoje", Mt 6.11. Como filhos de Deus não precisamos conviver com a ansiedade e preocupação características dos homens sem Deus. Como nos ensinou Jesus: "Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?", Mt 6.25. Deus certamente suprirá cada uma de nossas necessidades, incluindo a necessidade de pão, Fp 4.19, "Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas riquezas na glória em Cristo Jesus". Queremos recorrer ao comentário de Mesquita:
"Antigamente, era o pão das Faces que significava a presença de Deus na mesa e no sustento dos crentes. Era uma mostra material, objetiva, de acordo com a capacidade dos crentes de antanho. Agora, com um novo santuário não feito por mãos, com novos moldes religiosos, novo sacerdócio, as antigas verdades se hão de crer e propagar de um modo diverso. Assim é o fato em Cristo Jesus.
Por todos os ensinos do Novo Testamento se encontram as promessas da presença real de Cristo em nós. Somos o seu templo, o seu órgão de revelação aos perdidos, por meio do testemunho da vida, somos as suas testemunhas. Vivendo de tal modo identificados nele, vivemos a vida dele. Paulo chega a afirmar que não vivia mais o Paulo, mas Cristo vivia nele, pois que a vida que agora vivia, vivia-a na fé do Filho de Deus (Gál. 2:20). Deste modo, Cristo é a nossa diária oferta, é o nosso pão, e as manifestações religiosas da vida são outras tantas mostras dessa verdade. Não vamos mais levar um punhado de farinha ao templo, mas vamos de outras maneiras públicas declarar que Me nos tem sustentado e sustenta. Se um hebreu confiava na sua provisão diária, muito mais nós, que vivemos mais diretamente ligados à divindade. Cristo é nossa provisão diária".(6)
b) Considerando que as Ofertas de Manjares não poderiam conter qualquer tipo de fermento, ou mel, isto porque estas substâncias alteram as características do produto ofertado, devemos entender que temos aqui um símbolo da vida cristã que deve ser autêntica, transparente, sem qualquer hipocrisia. Embora no Novo Testamento a figura do fermento foi usada para explicar o crescimento do reino (Mt 13.33), ele também é usado para ilustrar os efeitos devastadores do pecado que quando não tratado, se espalha rapidamente e contamina com facilidade (1 Co 5.6). Sobre esta característica do fermento nos fala Harrison:
"No Novo Testamento (Mt 13:33) o reino dos céus era assemelhado por Cristo ao fermento, presumidamente numa tentativa de ilustrar os efeitos permeadores do evangelho enquanto operava na sociedade para tomá-la cristã. Do outro lado, a natureza pervasiva do fermento era assemelhada por Cristo ao caráter do ensino indesejável (Mt 16:6, 11-12; 12:1), e por Paulo à propagação insidiosa do mal (1 Co 5:6; Gl 5:9). Estas referências tornam claro que o que há de importante no fermento é seu efeito permeador. O próprio agente é moralmente neutro, mas os resultados da sua atividade podem ser interpretados em termos de simbolismo positivo ou negativo, dependendo das circunstâncias".(7)
c) Outro detalhe importante a lembrar é que as Ofertas de Manjares deveriam ser sempre temperadas com sal. Embora o sal seja muito usado na antigüidade, seja para estabelecer alianças (Nm 18.19; 2 Cr 13.5), ou vínculos de amizade, o seu maior uso sempre foi como condimento alimentar. Note que são duas as suas principais características: Alterar o sabor dos alimentos e impedir que se estraguem. É dentro deste contexto que o Senhor Jesus disse que seus discípulos deveriam ser o "sal da terra", Mt 5.13. Como discípulos de Jesus precisamos "salgar", este mundo dando-lhe o sabor do Evangelho e impedir a corrupção do homem sem Deus. Devemos, no dizer de Paulo apresentar ao mundo uma palavra "temperada com sal", Cl 4.6. "A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um". Se a Palavra de Deus estiver presente em nossos lábios, o mundo à nossa volta certamente será atingido pelo poder de Deus!

III. A OFERTA PELO PECADO
4.1-5.13; 6.24-30
DESCRIÇÃO:
1. Pela sua própria natureza, o homem é pecador, condição esta herdada de Adão – "Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus", "Não há um justo, nenhum sequer", Rm 3.23, 10. Não há como livrar-se do pecado a não ser através de uma intervenção divina, que tinha como seu representante o sacerdote, o responsável para oferecer o animal em sacrifício, para remissão dos pecados do ofertante. Este tipo de oferta, era oferta obrigatória ao Senhor, diferentemente das ofertas voluntárias. Conforme nos diz Shedd:
"As ofertas pelas culpas próprias ou alheias eram obrigatórias como expiação por certos pecados, que podiam ser derivados à ignorância ou ao erro. Embora involuntariamente, cometia-se um pecado, se se praticasse algo ‘do que não devia fazer" (vs. 2.13, 22, 27), sem poder recorrer-se muitas vezes à desculpa da ignorância. Assim sucedia com os pecados mencionado sem 5.1-4. Tal como é descrito, por exemplo 11.24-28 e 17.15 e segs., afastava-se a impureza por meio de meras lavagens e ausência do culto no Santuário até o pôr do sol. Mas se alguém contraísse tal impureza sem o saber (ainda que lhe fosse oculto – (2) e, portanto cumprir com a lei da purificação (11:27 e segs.), pecava e era culpado (2). Quando o souber depois (4), faria a sua oferta pelo pecado. Trata-se, evidentemente, do pecado por ignorância. Mas por outro lado a falta de comparência para atestar um crime, quando eram citadas as testemunhas, pode ser derivada a várias razões, como por exemplo no caso do "juramento, proferido temerariamente" (4). Estes, sim, são pecados provenientes da fraqueza humana, exceto o pecado de teimosia (a "alta mão"), para o qual não há remissão".(8)
2. Veja a principais particularidades da Oferta Pelo Pecado:
a) Era um tipo de oferta que era indicada para a condição geral do pecador diante de Deus, já que todos os homens são pecadores, pois possuem uma natureza pecaminosa; e também para os chamados "pecados não intencionais", ou seja aqueles pecados feitos de maneira involuntária.
b) Esta oferta deveria ser oferecida pelo Sumo-Sacerdote (8.12), pelo monarca (8.22-26), pela congregação (8.13-21) e enfim, por qualquer membro do povo (8.27-35). A culpa pelo pecado seria condizente com a posição daquele que o havia cometido.
c) Observando o capítulo 5.1-6, temos uma lista de pecados que careciam deste tipo de oferta: Recusar ser testemunha, o contato com animal imundo, contato com imundícies humanas e o julgamento precipitado.

2 SIMBOLISMOS
a) Enquanto que o sacerdote oferecia a Deus um sacrifício insatisfatório, insuficiente, uma vez que o sangue de animais não podia remover definitivamente o pecado – Hb 10.4, "porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados", o sacrifício de Cristo foi completo e suficiente, tratando definitivamente com o pecado do homem em sua profundidade – Hb 9.11-12, "11 Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, 12 não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção". Nos diz Mesquita:
"Jesus, como sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, ofereceu um sacrifício pleno, cujo conteúdo tinha valor e mérito suficientes para perdoar os pecados dos maiorais entre os povos e os maiorais entre os pecadores. Sabemos que o sumo sacerdote tinha de oferecer primeiro sacrifícios por si mesmo, para depois aceitar o sacrifício do príncipe ou do plebeu. Em Jesus, porém, não é necessária esta exigência, porque ele era sacerdote sem defeito, sem pecado. Portanto, o seu sacrifício tinha poder bastante para cobrir o maior pecado do maior pecador. Uma das graças da religião cristã é sua gloriosa provisão para ricos e pobres. Não há distinção. Um sacrifício só para todos".(9)
b) Enquanto que no Tabernáculo, o sangue do animal era trazido para o interior do Santuário, onde era espargido por sete vezes na presença do véu, Cristo penetrou para dentro do véu e ali aspergiu o seu próprio sangue, Hb 9.12, "... não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção". É através do sangue de Cristo que nos tornamos vitoriosos contra o pecado, o mundo e satanás. Observe o que nos diz Mesquita:
"... quando o sangue de Cristo vem ao nosso coração, temos força sobre o pecado e toda a vida se renova e revigora pela abolição do pecado em nós, pois que ele não mais tem domínio sobre o crente. Ainda mais: o sangue de Jesus derramado no madeiro da cruz é a realidade da sombra do derramamento junto ao altar. Todo o sangue da vítima era ali derramado, assim como também todo o sangue de Jesus foi derramado na cruz. Se alguém quiser ver a Jesus no Velho Testamento, basta abrir o livro de Levítico e ler estes maravilhosos capítulos. Não era uma brincadeira, todo este ritual. Era para os tempos de antanho a coisa mais séria que podia haver, e não poderia deixar de ser assim, porque a obra futura de Jesus estava sendo profetizada ali".(10)
c) Enquanto que a confissão no Tabernáculo deveria ser realizada sobre a cabeça do animal, para assim o pecador ser aceito diante de Deus, hoje devemos confessar nossos pecados diretamente a Jesus, se quisermos receber o verdadeiro perdão, 1 Jo 1.9, "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça". No Tabernáculo o sacerdote era o intermediário da confissão; em Jesus não temos quaisquer intermediários, ou mediadores. Conforme Mesquita:
"Nós devemos, hoje, colocar nossa mão sobre a cabeça do Cordeiro de Deus e confessar sobre ele os nossos pecados, para que então sejamos aceitos, Que cerimônia tocante não seria aquela, quando um homem chegasse à porta oriental do Tabernáculo e fosse ao encontro do sacerdote, levando sua vítima substitucionária pela mão. Ali, na presença do representante de Deus, ele colocaria a mão direita com força sobre a cabeça da vítima e confessaria o pecado que ele sabia tinha cometido, e, ato contínuo, mataria ele mesmo a vítima como se fosse a si mesmo que se estivesse imolando por suas culpas, apanhando então o sacerdote o sangue para ir fazer a expiação diante do véu. Maior significação tem hoje o ato de um pecador jogar-se aos pés de Jesus, confessar ali suas culpas e aceitar o sangue que foi derramado uma só vez e ser incontinente perdoado. Que novas coisas surgem de tão singela cerimônia! Uma vida em novidades, uma vida renascida!"(11)
d) O contato com coisas, animais e pessoas imundas, era um tipo de transgressão que exigia a Oferta Pelo Pecado. Este tipo de pecado exigia do ofertante uma purificação; caso não observada, o infrator poderia ser morto, Nm 19.20, "No entanto, quem estiver imundo e não se purificar, esse será eliminado do meio da congregação, porquanto contaminou o santuário do SENHOR; água purificadora sobre ele não foi aspergida; é imundo". Não podemos nos esquecer de que o pecado nos torna "imundos", "impuros", e precisamos ser purificados, lavados não pela água, mas pelo "sangue de Cristo", Ap 22.14, "Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas". No dizer de João: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça", 1 Jo 1.9. A palavra "purificar" neste texto, vem do grego "kayarizw" – katharizo, e significa "limpar-se da sujeira", "purificar-se". Em quase todas as purificações judaicas usava-se a água. Porém na Nova Aliança, não precisamos da água para nossa purificação pessoal, e sim somos limpos através do sangue de Cristo e pela Palavra de Deus, Jo 15.3, "Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado".

IV – A OFERTA PELA TRANSGRESSÃO, OU SACRILÉGIO
LV 5.14-6.7; 7.1-10

DESCRIÇÃO:
1. A Oferta Pela Transgressão ou Sacrilégio, era um tipo de sacrifício envolvendo certos pecados, onde ficava patente que o dano causado carecia de uma retribuição. Ele é apresentado de duas maneiras: 1) A transgressão envolvendo uma falta diante de Deus, na omissão em dar as "coisas santas ao Senhor", aquilo que é do Senhor, como por exemplo, os dízimos, as ofertas, as primeiras coisas da colheita. Quando estas exigências não eram cumpridas pelos israelitas, exigia-se a entrega ao sacerdote dos bens retidos, ou o resgate; 2) A transgressão de mandamentos e princípios dados pelo Senhor. – Neste caso, a defraudação era contra o semelhante. Antes do ofertante apresentar qualquer oferta ao Senhor, deveria reparar o dano através de uma compensação do prejuízo. Shedd nos fala deste tipo de oferta:
"Este sacrifício refere-se ao pecado que exige uma restituição, mesmo antes da oferta, e apresenta-se sob duas formas: uma, pela transgressão de faltar em dar as ‘coisas sagradas do Senhor’ (5.15) isto é. nos dízimos, nas ofertas, nas primícias, etc., como pertencendo a Deus, e exigindo a entrega ao sacerdote ou o resgate: outra, pela transgressão ‘contra os mandamentos do Senhor’ (5.17). Já que as mesmas palavras se encontram várias vezes no cap. 4 (vs. 2, 13, 22 e 27), não há dúvida que o pecado em causa exigia uma restituição".(12)
2. Particularidades deste tipo de oferta:
a) O produto do roubo ou defraudação deveria ser compensado, antes mesmo do oferecimento de qualquer oferta a Deus, Lv 6.4, "... se, pois, houver pecado e for culpado, restituirá o que roubou, ou o que obteve pela opressão, ou o depósito que lhe foi dado em guarda, ou o perdido que achou".
b) Se o prejuízo fosse ocasionado por um juramento falso, além da restituição inteira do prejuízo, deveria ser acrescentada a "quinta parte", que seria entregue àquele que sofreu o prejuízo, no dia do oferecimento da oferta, "... ou qualquer coisa sobre que jurou falso; por inteiro o restituirá, e ainda a isso acrescentará a quinta parte; a quem pertence, lho dará no dia em que trouxer a sua oferta pela culpa", Lv 6.5.
c) A oferta exigia um carneiro "sem defeito", apresentado ao sacerdote que faria a expiação, Lv 6.6-7, "6 E como a sua oferta pela culpa, trará ao Senhor um carneiro sem defeito, do rebanho; conforme a tua avaliação para oferta pela culpa trá-lo-á ao sacerdote; 7 e o sacerdote fará expiação por ele diante do Senhor, e ele será perdoado de todas as coisas que tiver feito, nas quais se tenha tornado culpado".

2 SIMBOLISMOS
a) Um tipo de pecado dentre os pecados de transgressão, era o juízo temerário, um tipo de pecado que atinge o nosso semelhante, o próximo. Temos aqui em pauta o pecado da língua, um dos piores pecados. Certamente, o mau uso da língua pode destruir uma vida! Harrison faz a seguinte observação:
"O cristão é relembrado que a língua é um instrumento poderoso (Tg 3.5-6), e é especificamente advertido no Sermão da Montanha contra o fazer juramentos (Mt 5.34-36) e nas repreensões de Cristo dirigidas aos escribas e fariseus (Mt 23.16-22). Os servos do Senhor devem ser completamente fidedignos e confiáveis como testemunhas dEle"(13)
b) Devemos lembrar aqui também daqueles pecados que fazemos diretamente contra Deus: a defraudação nas ofertas, nos dízimos, a entrega dos primogênitos, das primícias, etc. Se defraudar o homem é pecado, muito mais o será quando defraudamos a Deus, retendo o que é dEle. Muitos filhos de Deus não são abençoados no mundo porque "seguram", para não dizer "roubam" o que pertence ao Senhor. Basta lembrarmos que Malaquias chama a retenção do dízimo de roubo, Ml 3.8, "8 Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas". Há ainda muitas outras coisas nas quais roubamos a Deus. Disto nos fala Mesquita:
"Não estamos, é certo, sujeitos às faltas a que estava sujeito o crente judaico, não satisfazendo às exigências da entrega dos primogênitos, das primícias, da assistência a certas festividades etc., e por isso não estaremos expostos a tantas falhas, mas, assim mesmo, há umas tantas coisas que sabemos serem exigidas e que devemos praticar, e, se as não praticamos, incorremos nas penalidades impostas aos hebreus. Digamos que o crente não foi à igreja, ainda que nada o impedia disso; ficou preguiçosamente em casa. Transgrediu, roubando o culto do Senhor. Deveria, neste caso, avaliar, se pudesse, o dano cometido, as despesas que teria feito e não fez com o transporte e coletas e pagar tudo isto com um quinto de multa. Seria isto mesmo que Deus exigiria? O autor não dogmatiza, mas não teme afirmar que, se transgredimos os preceitos da vida cristã, seja em não cumprirmos nossos deveres, seja em não pagarmos nossos dízimos, devíamos fazer restituição e pagar a multa. Os governos exigem pesadas multas dos contribuintes que não pagam dentro do prazo legal; será que Deus nos trata de modo diferente?".(14)

V. O SACRIFÍCIO DA PAZ, OU OFERTA PACÍFICA
LV 3.1-17. 7.11-34

DESCRIÇÃO:
1. A oferta pacífica, ou sacrifício da paz deveria acontecer de forma voluntária, quando o ofertante fosse movido pelo desejo de agradecer a Deus por algum motivo especial. Um animal macho ou fêmea deveria ser oferecido, mas sem qualquer mancha. Esta oferta era também chamada de "oferta da comunhão", já que inspirava por parte do ofertante um relacionamento de comunhão com o Senhor. Barrow a descreve com alguns detalhes:
"O sangue da Oferta Pacífica era espargido sobre o Altar de Holocausto, a gordura e as partes internas eram removidas e o restante era assado. A gordura e as partes internas eram queimadas; para satisfazer a Deus como cheiro suave. Por Deus havido mostrado claramente o que lhe agradava, a pessoa que oferecia tal oferta estava fazendo exatamente aquilo que agradava a Deus, e desta maneira tendo comunhão com Ele.
Havia também a ocasião em que a carne da oferta era para o sacerdote e o oferente consumir, comerem juntos, com bolos ázimos amassados com azeite, coscorões ázimos amassados com azeite de flor de farinha, similar a Oferta de Alimentos.
A Oferta Pacífica era uma indicação de um bom, saudável e amoroso relacionamento entre o oferente e Deus, e entre o oferente e o sacerdote. Havia paz com Deus e paz entre as pessoas em geral".(15)
2. Como nas outras ofertas temos também algumas particularidades em relação às Ofertas Pacíficas:
a) Dentre as outras ofertas, a Oferta Pacífica era a que expressava uma grande alegria e júbilo por parte do ofertante, já que ela era oferecida por aqueles que se julgavam estar em comunhão e paz com o Senhor. A oferta se constituía, então, numa forma de gratidão a Deus.
b) Outro detalhe importante é que esta oferta era aquela que era observada em último lugar, o que nos impulsiona a dizer que a paz certamente nos vem quando, como filhos de Deus, praticamos a obediência incondicional ao Senhor e procuramos andar em seus princípios.
c) Esta oferta poderia ser oferecida publicamente ou privativamente. Um exemplo de Oferta Pacífica pública está relacionado aos dois cordeiros que eram oferecidos por ocasião da Festa de Pentecoste, a qual era considerada "santíssima". Normalmente estas ofertas públicas ocorriam durante grandes manifestações nacionais, ou solenidades coletivas, onde havia muita alegria e regozijo.
d) As ofertas privadas vinham de:
- ações de graças, como reconhecimento do alcance de misericórdias, Lv 7.12, "Se fizer por ação de graças, com a oferta de ação de graças trará bolos asmos amassados com azeite, obreias asmas untadas com azeite e bolos de flor de farinha bem amassados com azeite".
- provenientes de votos, Lv 7.16, "E, se o sacrifício da sua oferta for voto ou oferta voluntária, no dia em que oferecer o seu sacrifício, se comerá; e o que dele ficar também se comerá no dia seguinte".
- Através de ofertas voluntárias, Lv 7.16, "E, se o sacrifício da sua oferta for voto ou oferta voluntária, no dia em que oferecer o seu sacrifício, se comerá; e o que dele ficar também se comerá no dia seguinte".
e) As Ofertas Pacíficas normalmente eram acompanhadas com uma libação e uma oferta de cereais, onde eram oferecidos um bolo feito de cereais ralados e de farinha de trigo misturada com azeite, além de bolos asmos, que eram preparados de três formas diferentes, com azeite, Lv 7.11-14, "11 Esta é a lei das ofertas pacíficas que alguém pode oferecer ao SENHOR. 12 Se fizer por ação de graças, com a oferta de ação de graças trará bolos asmos amassados com azeite, obreias asmas untadas com azeite e bolos de flor de farinha bem amassados com azeite. 13 Com os bolos trará, por sua oferta, pão levedado, com o sacrifício de sua oferta pacífica por ação de graças. 14 E, de toda oferta, trará um bolo por oferta ao SENHOR, que será do sacerdote que aspergir o sangue da oferta pacífica".
f) Era exigido do ofertante que colocasse suas mãos sobre o sacrifício, através de uma confissão de pecados e ainda que fizesse ação de graças a Deus. Após o animal ser abatido pelo próprio ofertante, o seu sangue era aspergido sobre o altar através do sacerdote; as entranhas e as gorduras eram queimadas ao Senhor. Esta oferta culminava numa festa grandiosa e jubilosa, onde a carne do animal, juntamente com os bolos asmos era comida pelos participantes.
g) Outro detalhe significativo desta oferta é que o ofertante, juntamente com seus amigos, os sacerdotes reuniam-se num relacionamento de feliz comunhão com o Senhor, no átrio do tabernáculo, Dt 12.17-18, "17 Nas tuas cidades, não poderás comer o dízimo do teu cereal, nem do teu vinho, nem do teu azeite, nem os primogênitos das tuas vacas, nem das tuas ovelhas, nem nenhuma das tuas ofertas votivas, que houveres prometido, nem as tuas ofertas voluntárias, nem as ofertas das tuas mãos; 18 mas o comerás perante o SENHOR, teu Deus, no lugar que o SENHOR, teu Deus, escolher, tu, e teu filho, e tua filha, e teu servo, e tua serva, e o levita que mora na tua cidade; e perante o SENHOR, teu Deus, te alegrarás em tudo o que fizeres". Essa refeição denotava a comunhão entre os adoradores e Deus. E também simbolizava e prometia amizade e paz com Deus.

2 SIMBOLISMOS
a) Como o próprio nome nos diz, a Oferta Pacífica, tem a ver com "comunhão e paz", que somente pode vir através de um íntimo relacionamento entre Deus e o ofertante. Através desta oferta, a comunhão entre Deus e o pecador se tornava realidade. Nenhum homem poderia chegar ao Altar para oferecer a Oferta Pacífica, sem antes haver passado pela Oferta da Expiação, ou seja, não poderia haver qualquer comunhão do pecador com Deus, sem que antes, uma vítima substitutiva pelo pecado fosse oferecida. Cumprindo esta exigência, o ofertante podia chegar para oferecer a Oferta Pacífica, e gozar da paz oferecida pelo Senhor. Porém, a paz com Deus nos dias do Velho Pacto não era absoluta, uma vez que havia necessidade de se fazer constantes oferendas. Já, na Nova Aliança, a paz é permanente e foi conquistada através do Senhor Jesus em nosso favor, Rm 5.1. Conforme diz Mesquita:
"Cristo ofereceu por nós o sacrifício de paz. Ele não nos salvou para ainda nos deixar no mesmo estado de ansiedade e dúvida ou guerra com Deus. Certa vez Jesus disse que o Reino de Deus estava dentro de nós, e o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas paz... Se há coisa que um cristão deve gozar como resultado de sua salvação, é paz, e paz com Deus. Não há dúvida de que ele terá muitas aflições, como Jesus mesmo adverte, mas Ele também diz que venceu o mundo, e é certo que nos conforta, para que vençamos também nossas lutas. A paz é o principal patrimônio do crente em Jesus. De tudo ele poderá ter pouco. Poderá ter pouco talento para umas tantas coisas; poderá ter pouco conhecimento das coisas desta vida; poderá ter pouco de tudo que há em todo sentido, mas poderá ser enriquecido de paz. É a única coisa em que todos podemos ser iguais e viver por igual nesta vida — na paz conosco mesmos e com Deus. "Não se turbe o vosso coração...". Se temos sido resgatados da maldição do pecado, tenhamos paz com Deus e paz dentro de nós. Certo que corvejam sobre esta nossa riqueza espiritual milhares de corvos. Sobre ela piam todas as corujas. Todavia, urge que não deixemos arrebatar tão preciosa dádiva. Conservemos a paz".(16)
b) Outro simbolismo envolvida na Oferta pacífica é o fato de que podemos erguer nossa voz para dar ações de graças a Deus. Devemos ter em mente que inúmeros dos sacrifícios que compunham as Ofertas Pacíficas, eram sacrifícios que deveriam expressar por parte do ofertante uma gratidão ao Senhor, "Se alguém o oferecer por oferta de ação de graças, com o sacrifício de ação de graças oferecerá bolos ázimos amassados com azeite, e coscorões ázimos untados com azeite, e bolos amassados com azeite, de flor de farinha, bem embebidos", Lv 7.12. Como filhos de Deus, temos muitos motivos para agradecê-LO! Falando aos crentes de Corinto Paulo não somente reconhece que devemos dar "graças a Deus", mas que esta prática seja também abundante, 2 Co 4.15, "Pois tudo é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de graças para glória de Deus". Falando ainda aos efésios, afirma que devemos dar graças continuamente, Ef 5.20, "sempre dando graças por tudo a Deus, o Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo"
c) Outro ponto importante de simbolismo está em que a gratidão a Deus, sempre vem acompanhada com a alegria. Sabemos que a alegria é outro fator que deve ocupar a vida do filho de Deus. Não se pode admitir crente carrancudo, emburrado, mal humorado, pavio curto, etc., Em nós deve brilhar a alegria da salvação! Quando Davi pecou, uma das coisas que ele lamenta ter perdido, foi o gozo da salvação. Porém, Davi não deixou de reivindicar esta bênção, quando implorava pelo perdão e restauração de seu pecado, Sl 51.12, "Restitui-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário". Como é bom servir a Deus e viver na alegria da Palavra. Segundo Mesquita:
"Já se disse que a vida do cristão é de festa. O que existe destoante deste postulado deve ser levado à conta de notas desafinadas na sinfonia humana. Devemos viver em festa espiritual, e assim vivem os que vivem verdadeiramente em Cristo. Há muitos cristãos tristes e chorosos, como há muitos queixosos e descontentes, mas simplesmente porque não vivem a verdadeira vida cristã. Pelo menos três vezes no ano deviam os crentes judeus comparecer a Jerusalém, a sede do culto, para oferecerem seus sacrifícios e fazerem festa. A nação não podia deixar-se matar de desânimo. Nós não podemos comparecer três vezes ao centro de nosso culto, porque comparecemos todos os dias e todos os momentos, pois que já chegou o dia quando nem em Jerusalém nem em Samaria se adora a Jeová, mas em qualquer parte da terra. Portanto, desta comunhão deve resultar maior alegria. Mesmo as melhores partes do culto de domingo são estragadas pelo espírito de amargura e angústia. Quantos crentes deixam a casa do Senhor em pior condição do que quando lá entraram! Há coisas que não estão sendo feitas como desejamos? Lembremo-nos de que tampouco as faríamos a contento de todos. O pregador não pregou como gostaríamos? Lembremo-nos de que não pregaríamos melhor do que ele. Há um mundo de coisas defeituosas e que não correm a nosso jeito, mas também nós somos um amontoado de defeitos e imperfeições e, todavia, nosso Pai nos aceita. Só há uma coisa que deve entristecer-nos: se andamos em pecado. Nenhuma outra coisa deve levar-nos a deixar de dar graças ao Senhor e vivermos alegres".(17)

BIBLIOGRAFIA:
BARROW, Martyn. Artigo "O Altar dos Holocaustos". http://www.domini.org/tabern. martyn@domini.org. Tradução: Pastor Eduardo Alves Cadete (05/01). Revisão: Joy Ellaina Gardner (02/02). Calvin G. Gardner 03/02.
BÍBLIA ONLINE. Sociedade Bíblica do Brasil. Versão 2.01. 1999.
HARRISON, R. K., Ph. D., D. D., "Levítico, Introdução e Comentário". Editora Mundo Cristão. São Paulo-sp, 1989.
LEA, LARRY. "Supremo Chamado", Editora Abba Press. São Paulo.
SHEED, Russel, PhD. O Novo Comentário da Bíblia. Edições Vida Nova. São Paulo. Vol. I, págs. 157-163.
MESQUITA, Antônio Neves de. Estudo do Livro de Levítico. Juerp (Junta de Educação Religiosa e Publicações da Convenção Batista Brasileira). Rio de Janeiro-RJ. 1971.

NOTAS:
(1) BARROW, Martyn. Artigo "O Altar dos Holocaustos". http://www.domini.org/tabern. martyn@domini.org. Tradução: Pastor Eduardo Alves Cadete (05/01). Revisão: Joy Ellaina Gardner (02/02). Calvin G. Gardner 03/02.
(2) SHEED, Russel. O Novo Comentário da Bíblia. Edições Vida Nova. São Paulo. Vol. I, pág. 158.
(3) MESQUITA, Antônio Neves de. Estudo do Livro de Levítico. Juerp (Junta de Educação Religiosa e Publicações da Convenção Batista Brasileira). Rio de Janeiro-RJ. 1971. Págs. 33-34.
(4) Id. ibid. pág. 35.
(5) SHEED, Russel. Op. cit., pág. 159
(6) MESQUITA, Antônio Neves de. Op. cit. págs. 47-48.
(7) HARRISON, R. K., Ph. D., D. D., "Levítico, Introdução e Comentário". Editora Mundo Cristão. São Paulo-sp, 1989. Pág. 49.
(8) SHEED, Russel. Op. cit. pág. 160.
(9) MESQUITA, Antônio Neves de. Op. cit. pág. 71.
(10) Id. ibid. pág. 72.
(11) Id. ibid. pág. 73.
(12) SHEED, Russel. Op. cit., pág. 161.
(13) HARRISON, R. K., Ph. D., D. D. Op. cit. pág. 63.
(14) MESQUITA, Antônio Neves de. Op. cit. pág. 83.
(15) BARROW, Martyn. Op. cit.
(16) MESQUITA, Antônio Neves de. Op. cit., págs. 61-62.
(17) Id. ibid. pág. 64.

O SHOFAR E A FESTA DAS TROMBETAS

shofar
O Shofar é um chifre animal, preparado para o uso como um instrumento musical. Contudo, é mais para fazer ruído do que música propriamente.
Seu som é descrito como: "áspero, agudo e ruidoso."
É feito de chifre de CORDEIRO, CABRA SELVAGEM, ANTÍLOPE, KUDU AFRICANO, ou GAZELLE - Nunca de uma vaca ou de um boi porque as vacas não eram referência sacrificial dos animais. O chifre preferido é o curvado. Isto retrata a necessidade do homem se dobrar diante de Deus.
O melhores chifres para o fabrico de shofar são os do "Kudu africano", que podem ter até 36 polegadas de comprimento com uma torção tripla. Estes são chifres muito bonitos e mais longos. Os sons criados por estes chifres mais longos são profundos, ricos e bonitos. Você chamá-lo-ia música e não ruído. Também os do Antílope.
O toque do Shofar é como um louvor sem palavras.
O Shofar é mencionado na Bíblia aproximadamente 70 vezes.
É traduzido como: Trombeta e Corneta.
Do original hebraico, a palavra shofar também é traduzida para o português como "trombeta", e indica as trombetas de prata (Números 10:2-3;9).
COMO É FEITO:
O Shofar é feito em etapas:
O calor e a pressão são usados fazê-lo mais atractivo.
Uma lixa é usada para remover o exterior áspero e melhorar a textura e a coloração, a fim de torná-lo mais bonito.
Uma broca é usada para abrir um trajecto para que o ar possa correr através do chifre.
A última etapa é o lustro para torná-lo numa bonita obra de arte. O Lustro alisa por fora e produz um brilho lustroso elevado no Shofar.
Alguns JUDEUS MESSIÂNICOS vêm algumas qualidades espirituais neste processo...
PARA OS HEBREUS, O CHIFRE ERA SÍMBOLO DE PODER:
Não somente poder físico Deut. 33:17, mas também do poder santo – O altar de bronze era decorado com 04 chifres: Êxodo 27:1; 30:2. O Senhor Ele mesmo é o "chifre" (=força) da nossa salvação" – 2 Samuel 22:3, Salmos 18:2.
Por ordem divina, o Shofar era carregado de óleo para ungir reis - 1 Samuel 16:1.
Tocar o Shofar é também uma maneira de envolver a natureza em adoração ao Criador! O Salmo 150:3 diz: "Louvai-O com o som da trombeta (shofar)".
HÁ CINCO OCASIÕES DIFERENTES ONDE O SHOFAR É USADO:
1) Em ocasião ALEGRE
2) Para confundir O INIMIGO (veja Juízes 7:1,16-22)
3) No começo de cada mês
4) Convocação para um Ato Sagrado, solene, santo
5) Para anunciar guerra!
O Profeta Jeremias ao ouvir o som profético do shofar ficou com medo... Jeremias 4:19-21.
De acordo com a tradição judaica, o Shofar, é tocado Na Festa das Trombetas, Além das Trombetas de Prata (Veja Números 10:1-10). As trombetas de prata poderiam produzir uma variedade das notas, mas o Shofar produz somente um som que é a explosão da perfuração.
A Festa das Trombetas é um dia de alegria e de grande regozijo, mas tem também uma nota de solenidade, isso por causa dos eventos de agitação da terra que ocorrerão imediatamente antes do retorno de Cristo.
A festa das trombetas
Deus tem um plano redentor que se revela nas Festas do Senhor. Ou seja, as Festas têm para Israel um sentido histórico, e para a Igreja, um sentido profético.
As festas do senhor
"Disse o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: As festas fixas do senhor, que proclamareis, serão santas convocações: são estas as minhas festas."
Festa das trombetas - Levítico 23:23-25
"Disse mais o SENHOR a Moisés: Fala aos filhos de Israel, dizendo: No mês sétimo, ao primeiro do mês, tereis descanso solene, memorial, com sonidos de trombetas, santa convocação. Nenhuma obra servil fareis, mas trareis oferta queimada ao Senhor."
Sete é o número especial de Deus - indica integralidade e a perfeição.
Há sete festas do senhor:
PÁSCOA;
ASMOS;
PRIMÍCIAS;
PENTECOSTES;
TROMBETAS;
EXPIAÇÃO;
TABERNÁCULOS.
 A festa das trombetas ocorre no sétimo mês, e neste estudo nós verificaremos na Palavra de Deus, que há sete selos, sete trombetas e as sete últimas pragas envolvidas nesta profecia que começa com esta festa especial das trombetas.
As Trombetas De Prata!
Observe que esta festa é um "memorial com os sonidos de trombetas" (Lev. 23:24).
Deus mandou Moisés fazer duas trombetas de prata e deviam ser usadas: "para convocar a congregação e para a partida dos arraiais" Também deveriam ser tocadas quando fossem sair para pelejar contra inimigos, então Deus se lembraria deles e os livraria dos inimigos (Números 10:2-3;9). Também deveriam ser tocadas em dias de celebração, de alegria, nas solenidades, e no início de cada mês, e ainda quando houvesse sacrifício no holocausto. (Números 10:10)
O Shofar!
Havia também uma outra trombeta que deveria sonir na festa das trombetas, e deveria ser uma trombeta especial feita de chifre chamada um "Shofar".
Conforme dissemos no início, o shofar é mencionado na Bíblia aproximadamente 70 vezes e traduzido para o português como "trombeta" ou "corneta".
O shofar é usado também como um alarme da guerra: "Tocai a trombeta (shofar) em Sião, e dai voz de rebate no meu santo monte; perturbem-se todos os moradores da terra, porque o dia do Senhor vem, já está próximo." Joel 2:1
Como Jeremias reagiu quando ouviu o som do shofar? "Ah! meu coração! meu coração! Eu me contorço em dores. Oh! as paredes do meu coração! Meu coração se agita! Não posso calar-me, porque ouves, ó minha alma, o som da trombeta (shofar), o alarido de guerra." Jeremias 4:19
Jeremias ficou cheio de medo com o som do shofar retinido como alarme para guerra, significando que a morte e a destruição estavam próximas.
É este aviso da guerra que dá à festa das trombetas um toque de seriedade e de solenidade!
Porquê a Guerra?
Por causa da desobediência e do pecado do povo. O Livro de Jeremias está repleto de citações a respeito das razões do juízo e de palavras proféticas conclamando o povo ao arrependimento.
Porquê as Profecias?
Para que haja arrependimento e "então" possamos receber novamente as bênçãos de Deus (Ler Deuteronómio 28). As profecias bíblicas sobre a Casa de Judá se cumpriram. Um exemplo de o que acontece quando há arrependimento, vemos na história do profeta Jonas. (Jonas 3:10).
O fim dos tempos!
A Festa das Trombetas é também profética, e tem a ver com segunda vinda de Jesus e com o final dos tempos!
Em Mateus 24:3 os discípulos perguntam a Jesus quando aquelas coisas profetizadas haveriam de acontecer, e que sinal haveria da vinda do Senhor, e da consumação do século...
O primeiro sinal que Jesus deu foi o de falsos profetas que tentariam iludir o povo.
Os sinais seguintes que Jesus revela são: guerras, fomes, pestilências, e terramotos: (Mateus 24:6-8 ).
Jesus continua com o sinal da Grande Tribulação: "porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido, e nem haverá jamais."
E depois Ele fala da sua volta afirmando:
"Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados.
Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.
E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus." - Mateus 24:29-31
Jesus voltará em um tempo de guerra mundial! O toque do shofar (trombeta) também se faz em tempo de guerra!
Este é o tempo em que o Senhor está levantando o Tabernáculo de David (Actos 15:16) - É o tempo em que o Senhor está estendendo a Mão para resgatar o restante do seu povo (Isa. 11:11) É o tempo de se buscar a ovelha perdida (Ezeq. 34:1-14).
Quando este tempo se completar "Naquele dia se tocará uma grande trombeta, e os que andavam perdidos pela terra da Assíria, e os que forem desterrados para a terra do Egito tornarão a vir, e adorarão ao Senhor no monte santo em Jerusalém." (Isaías 27:13)
Israel será resgatado ao som da TROMBETA (shofar) na segunda vinda de Cristo.
Por quê as igrejas esqueceram da Festa das Trombetas?
Quando Cristo retornará?
Ninguém sabe o Dia ou a Hora! Só Deus que o Pai conhece: "Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai" (Mateus 24:36).
Nós sabemos que Cristo voltará ao toque da Sétima Trombeta (shofar).
O sétimo selo é aberto em Apoc 8:1. Quando o sétimo selo for aberto, aparecerão sete Anjos, cada um com uma trombeta, as quais serão tocadas, uma a uma... As sete trombetas compõem o sétimo selo. O toque da sétima trombeta anuncia a volta do Senhor!
Jesus voltará durante a Festa das Trombetas. A Festa das Trombetas, como a de Pentecostes, é de Alegria... Foi no Pentecostes que o Espírito Santo veio!
Nota: O "primeiro dia do sétimo mês" é o Dia da Festa das Trombetas - (veja Lev. 23:24 Neemias 8:2)
Este dia para é para o povo de Deus se alegrar (Neemias 8:8-12), mas para o povo de fora é dia de trevas!
Nos dias de Esdras e Nehemias as pessoas se alegraram grandemente na Festa das Trombetas. Note que esta passagem diz três vezes que "este Dia é santo ao Senhor."
Conclusão:
A Festa das Trombetas é um dia de solenidade. Começa com guerra mas termina com o retorno de Jesus Cristo em triunfo. A Festa das Trombetas é um Dia de se ALEGRAR e, como o Sábado sagrado semanal, é Dia Santo para Deus (Neemias 8:2, 9-12).
Outro tipo menos conhecido mas bem considerado entre as famílias mais antigas que produzem shofar em Israel a centenas de anos é o chifre de Orex (Oryx), uma espécie de antílope que vive desde a África, Sinai, Israel e Península Arabica, que era utilizado pelos sacerdotes no Templo afim de diferenciar o seu toque dos demais toques de shofar que se tornaram populares.

O CASTIÇAL

ÊX 25.31-40

Queremos, no presente estudo focar o simbolismo que envolvia o Castiçal. Certamente o castiçal também nos ensinará princípios que nos edificarão profundamente!

I. O CASTIÇAL

1. O Castiçal, "hrwnm" – menowrah – "suporte de luz", "abajur", "candeeiro", "candelabro", etc.. Era uma peça única de ouro batido e ficava no lado esquerdo do Lugar Santo, ao sul. Era composto de seis hastes e cálices em formato de amêndoas. Se o visualizarmos com nossas mentes, podemos vê-lo tendo a aparência de uma árvore de ouro. Outro detalhe de considerada importância está relacionado ao combustível que alimentava o fogo noite e dia, o azeite puro de oliveira. Veja a descrição feita por Cole:

"Zacarias 4:2, numa visão, parece se referir a um candelabro que consistia de um único vaso de azeite cuja borda possuía sete aberturas laterais de modo a receber sete pavios (segundo Davies, W.F. Albright menciona a existência de tais lâmpadas encontradas em Mizpa). Todavia, se compararmos a descrição aqui oferecida com a escultura no Arco de Tito, surgem algumas diferenças. Trata-se neste caso de um candelabro de sete hastes, feito de ouro maciço (madeira de acácia revestida de ouro não se podia usar aqui). O candelabro era profusamente decorado com moldes e esculturas de amêndoas e flores de amendoeira, e sustentava sete pequenas lâmpadas de pavio único".(1)

Veja ainda a descrição de Shedd:

"A representação do mesmo, no Arco de Tito, mostra que era formado de uma haste central (chamada de ‘castiçal mesmo’, em versículo 34), com três projeções de cada lado, todas encurvadas e chegando à mesma altura, assim formando sete lâmpadas todas na mesma altura (22). As próprias lâmpadas tinham a forma de um lírio aberto segurando uma taça. Cada projeção era enfeitada com ornamentos que consistiam de um botão de amêndoa, uma maçã (botão, como o capitel de uma coluna), e uma flor de lírio, sendo que as projeções laterais tinham três desses ornamentes enquanto que a haste central tinha quatro (33-35). Os ornamentos não eram fixados externamente, mas formavam uma só peça com o todo (36).(2)

2. Era um aparto construído especialmente para trazer luz para o interior do Tabernáculo. Não precisamos dizer que sem o Castiçal, o Santuário ficaria complemente imerso na escuridão! Por esta razão entendemos que a principal e única função do Castiçal, era a iluminação do recinto sagrado, isto não levando em conta ainda o simbolismo envolvido, o qual passamos a apreciar no ponto seguinte.

II. SIMBOLISMOS

1. Queremos ver agora quais são os simbolismos envolvidos no Castiçal, e suas aplicações para os filhos de Deus atualmente.
a) Inicialmente, queremos entender que o seu significado estava ligado à nação de Israel, que fora levantada por Deus para ser "luz para os gentios". Esta idéia é clara em Isaías 42.1, 6: "1 Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios. 6 Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo e luz para os gentios". Na verdade Deus criou a nação de Israel com um propósito específico, ou seja levar o Seu nome a todas as nações da terra. É desta maneira que entendemos a chamada de Abraão, e a promessa a ele de ser bênção para as nações, "...e em ti serão benditas todas as famílias da terra", Gn 12.3b. Não é por acaso que Deus usa uma expressão semelhante ao comissionar Paulo como pregador aos gentios: "porque assim nos ordenou o Senhor: Eu te pus para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até os confins da terra", At 13.47. Tal ponto de vista é citado com propriedade por Cole:

"Alguns pensam que o candelabro significava a missão de Israel como luz para os gentios (Is 60:3). Certamente o "sete’’ como sempre simbolizava perfeição, ao passo que o óleo, pelo menos mais tarde, se tornaria um símbolo do Espírito de Deus (Zc 4:1-6). O simbolismo pode ser o da luz que a presença de Deus traz ao Seu povo (Nm 6:25), se lembrarmos que luz, no Velho Testamento, é também um símbolo da vida e de vitória (Sl 27:1)".(3)

b) Se o simbolismo acima está correto, e cremos que está, podemos dizer ele se aplica também a Jesus, a Luz que veio ao mundo e a nós como propagadores da Luz.
b.1) Quando Jesus deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, Mateus, citando o profeta Isaías (9.2), fala acerca da vida e ministério de Jesus, como sendo a chegada da luz divina àquela região: "o povo que estava sentado em trevas viu uma grande luz; sim, aos que estavam sentados na região da sombra da morte, a estes a luz raiou", Mt 4.16.
b.2) Uma descrição não menos significativa está no começo do Evangelho de João onde o termo "luz", aplicado ao Filho de Deus se repete por consecutivas vezes, "4 A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. 5 A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela. 6 Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João. 7 Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. 8 Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, 9 a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem", Jo 1.4-9. Observe a incidência da palavra "luz" com referência a Jesus nos vs. 4, 5, 7, 8, 9, somando 6 vezes.
b.3) Indo um pouco mais adiante no mesmo Evangelho de João, encontramos Jesus fazendo referência a sim mesmo como sendo a Luz vinda de Deus para iluminar a todo homem, Jo 8.12, "Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida". Esta mesma aplicação se nota em Jo 9.5; 12.35-36, 46;
b.4) Uma outra aplicação importante envolve o crente, o filho de Deus, que por natureza tornou-se um receptáculo da luz divina. Cabe a nós como testemunhas de Jesus e de Sua Palavra, ser luz para o mundo pecador imerso em densas trevas! Se temos em nós a verdadeira Luz, esta Luz precisa brilhar na salvação de vidas. É através de nosso comportamento irrepreensível, uma conduta honesta, verdadeira, num mundo iníquo, que iremos iluminar aqueles com os quais convivemos e aos quais precisamos testemunhar da Luz de Deus. Como luz, precisamos falar incansavelmente do Senhor e da Sua Palavra. Note como Jesus orientou assim os seus discípulos, Mt 5.14, "Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte". E Paulo escrevendo aos Filipenses, afirmou: "... para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis como luminares no mundo", Fp 2.15. Podemos observar aqui o comentário de Barrow:

"Nós não só necessitamos ver Sua luz, nós precisamos andar em Sua luz (I João 1:5-7; Efésios 1:18; 5:5-8). Isto incluirá o Senhor brilhando sobre muitas coisas que não O refletem. Nós devemos confessar essas coisas que Ele ilumina na nossa consciência ao nosso Advogado nos céus, Jesus Cristo o Justo, O qual se entregou a Si mesmo pelos nossos pecados (I João 1:9; 2:1-2). Esta atuação em nosso interior é a função da luz da vida: o sacerdote preparava os pavios das lâmpadas e enchia os cálices com óleo e a luz aumentava em intensidade novamente (compare Apocalipse 1:12-13)"(4).

c) Devemos lembrar que os sacerdotes precisavam ficar atentos, alimentando diariamente o Candeeiro com o azeite de oliveira, impedindo desta maneira que as lâmpadas viessem a apagar. Precisamos nós também como filhos de Deus, cuidar para que a Luz de Deus não se apague em nós, ou venha ter o seu brilho diminuído em nossas vidas. Lembre-se que o óleo é símbolo do Espírito Santo! Assim como o Candeeiro precisava ser abastecido com óleo, precisamos nós também ser abastecidos com a unção do Espírito Santo. Não é por menos que Paulo nos adverte a que não apaguemos o Espírito Santo em nossas vidas, 1 Ts 5.19, "Não extingais o Espírito". Pelo contrário precisamos ser plenos dEle em nossas vidas, Ef 5.18, "E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito".
d) Outra observação não menos interessante é que o Castiçal foi construído a partir de uma barra maciça de ouro batido, para formar as setes hastes, Êx 25.36, "Os seus cálices e os seus braços formarão uma só peça com a haste; o todo será de obra batida de ouro puro". Podemos dizer que a haste principal prefigura Jesus, sendo que demais hastes podem prefigurar a igreja (pessoas convertidas). Sobre este simbolismo discorre Barrow:

"O castiçal era feito a partir de trabalhar sobre somente um bloco de ouro. Em primeiro lugar, a haste central foi batida e formada. Depois, seis ramificações foram formadas da haste central. Isso nos mostra Cristo e Seus membros em Seu corpo (I Coríntios 12:12). Quando Jesus veio, Ele era a única Luz do Mundo. Então Pedro, Tiago e João foram "batidos" ou feitos em Cristo (II Coríntios 1:21). Nós sabemos que as três lâmpadas de cada lado do castiçal eram acesas a partir da lâmpada central, quando o castiçal era montado. Isto indica que Cristo "iluminou" Pedro, Tiago, João e os outros primeiros discípulos e eles começaram a segui-lO, a Luz do Mundo"(5).

e) Como os cálices do Castiçal tinham o formato de amêndoas, isso nos sugere mais um simbolismo, Êx 25.33, "Em um braço haverá três copos a modo de flores de amêndoa, com cálice e corola; também no outro braço três copos a modo de flores de amêndoa, com cálice e corola; assim se farão os seis braços que saem do candelabro". Lembrando do episódio da vara de Arão que floresceu (Nm 17.8), as flores de amêndoa parecem nos indicar o cuidado constante de Deus para com a nação de Israel e para com o seu povo nos dias atuais. Dentro deste simbolismo nos escreve Cole:

"Se as referências à amendoeira forem encaradas literalmente como desenhos usados para decoração (e esta parece ser a interpretação óbvia), isso nos lembra a vara de Arão, feita de amendoeira, e que florescera (Nm 17:8), e também a visão de Jeremias (Jr 1:11,12). Jeremias nos dá a entender que a amendoeira, sendo a primeira árvore a florescer na primavera, era um símbolo apropriado do maravilhoso cuidado divino para com Seu povo, e do cumprimento de Sua promessa feita aos antepassados de Israel. Tudo isso é mera especulação, todavia, e neste terreno é melhor que se pise com cuidado(6).

2. Vimos que no Tabernáculo, a iluminação ocorria através do Castiçal, que por sua vez representava a luz de Deus, tanto para a nação de Israel, como também para a Igreja de Cristo. Deus é a Luz de seu povo! Um ponto que não podemos deixar de mencionar é que na Jerusalém Celeste, não haverá mais a necessidade de um Castiçal, de uma luz produzida, pois a sua iluminação virá pelo próprio Deus, Ap 22.5, "E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de luz de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumiará; e reinarão pelos séculos dos séculos". Certamente "... a Nova Jerusalém será um enorme castiçal de ouro, não necessitando mais de nenhum cuidado contínuo. Não haverá mais trevas para combater, simplesmente fluirá o rio da água da vida, com a árvore da vida, que procede do trono de Deus e do Cordeiro (22:1-2)(7). Terminamos com Ap 21.22-24, "22 Nela não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro. 23 A cidade não necessita nem do sol, nem da lua, para que nela resplandeçam, porém a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada. 24 As nações andarão à sua luz; e os reis da terra trarão para ela a sua glória".

BIBLIOGRAFIA:

BARROW, Martyn. Artigo "O Castiçal". http://www.domini.org/tabern. martyn@domini.org. Tradução: Pastor Eduardo Alves Cadete (05/01). Revisão: Joy Ellaina Gardner (02/02). Calvin G. Gardner 03/02.
BÍBLIA ONLINE. Sociedade Bíblica do Brasil. Versão 2.01. 1999.
COLE, Alan, Ph.D. Êxodo, Introdução e Comentário. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova. São Paulo, 1963.
SHEED, Russel. O Novo Comentário da Bíblia. Edições Vida Nova. São Paulo. Vol. I, págs. 143-154.
SHEED, Russel. O Novo Dicionário da Bíblia. Edições Vida Nova. São Paulo. Vol. III, págs. 1553-1557.

NOTAS:

(1) COLE, Alan, Ph.D. Êxodo, Introdução e Comentário. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova. São Paulo, 1963. Pág. 186.
(2) SHEED, Russel. O Novo Comentário da Bíblia. Edições Vida Nova. São Paulo. Vol. I, pág. 14.
(3) COLE, Alan, Ph.D. op. cit. pág. 187.
(4) BARROW, Martyn. Artigo "O Castiçal". http://www.domini.org/tabern. martyn@domini.org. Tradução: Pastor Eduardo Alves Cadete (05/01). Revisão: Joy Ellaina Gardner (02/02). Calvin G. Gardner 03/02.
(5) Id. Ibid.
(6) COLE, op. cit. pág. 187.
(7) BARROW, op. cit.

DO SANTUÁRIO À CIDADE CELESTIAL

"ICo 13:4-8"
4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
5 Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
6 Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá.
Deus deseja que pratiquemos estas coisas até sua vinda que é breve, o amor de muitos esfriará, mas devemos nos esforçar para que venhamos a entrar na Cidade Celestial pelas portas, olhando só p/ Jesus, o autor e consumador de nossa fé.

SHOFAR ISRAELITA - MARAVILHOSO!

A BELEZA DO SANTUÁRIO

A primeira parte da experiência do santuário é a sua beleza. Claro que presenciar só a beleza estética não é suficiente. Aqui temos muitas igrejas bonitas, músicas bonitas, mas nada disso garante que nesta beleza esteja a verdade. A verdade é mais importante. Portanto conheçamos toda verdade!
Num longo período de 400 anos o povo de Israel permaneceu no Egipto. Esse abismo de tempo quase os destruiu. Imagino Deus morrendo de saudades, então, como que não aguentando mais, move um homem para tirar seu povo do Egipto. (Ex 12:37).
Infelizmente não bastava a libertação para este povo, Deus desejava um concerto, uma aliança que formasse uma união nesse relacionamento entre um Deus capaz de fazer qualquer coisa para os tornar felizes e um povo teimoso, duro de coração e insensível.
Conta-se a história que dizia: Um jovem estava andando pela floresta e de repente caiu em um buraco, ficando preso e sendo incapaz de sair por si mesmo, tentou com esforços inúteis livrar-se do seu problema. Conseguindo tirar forças de onde não tinha mais, gritava desesperadamente repetidas vezes na esperança de que alguém pudesse ouvi-lo. Quando ele menos esperava apareceu um FILÓSOFO seguidor de Buda, percebendo a situação do rapaz o mesmo resolveu ajudá-lo apenas jogando alguns livros que ensinavam como o jovem encurralado poderia "encontrar-se", não é isso que todos dizem? Mas o jovem continuava sem saída, depois veio um discípulo de Maomé e procurou ensinar-lhe a levitar para ser liberto, dizendo: faça assim, agora assim..., mas também não conseguiu sair. Até que ouvindo os gritos desesperados, um discípulo de Jesus Cristo apareceu, olhou-o em nos olhos estendeu o braço e de forma prática o puxou e o tirou do buraco e o libertou.
O grande Deus do universo vê o povo israelita que está escravizado no buraco do Egipto, muitos humilhados, torturados, alguns quem sabe tentando por esforços humanos a tentar tirá-los de lá, mas todos os esforços são vãos. Contudo, Jeová estende o Seu braço forte para os libertar, diz a Bíblia: "Eis que a mão do SENHOR não está encolhida para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir". Is 59:1
Foi assim que de forma prática o poderoso Deus conseguiu com milagres e duras pragas remover não um povo, mas uma grande nação e levá-los por um deserto onde só o grande Deus o poderia fazer.
Se um indivíduo que vivia do outro lado do Jordão fosse impressionado com o conhecimento do verdadeiro Deus, pelo seu contacto com os Israelitas, e desejasse a salvação, como poderia ser salvo? Que programa teria Deus, neste mundo, para salvá-lo? A resposta é: ele deveria ir ao santuário, oferecer o seu sacrifício e, assim fazendo, ele entrava em concerto com o verdadeiro Deus. Este é o plano veterotestamentário da salvação.
Durante 40 anos Israel vagou pelo deserto sob a liderança de Moisés. Cerca de 2 milhões de ex-escravos fizeram a maior caminhada das suas vidas, saíram do Egipto para a terra prometida. Na base da península do Sinai, onde o deserto é forte e causticante. São cerca de 1.620km de extensão. Levaram 3 meses para chegar lá, fazendo uma caminhada diária de 18km seguindo os rastos das nascentes de água, um caminho antigo utilizado por escravos egípcios. Permaneceram ali por cerca de 1 ano.
A partir de então a história do santuário começa a fazer parte da vida do povo israelita, de facto houveram alguns santuários na história deste povo.
Foram 4 santuários, a saber:
1) O santuário dado por intermédio de Moisés; Ex 25:1-40
2) O Templo de Salomão (destruído/invadido por Nabucodonosor); 1 Rs 5:1-12; 8:12-21
3) Zorobabel (70 anos depois reconstruído, porém inferior); Ed 2; 3
4) Herodes o grande, (reformou o templo de Zorobabel, essa é a época de Cristo).
O primeiro verso da Bíblia a mencionar a palavra santuário é Ex 15:17. Aqui o santuário ainda não havia sido construído. O texto aparece no perfeito profético do hebraico. Está tão certo quanto ao futuro que já se afirma como sendo verdade.
O povo de Deus naquela época sabia perfeitamente, que o Senhor do universo, o grande Deus que criou todas as coisas, não poderia habitar em uma construção feita por mãos de homens (1Re 8:27; Is 66:1; Hb 9:24), mas também não seria interessante que tivessem seus cultos sem um local de adoração. O santuário apresentava de forma visível um culto ao único Deus verdadeiro, servia também como forte instrumento contra adoração dos falsos deuses. O povo de Deus nesta época era nómada, por esta razão o tabernáculo podia ser desmontado para ser transportado a outros lugares.
O tabernáculo foi erguido primeiro no deserto um ano depois da Páscoa quando os Israelitas foram livrados da escravidão egípcia. Era uma barraca móvel com mobília portátil que podia ser transportada onde quer que eles lançassem acampamento.
Deus sabia que o povo precisava de uma presença visual, tanto que quando Moisés subiu ao monte Sinai e passou 40 dias ali, as pessoas impacientes juntaram ouro e fizeram um bezerro visível para adorá-lo em lugar de Deus, neste ato demonstraram a necessidade em seguir algo visível.
O santuário tem um propósito maior do que resolver o problema do pecado. Deus queria encontrar-se com o ser humano.
A direcção do santuário tinha de ser invariavelmente para o leste ou nascente. Ex 27:12-16 Há razão para Deus ter ordenado a entrada ser do lado oriental e esta é lógica e grandiosa, para entrar no santuário a pessoa precisava dar as costas ao sol, deus dos pagãos. Isso pode ser entendido na visão dada ao profeta Ezequiel, Ez 8:13-16. Nessa visão, Deus mostra ao profeta qual era a maior abominação que ele já tinha visto, e que era a adoração do sol. Por isso, o ato da pessoa entrar no pátio do Santuário já mostrava que ela estava desprezando o maior deus pagão.
O Santuário montado sob a ordem do Senhor em Ex: 25:8, demonstrava que Deus desejava ter em sua companhia todos aqueles a quem o pecado tinha levado para longe, estes seriam convidados novamente a estarem perto, aqueles pelos quais seriam perdoados pelo sangue do verdadeiro Cordeiro vindouro, Jesus, que morreria na cruz um dia no futuro como o verdadeiro sacrifício.
A tipologia do santuário ainda apresenta diversas lições espirituais, hoje, ao povo de Deus. Ao contrário do que se pensa, mais do que um ritual que teve seu momento de importância tipológica entre os homens, este tema abrange um longo período, indo desde o Génesis, quando encontramos traços, ligações, como se fossem pegadas que nos fazem lembrar um altar de sacrifícios, ou um cordeiro, assim, este assunto vai até o livro do Apocalipse, onde lemos João escrevendo "Abriu-se o templo de Deus, e foi vista a arca de sua aliança" Ap 11:19, como uma "sombra" tão grande que se projecta através dos séculos. Um dos assuntos mais importantes de todo o Canon Bíblico, pois não existe uma tipologia mais perfeita que apresente o plano de resgate de Deus em desejar salvar o homem do que o maravilhoso projecto do santuário. Esta mensagem ainda é capaz de trazer segurança, confiança e esperança num Salvador que virá nas nuvens para acabar com o problema do pecado para sempre.
Deus agora estava através do santuário oferecendo não só uma maneira para que os Israelitas saíssem do "buraco do Egipto" mas oferecia-lhes a oportunidade de morar com o Seu povo, estar entre eles, falar e ouvi-los, então surge uma proposta a Moisés: “e me farão o Santuário para que Eu possa habitar no meio deles”. (Ex 25:8 e 40).
No santuário do deserto havia muita riqueza sem dúvida, se pudéssemos efectuar um cálculo veríamos que isso é verdade, havia 1 tonelada de ouro e 4 toneladas de prata, não foi possível contar o bronze.
Para o povo de Deus, o santuário deveria representar um pedacinho do céu na terra.
O Senhor Deus sem dúvida alguma conseguiu atrair o ser humano pela beleza e grandeza, o santuário era a forma prática de entender o que Deus pensa a cerca do pecado e a salvação.
Não é a toa que a doutrina do santuário nos ensina muito sobre a beleza e a grandeza de Deus. O santuário é um assunto muito belo. Às vezes precisamos parar e contemplar a beleza desta doutrina. Agora imagine, tanta beleza assim e ainda é simplesmente apagado em relação ao verdadeiro tabernáculo, que o Senhor erigiu e não o homem (Santuário celestial). Hb 8:2.
O santuário era o lugar onde as pessoas vinham adorar ao Senhor. Imagine como não deve ter sido maravilhoso o fato de ter estado lá e ver toda aquela manifestação da glória de Deus. A mesma glória vista por Moisés nós também podemos experimentar.
Quando falamos sobre o santuário vem a mente um pecador andando pelo meio do arraial, ele puxa ali sua oferta pelo pecado em direcção ao santuário, todos que o vêem passando já sabem que ele pecou e que aquele inocente animal irá pagar um alto preço, a própria vida com a morte.
Talvez perguntemos, por que nunca vemos na bíblia uma mulher levando sacrifícios? O motivo é que o homem é o maior responsável por seu lar, pela sua esposa e filhos(as), Jesus o designou como cabeça da família.
Nada no santuário é por acaso, Deus estabeleceu métodos e tipologias tão perfeitas que ao compararmos com os ensinos de Jesus é como se nos fossem abertos os olhos.
Uma pessoa não podia entrar por qualquer direcção no santuário, como ela bem entendesse ou quisesse, ela tinha que entrar por um portão que ficava ao leste, assim, mostra-nos que só é possível chegar a Deus por um modo que Ele mesmo já definiu, não o que pensamos achar ser certo. Isto é tão sério que se os sacerdotes simplesmente não usassem a roupa certa servindo ao Senhor eles poderiam morrer Ex 28:2,43. Jesus mesmo falou quanto a entrada no santuário, Ele disse "... entrai pela porta estreita". Mt 7:13,14; "...a porta estreita é que conduz a vida". Além disso disse também que "...aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador. Job 10:1. Deus estava ensinando que só podemos ir pelo modo que ele mesmo informou, de acordo com suas cláusulas, Jesus Cristo é a porta, Ele é a cláusula, veja: ... em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas Job 10:7. Uma escritora norte-americana disse que o pecador ao se deparar em frente ao santuário, ficava impressionado com a beleza e magnificência. O escritor americano Franck Holbrook escreveu "conhecer o santuário terrestre traz o céu para mais próximo da terra".
O santuário é o próprio evangelho do AT. Ao contrário do que pensam alguns, o único método usado para ensinar as verdades acerca de Deus, seu amor, seu plano, seu trato com o pecado, a graça etc... não é outro senão o santuário. Foi o Tabernáculo com as suas ministrações, o sacrifício de cordeiro, o derramamento de sangue, a expiação. O evangelho sempre existiu, pois o evangelho é Cristo, podemos encontrá-lo de Génesis ao Apocalipse, onde lemos a forte declaração afirmando a sua existência: "o evangelho eterno" Ap 14:6
Chega-se o momento da construção do santuário. Ao povo, estava sendo dado o privilégio de participar da construção do lugar que seria a morada de Deus entre eles. Era desejo do Senhor receber apenas aquelas dádivas que viessem do íntimo do coração. O povo respondeu exactamente como Deus quis, tão generosa foi a resposta do povo que Moisés precisou dizer que não trouxessem mais ofertas, desta maneira, o tabernáculo foi levantado, como resultado das oferendas de Israel. Trouxeram ouro, prata e bronze além de tecidos. Seguramente o povo tinha o seu evangelho, e este evangelho era o santuário, pois de forma tipológica tudo aquilo mostrava um salvador que morreria. Quando estudamos este assunto temos então uma compreensão mais clara a respeito do Plano de Deus na Tipologia do Santuário. Quando entendemos nos seus detalhes, então começamos a entender o maravilhoso carácter do Salvador e seu divino plano. Além dos materiais citados anteriormente, Deus também pediu madeira (Acácia): Uma madeira que não apodrece nem se corrompe, a única encontrada no deserto do oriente. Jesus como tendo um corpo perfeito, carne perfeita e incorruptível. Jesus morreu e ressuscitou, sua carne não viu corrupção. Pediu-se também azeite - Jesus era ungido. As especiarias nos falam de adoração. Devemos notar que as instruções dada por Deus a Moisés para construção do santuário, começam de dentro para fora. Lembra-se. Jesus falou que o que importa é o interior, o coração. Ele faz a mudança acontecer de dentro para fora. Ele muda o nosso coração até chegar ao exterior.
O tabernáculo construído por Moisés, era como uma casa, no qual tinha paredes de madeira, teto que eram quatro coberturas, no interior era de linho fino e as outras eram de outras peles de animais. Observe abaixo:
O santuário estava dividido em alguns compartimentos, a parte maior chama-se átrio ou pátio, que cercava todo o tabernáculo através de 60 estacas com cortinas afixadas por cordas.
Se a glória do Senhor estava com o povo nas sombras, quanto mais connosco hoje. Quando Jesus veio, os olhos de muitos do povo foram abertos e perceberam o cumprimento tipológico das coisas representativas.
A nuvem falava da presença de Deus, mas o fogo fala-nos do poder de Deus.
Se isso tudo aconteceu numa sombra, quanto mais não estará o Senhor disposto a manifestar-se hoje em meio de seu povo!
Ainda no pátio encontramos o altar chamado de altar de sacrifícios e uma pia. Os sacerdotes ministravam inicialmente neste compartimento, onde davam início a todo o processo. As pessoas, era dado o direito de estarem ali mas não podiam passar adiante nos outros compartimentos.
No segundo espaço que era o próprio templo, o tabernáculo apresenta compartimentos mais importantes, dividido em duas partes, onde a primeira e maior recebia o nome de Lugar Santo e a segunda, menor, recebia o nome de Lugar Santíssimo.
No primeiro compartimento como podemos observar no desenho abaixo, haviam alguns móveis: uma mesa com pães, um castiçal para iluminar os que ali ministravam, pois não havia janelas e tampouco outra iluminação tão forte como a do candelabro. Um altar chamado de incenso era visto ao entrar pela porta de cortinas que dava ao leste, a frente da pia, após as cortinas, a direita estava uma mesa com pães e a esquerda estava o castiçal. Estes pães que estavam sobre a mesa eram feitos de flor de farinha, colocados em duas colunas de seis cada uma, também haviam copos, colheres e outros utensílios que eram usados.
O móvel chamado de altar de incenso era coberto de ouro, e ao redor tinha como uma coroa de ouro. Sobre este altar o sacerdote colocava a vasilha com as brasas tiradas do altar (sacrifícios) que ficava logo a frente do templo. Quando colocava o incenso sobre as brasas, subia uma fumaça e como o véu que dividia o templo em dois não chegava até o teto, o incenso não só enchia o primeiro compartimento, mas penetrava também no segundo. Assim, o altar de incenso, apesar de estar no lugar santo, servia também ao lugar santíssimo.
No segundo compartimento estava uma arca contendo as pranchas, a lei de Deus escrita por seu próprio dedo, a vara de Arão que floriu e o maná. A coberta da arca era muito especial e servia de tampa, em cima desta havia esculpido dois anjos de ouro puro. Este lugar era o ponto mais importante de tudo, tudo girava em torno deste local.
Na bíblia nos é revelado as informações suficientes para sabermos como era o santuário, tabernáculo ou tenda da congregação. Ele foi feito conforme um modelo, o verdadeiro tabernáculo que está no céu. Hb 8:5.
No Novo Testamento João escreve "E o Verbo se fez carne, e habitou (em grego - skenoo) entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade" João 1:14. Esta palavra "habitou" tem o mesmo sentido da palavra usada no tabernáculo, quando Deus disse ...para que habite (em hebraico - shakan) no meio deles" Ex 25:8. Em Jesus, Deus entra em carne vivente para morar ou fazer "tabernáculo" entre as pessoas. Como ele caminhou entre as pessoas aqui na terra, cumpriu um perfeito quadro do santuário.
Obs: Os sacrifícios da manhã expiavam os pecados da noite, os sacrifícios da tarde os pecados cometidos durante o dia.
Assim, a revelação apenas nos mostra que aqui na terra o santuário era apenas uma figura, um desenho, um rascunho, uma sombra do que havia verdadeiramente no céu, pois jamais as construções de mãos de homens assemelhar-se iam às do céu. Claro que apontavam para Cristo, mas é inconcebível que a construção terrestre seja idêntica a celestial. Todos nós fomos feitos a imagem de Deus, Gn 1:27, mas só Cristo é realmente a imagem de sua substância Hb 1:3. O finito apenas se pode assemelhar-se ao infinito. Deus mostrara na linguagem humana as verdades celestiais, preferiu revelar de forma compreensível ao entendimento humano.
Salomão sabia que embora seu templo fosse maior e mais formoso que o tabernáculo do deserto, não poderia conter a Deus 1Re, 8:27. E sem problema algum Deus o reconheceu como sua casa Is 56:7, como também o fez mais tarde com o templo de Herodes Mt 21:13. Deus, que habita na altura e na santidade, também está disposto a morar com o quebrantado e humilde de espírito Is 57:15.
Hoje todo o sistema de sacrifícios não devem mais ser utilizados, pois todo esse sistema encontrou na pessoa de Cristo o seu cumprimento final. Sacrifícios de cordeiro não são mais necessários, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Job 1:29) ofereceu-se uma vez para sempre para libertar a humanidade da culpa do pecado.
O povo de Israel com o passar dos anos foi aceitando estas verdades. Hoje somos salvos por sua graça mediante a fé, isso não vem de nós mesmos, mas é um dom de graça de Deus. Ef 2:8
Note o que diz Ellen G. White sobre o momento exacto do cumprimento cerimonial na pessoa de Jesus na cruz: “Tudo é terror e confusão, o sacerdote está para matar a inocente vítima, mas o cutelo cai-lhe da mão paralisada, e o cordeiro escapa. O tipo encontra o antítipo por ocasião da morte do Filho de Deus. Foi feito o grande sacrifício. Acha-se aberto o caminho para o santíssimo. Um novo, vivo caminho está para todos preparado”. (Desejado de Todas as Nações, p. 757). LINDO!!!
O tipo encontrou o antítipo, a sombra encontra a substância e o modelo sua real figura.
Existe um vocábulo grego para as palavras “está consumado” ditas por Jesus na cruz no momento em que rende a vida como o verdadeiro cordeiro, a palavra é em grego "teleo" (telew) que segundo o Léxico do N.T Grego/Português pg 205 quer dizer "pagamento". Eis a maravilhosa notícia, nosso débito está pago, está nossa dívida quitada, completamente liquidada, precisamos apenas desejar recebê-la, tomar posse.
Uma vez construído o Santuário, deviam ser realizadas cerimónias de consagração tanto dos sacerdotes (Ex 29:1-37, Lv 8:1-36) e do próprio Santuário (Ex 40:9-11). Todos os móveis do templo deviam ser ungidos com o "óleo da unção".
Em tópicos posteriores será abordado que esta obra de inauguração foi realizada por Jesus no Santuário Celestial (Dn 9:24). Maravilhoso é notar que por ocasião da unção do santuário celeste, o "óleo" que é derramado escorre, o Espírito de Deus, cai na terra fazendo com que os homens iletrados, pescadores ignorantes transformem-se em homens de poder, a descida do Espírito Santo em Pentecostes.
Diante de todo o vasto universo, a bondade, o amor e a justiça são atribuídas a Deus, pois na cruz foram definidas absolutamente todas as questões. Aleluia!
Aproveite bastante todo o conteúdo deste maravilhoso trabalho.